Um remanso de panema

poesia nada pequena.

 

Entre rios, encachoeirado,

desce entre um delta intrincado,

desce vazio de peixes,

desce deserto de pássaros,

é rouxinol de sonora

glória maior que a dos homens,

Rio Negro mar de estrelas

quando a noite vem sem lua

e corre igara serena,

um  remanso de panema

poesia nada pequena.

 

Já outro é de festa intensa

e de compleição imensa,

rico de peixes e povo

de pássaros sempre novo,

a cada dia que passe,

a cada dia que vença,

Solimões rio que desce

sob o sol duro, dourado,

ao som de uma brisa amena,

um remanso de panema

poesia nada pequena.

 

Depois os dois se debruçam

amplos sobre um palco aberto,

celebram o eterno anelo

das águas negras, das aguas

e das águas amarelas,

misturam-se após o dialogo

amazônico, Amazonas,

mar dulce em delta de amargo

sobre o mar, canção suprema,

um remanso de panema

poesia nada pequena.

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Elson Farias
*Poeta e ensaísta. Ex-presidente da União Brasileira de Escritores do Amazonas e da Academia Amazonense de Letras. Nascido em Itacoatiara é uma das glórias dessa cidade.

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