Há cem anos, anestesiados pelo fausto e inibidos pela inépcia da gestão pública, vimos ruir a economia do extrativismo – o Ciclo da Borracha – que respondia por quase a metade do PIB do Brasil. A borracha, quando agregou valor da inovação tecnológica com a cultura extensiva, melhoramento genético e infraestrutura de produção, agregou 60% de valor à economia britânica por mais de duas décadas. O conformismo do fausto, muito semelhante à fatura de R$ 85 bilhões/ano do Polo Industrial  de Manaus, um deslumbramento que se embasbaca e explica a protelação cristalizada de iniciativas nos impuseram a tragédia de perder o bonde, o barco e a carreta da História. E ela só se repete como farsa, como diziam os materialistas. Não temos, pois, mais o direito de deitar no barranco da expectativa ou na rede da preguiça coletiva e esperar por não sei quem para chegar a nenhum lugar.

E as tarefas nós já sabemos de cor, entre elas, a maior é a qualificação das novas gerações, com a aplicação transparentes dos recursos destinados a este fim. Não basta financiar a Universidade sem debater com seus dirigentes a relação da academia com a péssima qualidade de ensino dos jovens que ingressam nas fábricas e com a ausência de qualificação para tarefas especificas na gestão e na inovação. E romper com o marasmo é sistematizar os indicadores desses embaraços, apontar com precisão os gargalos de competitividade e a viabilidade das mudanças, as condições de seu enfrentamento na perspectiva de diversificar, regionalizar, integrar esse patamar econômico e industrial, robusto e ao mesmo tempo fragilizado, da ZFM, à política industrial nacional, seu aspecto ambiental, cultural e de ciência, tecnologia e inovação.

Essas premissas formam um programa a ser detalhado numa Agenda para debater com todos aqueles que, comprovadamente, topam conhecer, para entender e mudar para melhor representar e assumir como meta de conduta as aspirações, conquistas e percalços à nossa frente. Além da agenda, que cumpriria o papel imediato da discussão de compromissos com os candidatos, é preciso que a economia saiba interagir com a academia para gerar conhecimento, análises, compreensão e proposição de cenários. Com a mobilização de especialistas podemos assegurar e resguardar informação de desempenho/história/distorções e pretensões da economia local e regional. Tivemos, há mais de duas décadas, o projeto ISAE/FGV, Instituto Superior de Administração e Economia, com a Fundação Getúlio Vargas, responsável por um momento fecundo de qualificação, pesquisa e proposições. A iniciativa, que se esvaziou, buscou recuperar os serviços de sistematização de informações robustas do Amazonas e região, que foram executados pelo CODEAMA, Comissão do Desenvolvimento Econômico do Estado do Amazonas, até o início dos anos 90. Hoje, à exceção de ações pontuais de Planejamento, Fazenda e Suframa, que padecem da desarticulação e sintonia, o Amazonas não produz cenários, e padece de uma base de dados robusta, histórica e interinstitucional. Daí a insistência de resgatar o espírito que norteou as inciativas mencionadas e assegurar, através de uma instituição público/privada, as condições objetivas para descrever, organizar e planejar os rumos do adensamento, diversificação, interiorização e integração do modelo à economia nacional. Recursos para tanto têm letras orçamentarias asseguradas e taxas públicas para este fim. É sentar para conversar e materializar a proposição.

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Alfredo Lopes
*Escritor amazonense, com 11 títulos sobre a Amazônia, e mais de 2 mil ensaios. Formado em Filosofia com pós-graduação em Administração e Psicologia da Educação. Consultor eventual do BID, Grupo Simões, do CIEAM e diretor da FIEAM.

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