É assustadoramente atual o apelo dramático pela unidade regional e nacional do empresário Mário Guerreiro, ao criar o CIEAM, Centro da Indústria Do Estado do Amazonas, uma entidade diferenciada para defender não apenas a indústria, mas principalmente o interesse do Amazonas. Isto fica clara no pronunciamento de 10 de agosto de 1979, um documento encontrado pela família nos seus esboços, onde ele deixa claro o projeto traçado com seus pares. “O Centro da Indústria vem complementar o quadro de representação de nossa sociedade, sempre em mutação, e por isso exigente dos melhores esforços de trabalho, de inteligência, em benefício da causa comum de todos: a grandeza do Amazonas, o bem-estar do seu povo e integridade da Pátria”. Eis o fundamento histórico desta luta, fruto do espírito visionário que marca suas origens – inspirada pelo pioneirismo empreendedor do fundador – que descreve a atuação desta entidade até hoje, seu compromisso com os associados e, principalmente, com os destinos do Amazonas. A rigor, aqui se trata de um posicionamento absolutamente sintonizado com a Carta Magna em cujas Disposições Transitórias estamos o inseridos, a saber, a conexão dos 8,5% de contrapartida fiscal e o consequente desafio de redução das desigualdades regionais. Agregue-se a isso, a proteção florestal que define o paradigma socioambiental deste programa de desenvolvimento.

A jornada cívica: – Conhecedor do espírito atávico de nossos ancestrais, suas dificuldades de associativismo, onde, em nome da própria sobrevivência, é comum o surgimento do egocentrismo institucionalizado em detrimento da ação compartilhada e solidária, Mario Guerreiro explicitou o pressuposto básico da estrutura e funcionamento do CIEAM: “… é o princípio da União no sentido mais lato dessa expressão, é a Unidade de seus associados na defesa, preservação, desenvolvimento, fortalecimento e consolidação da indústria em geral e da Zona Franca de Manaus, especialmente a União com as entidades co-irmãs, a Federação da Indústrias, a Associação Comercial, a Federação do Comércio e da Agricultura, o Clube dos Dirigentes Lojistas, a Associação dos Exportadores; União com o Governo do Estado a ele oferecendo nossas contribuições que possam ajudar na formulação do seus planos e políticas voltados para o desenvolvimento integrado da sociedade e, para com ela cooperar por todos os meios ao nosso alcance. União com as Autoridades Federais, fortalecendo nossa colaboração para o estudo e a solução dos problemas da Amazônia, que conhecemos em profundidade, e o que diz respeito ao nosso bem estar e segurança aos quais não podemos estar alheio, para que ao Amazonas seja permitido contribuir positivamente com honradez, independência e ativamente para a grandeza nacional que e com o dever e coletivo.”

É hora da aglutinação – “Aceitei essa incumbência com a visão histórica que adquirimos em 40 anos de luta. Recebi este encargo com o sentimento íntimo da excepcionalidade do momento que atravessamos, no contexto dos problemas nacionais, e como testemunha ocular deste período, atrevo-me a dizer que é hora de aglutinação de todos os que vivemos no Amazonas, é hora de União de todos quantos têm responsabilidades pelo futuro do Estado, pelo seu desenvolvimento econômico social e político, da União, enfim, de quantos temos responsabilidade pela integração da Amazônia ao Brasil, pelo resguardo de nossa integridade territorial”.

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Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo e ensaísta. Consultor do Centro da Indústria do Estado do Amazonas - CIEAM.

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