A frase que intitula o artigo de hoje foi popularizada em nosso país por Antonio de Castro Alves, autor de Espumas Flutuantes e Navio Negreiro, uma das mentes mais fecundas e uma das penas mais inspiradas de toda literatura brasileira, em poema dirigido ao Gabinete Português de Leitura, para instá-lo a oferecer um benefício às famílias dos soldados mortos em guerra, que estavam abandonados e na miséria. Os versos são lindos e tocantes (recomendo a leitura integral, encontrável na Internet), como tudo o que fazia o poeta condoreiro que, no caso, aludia   ao texto bíblico de provérbios 19:17, que ensina:  “O que se compadece do pobre empresta ao Senhor, que lhe retribuirá o seu benefício”.

Evidentemente que não se deve fazer o bem esperando algo em troca, nem mesmo um “muito obrigado”.  Existe, todavia, uma lei cósmica eterna e misteriosa, mas de força invencível e inequívoca, a qual dispõe que o retorno, em bênçãos, em sua completude, só vem para aqueles que doam, e que se doam, de forma absolutamente desprendida.

Assim, o que tanto o vate baiano quanto a sabedoria do Livro Santo nos dizem, é que esse “empréstimo” não importa em uma troca, uma barganha com Deus, mas em nossa identificação como seus filhos, quando fazemos a sua vontade e nos conduzimos de acordo com os seus dois principais mandamentos: amá-lo sobre de todas as coisas; e amar o próximo como a nós mesmos. Aí, traremos o Pai para habitar o céu que criamos, com nossas boas ações, dentro de nós e em nosso derredor. É que a luz procura a luz! A título de advertência, não custa lembrar que a equação em sentido contrário também é verdadeira, pois as trevas procuram as trevas…

A partir do momento em que nos dispomos a dar algo, seja um auxílio material, seja o apoio espiritual estaremos, pela prática da caridade, subindo mais um degrau na busca de nosso aperfeiçoamento. Muita gente  reclama – e se magoa – por não receber dos outros  a atenção que acredita merecer. Em geral, quem muito quer, nada, ou quase nada, está disposto a dar. É que, quando agimos pensando apenas em nosso benefício, construímos um muro gigantesco, que nos separa de nossos semelhantes. Quando, por outro lado, estamos atentos para ajudar, ouvir, doar e contribuir, de qualquer maneira, para o engrandecimento do nosso próximo, criamos uma corrente do bem que nos eleva  e nos protege dos males do mundo.

Adam Grant, no instigante livro “Dar e Receber”, sustenta, em suma, que as pessoas se revelam sob três perfis: os tomadores, os compensadores e os doadores. Os  primeiros querem tudo somente para si e não ajudam ninguém, pisando em todos para subir; os segundos só fazem algo de positivo ou de bom se forem receber algo em troca, ou quando haja expectativa dessa troca; os terceiros, os que se dão, que cooperam desinteressadamente, os doadores, são aqueles que alcançam o maior sucesso em todos os aspectos de suas vidas.

Como sabemos, desde Jesus, a fórmula para a felicidade consiste em tratar as pessoas como gostaríamos de ser tratados e que, como ensinava São Francisco de Assis, em sua famosa e linda Oração, só receberemos coisas boas na medida de nossa generosidade.

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Júlio Antônio Lopes
*Amazonense de Manaus, Advogado, jornalista, escritor e editor. Em âmbito regional é membro da Academia Amazonense de Letras; do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas; da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas - seu atual presidente; da Academia de Letras do Brasil-Am; da Academia de Letras e Culturas da Amazônia; da Associação dos Escritores do Amazonas; e da Associação Brasileira de Poetas e Escritores PanAmazônicos. Idealizador e fundador da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas - a Casa de Bernardo Cabral. Integra, como membro efetivo, a Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas; a Academia Internacional de Jurisprudência e Direito Comparado; a Confraria Dom Quixote; a Associação Nacional dos Escritores, sendo, ainda, sócio correspondente da Academia Carioca de Letras; e da Academia Cearense de Direito;) e sócio honorário da Academia Paraibana de Letras Jurídicas. Faz parte também do Conselho Consultivo da Academia Brasileira de Direito.

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