Grupo Rede Amazônica a caminho dos 50 anos!

Todas as pessoas que se voltam para resgatar a memória, as conquistas, alegrias e dificuldades de um passado, sempre haverão de se deparar com verdades históricas, especialmente com pessoas que marcaram suas passagens por determinada região, com o seu trabalho e suas conquistas. Pessoas que, na sua trajetória, souberam construir e desenhar suas caminhadas, colorindo os jardins que plantaram ou ajudaram a plantar.

Os grandes arquivos da humanidade continuam sendo os depoimentos de pessoas que vivenciaram os fatos de uma época.

Os manuscritos traduzem e transmitem muitos informes e acabam deixando transparecer, através do brilho das informações, o que é sensivelmente possível perceber no material coletado.

Os documentos iconográficos, que permanecem estáticos no tempo, acabam nos dando uma ideia quando pesquisado de profunda amostragem de um tempo vivenciado, sendo tão raro e emotivo que surge nos relatos das pessoas que falam sobre aquele momento.

A vida renasce quando buscamos e ouvimos as narrativas destes episódios, tendendo a desaparecer quando apenas identificamos e não os registramos para a posteridade.

Jornalista Ulisses Paes de Azevedo Filho.

Foi assim que tudo começou, dando a partir daí a produção de som e imagem para toda a capital da primeira emissora de televisão do hoje Estado de Rondônia.

Na época, a emissora recebia os malotes, com fitas gravadas dos programas que seriam exibidos. Vale ressaltar que tais programas eram exibidos com uma semana de atraso. Chegamos a ter cerca de três mil e quinhentas fitas circulando na Amazônia.

Um dos primeiros equipamentos adquiridos pela emissora foi um V.T. 2.610, que era utilizado para a produção dos programas que seriam transmitidos, equipamento este, totalmente mecânico, mas que atendia perfeitamente à necessidade da época.

A emissora entrava no ar a partir das 18 horas. De acordo com o crescimento do produto do Departamento Comercial, a emissora foi aumentando seu horário e consequentemente sua programação. Um dos momentos que marcou a TV Rondônia e a capital Porto Velho foi a novela, na época exibida por ela e produzida pela TV Educativa, Meu Pedacinho de Chão, que marcou de tal forma a população, acabando após o término da mesma, por criar o bairro Meu Pedacinho de Chão.

A TV Rondônia sempre esteve presente na historiografia do atual Estado de Rondônia. Nos momentos difíceis, a emissora foi fiel ao relato dos fatos jornalísticos.

De 1974 a 1981, passaram-se sete anos de lutas e conquistas maiores que seriam a transformação do Território de Rondônia em Estado de Rondônia. A emissora se fez presente e marcou a sua luta, contribuindo para esta conquista.

Com o Projeto de Lei Complemento, o então Território de Rondônia passou a ser denominado, em Janeiro de 1981. Estado de Rondônia.

Escrevia-se, assim, mais uma história do novo Estado da Federação. A emissora, depois de encampar para si esta luta, agora documentava o fato histórico, na euforia de um povo, que viu o sonho transformar-se em realidade.

As conquistas não foram só no campo social, a emissora mudou, a programação passou a ser gravada pela madrugada e levada ao ar nas primeiras horas do dia. Era uma mudança radical do horário, a população já tinha a oportunidade de assistir, com apenas uma hora de atraso, toda a programação nacional, com relação aos outros Estados, pois o sinal recebido era via satélite, passando a ter programação diversificada, com notícias nacionais e internacionais. Era outro momento importante: o Estado de Rondônia estava integrado ao restante do país e do mundo.

Como podemos observar, a TV Rondônia entrava na era da integração regional, com um sistema via satélite, cuja, programação era transmitida para quase todo o interior do Estado, programação compatível e absolutamente acessível ao telespectador: a emissora, a esta altura, necessitava de uma programação local, o que já havia, traduzindo qualidade de vídeo e, o mais importante a credibilidade.

Houve, então, a contratação de mais profissionais que, seriam os responsáveis por três programas locais: Bom Dia Rondônia, que ia ao ar de segunda a sexta-feira, a partir das seis e meia da manhã; Amazônia em Revista, variedades, agendas, notícias, esporte e entrevistas, diariamente às onze e meia da manhã Jornal de Rondônia, as notícias do dia, os principais fatos que são notícia na capital e no interior, de segunda a sábado, sempre às dezoito e quarenta e cinco.

Aluísio Daou, presidente do Conselho Consultivo.

Para ser um veículo de integração regional, a TV Rondônia precisou tornar-se por inteiro, complementação e integralizando a qualidade das melhores notícias, mostrando com fidelidade as mazelas de uma cidade em franco desenvolvimento.

Este momento não foi somente de uma conquista, foi um prêmio de muita luta e trabalho sério. Todos os dias, quatro equipes de jornalismo saem às ruas, cobrindo os fatos do dia a dia, tendo como meta levar ao telespectador, de forma simples e com fidelidade, os fatos ocorridos na região sempre com um compromisso maior, a verdade. Tudo isso levou a TV Rondônia a conquistar o Estado, abrindo um belo espaço na clareira da selva amazônica e, principalmente, gerando empregos.

A TV Rondônia é uma emissora moderna. Sua marca é estabelecida pela identidade de suas cores, possuía a época um estúdio de 18 m de comprimento por 8 m de largura e, 6 m de altura que, é utilizado para a apresentação dos telejornais e produção comercial. Possui um transmissor de 5.000 watts de potência, da marca Harris, transistorizado, sendo considerado a melhor tecnologia que existe em transmissão. Na Amazônia, só existem dois: um da TV Rondônia e o outro da TV Amazonas; uma torre de 65 m de altura, com sistema irradiante, atingindo uma área aproximada de 60 km, oferecendo ótima qualidade de som e imagem.

