Há 40 anos desenvolvendo tecnologia das mais avançadas do mundo, a Embrapa vem ampliando seu universo operacional. Hoje se encontra fortemente voltada  a contornar mudanças climáticas, controlar as pragas que ainda assolam as lavouras e atender a necessidade de gerar alimentos com maior densidade nutricional e com novas funcionalidades. Pode, portanto, dedicar parte de seu tempo e estender ao estado do Amazonas sua rede de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia e assim criar bases sustentáveis para o crescimento de nosso setor primário que continua em ritmo muito lento. Plantar milho, feijão, arroz, criar peixe, frango e gado são metas das mais nobres para governantes. O problema, aqui, é onde e como produzir. Enquanto os demais estados avançam, o Centro-Oeste se consolida como grande produtor de grãos, o Nordeste brasileiro assume a condição de forte exportador de frutas produzidas no semiárido, no Amazonas não sabemos nem como aproveitar produtivamente nossas várzeas, o que o Egito faz há mais de quatro mil anos.

O setor primário assume importância transcendental no exato momento em que a Zona Franca de Manaus ganha mais 50 anos a partir de 2023. Nessa próxima etapa operacional o governo terá de descortinar setores complementares ao Polo Industrial de Manaus (PIM), cujos efeitos se vascularizem rumo ao  interior, e assim cumpra as funções primárias atribuídas pelo DL 288/67. As possibilidades são amplas desde que se desenvolvam tecnologias adequadas à região, o que poderá impulsionar nossa agropecuária a tentar se aproximar o máximo possível do esforço brasileiro em relação ao combate à fome no mundo. Segundo a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, em condições favoráveis de aumento de produção e produtividade, o Brasil deverá cumprir a meta definida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), de aumentar sua produção de alimentos em 40% até 2050.

A agropecuária nacional experimenta ritmo extraordinário de crescimento graças ao desenvolvimento de novas tecnologias. Dados da CNA indicam que nos últimos 36 anos, a produção de grãos e fibras cresceu 296% (de 46,9 milhões para 187 milhões de toneladas, enquanto a produtividade expandiu 178% no mesmo período (de 1.258 kg/hectare para 3.507 kg/hectare). A área plantada, por sua vez, só aumentou 42% (de 37,3 milhões para 53,3 milhões). Toda a produção brasileira de alimentos, cumpre salientar, utiliza apenas 27,7% do território nacional, preservando 61% do país com florestas e outros tipos de vegetação nativa.

O crescimento do setor agropecuário brasileiro possibilitou, paralelamente, ganhos significativos especialmente para a população mais pobre. Segundo a CNA, há 40 anos as famílias gastavam 48% do orçamento com alimentação, em uma época em que o Brasil era tradicional importador de produtos alimentares. Hoje, estes gastos caíram para algo em torno de 14% a 20% do salário, graças ao aumento de produtividade que possibilitou acesso à comida barata e de boa qualidade. “Com isso, sobrou renda para educar os filhos até a universidade, comprar eletrodomésticos, etc”, observa estudos da Confederação.

Falando no Global Agribusiness, Forum 2014, em São Paulo, a senadora Kátia Abreu destacou a importância da agropecuária para a economia do país, lembrando que “o setor é o responsável por 40% das exportações, 37% dos empregos do país, quase 25% do PIB, além de sustentar o superávit da balança comercial brasileira por muitos anos”. A senadora foi uma das palestrantes do painel “Gerando Valor na Produção Agrícola”, ao lado do representante FAO no Brasil, Alan Jorge Bojanic, do subsecretário do Departamento de Agricultura das Filipinas, Dante Solano Delima, e do presidente empresa indiana de irrigação Jair Irrigations Systems, Dilip N. Kulkarni.

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Osíris Silva
O economista Osíris M. Araújo da Silva é consultor de empresas, ex-secretário Municipal de Economia e Finanças da PMM, ex-secretário da Indústria, Comércio e Turismo e ex-secretário da Fazenda do Amazonas. É presidente da AMAZONCITRUS – Associação Amazonense de Citricultores, membro do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA), do INPA, e articulista econômico de A Crítica.

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