Desapego… que exercício difícil para nós ainda presos ao ego humano… o apego é uma das maiores ilusões da vida terrena… apegar-se a que? A quem? Apegar-se para que? Se tudo é transitório, se tudo é passageiro. O apego é uma das fontes de maior sofrimento, quanta dor, quantas lágrimas por nada.

O apego é o mesmo que querermos segurar o vento, o ar. Somente com o desapego é que podemos ter o que é da alma, porque nós não temos, nós simplesmente somos. Somos o que somos.

O sofrimento do apego se inicia aqui, na Terra, quando presos aos sentimentos de posse, acreditamos nos pertencer em absoluto as coisas materiais; a nossa terra, a nossa casa, as nossas roupas, a nossa beleza, o nosso carro, o nosso cargo, a nossa posição social, o nosso talão 5 estrelas, o nosso cartão de crédito internacional, a nossa empresa, as pessoas e assim por diante. Claro que a prosperidade é um direito do ser, é estarmos em sintonia com a energia da abundância cósmica, mas não podemos confundir com posse.

Alguns tem um forte sentimento de apego dentro de um Fusca 64 e outros passarão totalmente desapegados dentro de uma Mercedes ou BMW.

Nós aprendemos na luz e na sombra, temos que perder para darmos valor ao ganhar, temos que passar pela escassez para aprendermos a buscar a abundância; e a vida é uma grande roda, que gira e gira e nós vamos vivenciando todos os desafios, todas as situações para adquirirmos sabedorias, tudo é cíclico, tudo é empréstimo temporário para o nosso aprendizado.

Quanto sofrimento é gerado à alma no momento do seu desencarne, quando, presa aos apegos terrenos, não alcança a independência das coisas e das pessoas porque está olhando as sombras, não atinge um nível maior de consciência porque está presa à inconsciência dos apegos, dos supérfluos. Aprendi a desapergar-me a partir do momento quando segui esta frase: “Tudo que Tudo que criamos para nós, de que não temos necessidade, se transforma em angústia, em depressão…”. (Chico Xavier). E aos poucos fui analisando e pondo em pratica o desapego, e hoje sinto-me mais leve e valorizo muito mais o SER e não o TER e confesso que sou bem mais feliz!!! Contudo, faço uma ressalva, não pretendo aqui influenciar quem quer que seja a seguir qualquer tipo de doutrina, religião ou comportamento. Porém, bons exemplos devem ser seguidos e praticados e porque não socializados?

Devemos sim viver os prazeres da terra, com o desapego da alma, vivendo aquilo que a vida está nos proporcionando sem a prisão do medo da perda. E o que dizermos do apego emocional? Ah… é mais e muito mais dolorido!

Criamos inúmeras vezes na nossa mente, no nosso corpo emocional, a ilusão de que o outro nos pertence, que nós temos posse sobre o outro e também vendemos a ilusão que o outro tem posse sobre nós, e neste jogo emocional vivemos anos, vidas inteiras e criamos laços carmáticos profundos e o mais irônico, para não dizer o mais triste, é que nos atrevemos, presos a esta visão distorcida, a chamar isto de amor! Mas temos que compreender que para atingirmos o Desapego e o Amor Maior, temos que vivenciar o apego e o amor terreno. São os nossos primeiros passos para alcançarmos a sabedoria.

Nós confundimos apego profundo com desapego e não conseguimos realmente enxergar nossa confusão e a vida faz a parte dela, ou seja, gera o desapego para percebermos o quanto estávamos apegados.

Na minha própria experiência de vida e na minha experiência profissional já tive a abençoada oportunidade de perceber esta distorção, como já citei a pouco. Desapego? Amor incondicional? Baixa auto-estima? Sim, pode até ser amor mas o amor incondicional é desapego e desapego é amor incondicional é querer a felicidade e o bem estar do outro e de si mesmo. Mas para amarmos o outro temos também que nos amar e nos respeitar. Será que não é um apego tão forte, tão enraizado, que não permitimos que o outro seja feliz e num grande auto boicote, optamos em sermos infelizes para não nos desapegarmos do outro e não permitirmos que o outro se desapegue de nós.

Desapego nos liberta. Apego nos aprisiona.

Exercitemos o desapego das coisas materiais, das ilusões emocionais, dos rancores, das mágoas, de tudo aquilo que nos aprisiona.

Libertemo-nos! Sejamos livres no Desapego!

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Fabiolla Fonseca
Psicóloga, nascida em Itacoatiara, casada e mãe de duas filhas. Especialista em Psicologia Jurídica.

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