Finalizei a Parte III desta série, publicada quarta-feira da semana passada  afirmando que UFAM e UEA têm imensa responsabilidade sobre a reversão do baixo nível do ensino profissionalizante no Amazonas, que não a assumem na escala desejável.  Não por culpa direta dessas instituições. Mas, graças a um sistema educacional que o Brasil mantém distorcido e distanciado em relação às assimetrias das regiões brasileiras. Com efeito, segundo Aristóteles a verdadeira igualdade consiste em tratar-se igualmente os iguais e desigualmente os desiguais à medida que se desigualem. Refere-se ao princípio da igualdade ou da isonomia, utilizado em Atenas na Grécia antiga, cerca de 508 a.C. por Clístenes, o pai da democracia ateniense.  Ou, em sua concepção mais próxima do modelo atual, na Inglaterra de 1215 d.C., quando o Rei João Sem-Terra assina a Carta Magna, até hoje vigente, considerado o início da monarquia constitucional inglesa.

O livro “A Ideia mais Poderosa do Mundo”, do escritor William Rosen analisa os fundamentos de como o empuxo da Revolução Industrial, que se processou na segunda metade do século XVIII, na Inglaterra, mudou o curso da história em face dos avanços tecnológicos desencadeados. O processo, afirma em sua obra, decorreu justamente do surgimento de uma elite de técnicos capaz de ler e escrever manuais. Resulta daí a convicção universal de que a formação de mão de obra de nível técnico foi e continua sendo um dos pilares dos países de economia avançada, desenvolvidos social, econômica e tecnologicamente. Na reportagem “Técnicos com Muito Orgulho”, as jornalistas da revista Veja Cecília Ritto e Cintia Thomaz observam:  para a multidão de estudantes que, posta diante do futuro, se divide entre largar a escola (fato concreto!) e fazer um curso universitário ruim, a terceira e pouco trilhada via do ensino técnico começa a se valorizar.

Setores vitais, potencialmente importantes para o crescimento do PIB, como petroquímica, gás e petróleo, bioenergia, mineração, metal-mecânica, biotecnologia, eletromecânica, TI, tecnologia de madeira e pesca, engenharia de alimentos, dentre outros, precisam ser priorizados. Estudos da Fundação Getúlio Vargas dão conta de que diplomas de tecnólogos obtidos em escolas de boa qualidade apresentam muito mais liquidez do que os alcançados em universidades de quinta categoria. Não constitui nenhuma novidade  que a sanha em ampliar o número de vagas no ensino superior no Brasil nestes últimos 10 anos gerou verdadeiras aberrações em termos de cursos sem qualquer qualidade técnica.

No caso específico da UFAM e UEA suas grades curriculares não se ajustam adequadamente às demandas do parque industrial da ZFM nem da economia interiorana. Daí a busca recorrente de técnicos especializados fora de Manaus, no Sudeste e no exterior. Quanto à UEA, segundo o novo reitor Cleinaldo Costa, a missão é árdua. A insitutição terá que investir pesado no aprimoramento de seus professores para o desenvolvimento das áreas especializadas. No interior faz-se necessário adequar cursos às peculiaridades das microrregiões. São mantidos cursos sem muita finalidade em Lábrea, ou em Tabatinga, ou em Barreirinha, enquanto as vocações naturais dos municípios aguardam melhor sorte. O mesmo raciocínio se aplica à UFAM.

Mudanças desse porte não dependem do MEC, em Brasília,  mas de atitudes e decisões políticas locais. Para tanto se torna indispensável, mediante projetos técnico e de viabilidade econômica captar recursos disponíveis em fundos específicos no país e no exterior. Por exemplo, junto à  Lei de Informática, que permite,  nos termos do decreto 6008/06,  a empresas de todo o país, produtoras de bens de informática e automação, pleitear isenção ou redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), desde que invistam, anualmente, pelo menos 5% do seu faturamento em atividades de P&D nesta área.

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Osíris Silva
O economista Osíris M. Araújo da Silva é consultor de empresas, ex-secretário Municipal de Economia e Finanças da PMM, ex-secretário da Indústria, Comércio e Turismo e ex-secretário da Fazenda do Amazonas. É presidente da AMAZONCITRUS – Associação Amazonense de Citricultores, membro do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA), do INPA, e articulista econômico de A Crítica.

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