O sistema de microondas via Embratel leva o sinal para quase todo o interior do Estado. Guajará-Mirim é o único município que não é beneficiado pelo sistema.

Já Ariquemes recebe o sinal da TV Rondônia, que transmite para toda cidade, até uma área de aproximadamente 40 km. Utilizando o mesmo sistema, os outros municípios recebem o sinal a ponto, até cobrir toda a região. Vale ressaltar que a emissora mentém, no interior do Estado, profissionais competentes.

O setor de operações, que podemos chamar de coração da emissora, onde passa toda a programação, onde também são produzidas todas as vinhetas e comerciais. O teletexto recebe todos os dados da programação que está em exibição, os que serão exibidos durante todo o dia a até a programação de uma semana inteira.

A TV Rondônia já havia sido inaugurada e todo este trabalho fora acompanhado desde os primórdios da Rádio TV do Amazonas, por um dos grandes colaboradores, o jornalista Ulisses Paes de Azevedo Filho, cuja, execução foi profícua na implantação da Rede, na região amazônica.

João Dalmo, primeiro apresentador do jornal da Tv Rondônia – 1980.

Ulisses Paes de Azevedo Filho, durante muitos anos, fora o maestro que conduzira, com perfeição, a orquestra da expansão da Rádio TV do Amazonas, cujo trabalho fora marcado pela dedicação e profissionalismo. Porém, traído pelo destino, foi acometido de uma enfermidade que o obrigou a abandonar a tarefa, tendo retornado a Manaus, onde mais tarde viria a falecer.

Vale a pena registrar os depoimentos de pessoas que conviveram lado a lado com o jornalista Ulisses Paes de Azevedo Filho, na implantação e no crescimento da Rádio TV do Amazonas em nossa região:

Ulisses Paes de Azevedo Filho foi um dos grandes colaboradores da Rede Amazônica de Televisão e acho que todos os Estados da Amazônia devem muito para esse homem, que ajudou a implantação da Rádio TV do Amazonas, primeiro na TV Amazonas em Manaus e em seguida, junto comigo, a TV Rondônia – Canal 4, em Porto Velho, que logo depois, começamos a implantar toda a Rede no interior do Estado, no Governo do Coronel Jorge Teixeira de Oliveira e do Coronel, Humberto Guedes.

Mais tarde, implantou, também, Rio Branco, Roraima e Macapá.

Ele tinha o ideal de mostrar a Amazônia para todo o Brasil. Era o sonho dele! Foi um homem que trabalhou demais, especialmente e principalmente em Rondônia; infelizmente morreu, sem ter concluído o sonho dele, que era a implantação do jornalismo impresso.

A vontade dele era fazer o jornalismo, mas um jornal impresso, isso foi a única coisa que, infelizmente, não concluiu.

Ele deixou nomes aqui e, muitos amigos e naturalmente, muitos serviços prestados, principalmente ao Estado de Rondônia.

Murilo Aguiar

Ex-administrador da TV Rondônia

É com imenso prazer que falo do jornalista Ulisses Paes de Azevedo Filho. Um companheiro que tive a felicidade de conviver por mais de doze anos, na Rádio TV do Amazonas.

Da implantação de Porto Velho a Cabixi, todos os quadrantes do Estado de Rondônia foram percorridos por este homem, predestinado à realização de um sonho maior, que vinha da Direção da Rede Amazônica, a implantação da Rede no nosso Estado, E com ele aprendemos o amar mais ainda os meios de comunicação, com uma dedicação mais extremada e, acima de tudo, o respeito e a honestidade que, era o ponto marcante e principal na vida deste jornalista.

 

Osmar Vilhena

Ex-administrador da TV Rondônia

Marindia Mours, apresentadora da Tv Rondônia.

Eu tive o privilégio de conviver com o jornalista Ulisses Paes de Azevedo Filho durante muito tempo. Nós não nos limitávamos aos encontros profissionais! Havia os encontros de amizade, encontros de amigos, eu tive a oportunidade de conversar horas, em vários dias, em vários meses. Eu aproveitava essas oportunidades para captar dele a grande massa de conhecimentos históricos que ele tinha da Amazônia e do Amazonas. Ele era uma espécie de enciclopédia viva, onde estava escrita a história contemporânea da Amazônia.

Ao lado disso, Ulisses era um grande profissional. Como jornalista deu exemplos magníficos, ensinou muita gente. Grande parte dos conhecimentos que eu adquiri, na área de jornalismo, foi por ele transferido a mim, em termos de telejornalismo.

Nós convivemos na implantação da Rádio TV do Amazonas, em Rondônia, tive a honra de sucedê-lo na Gerência da TV Rondônia, por quase quatro anos, mantivemos viva a filosofia do trabalho dele, da transparência, da austeridade e, da competência.

Eudes Lustosa

Ex-administrador da TV Rondônia

Ulisses Paes de Azevedo Filho era o retrato e o arquivo vivo da Rede Amazônica. Daí, ele ser uma pessoa sempre lembrada, todos os dias em nossa casa.

Ulisses era um guerreiro de todos as horas e de todos os momentos, era um guerreiro, sempre preparado para realizar qualquer missão, para qual fosse ele incumbido.

Amizades todas, em todos os lugares em que Ulisses é lembrado, há sempre uma história que se conta, a respeito da conduta que era fraterna e amiga.

Nós também, por isso mesmo, sentimos muita saudade, porque perdemos um companheiro que não nos criava problema de espécie alguma, pelo contrário, trazia sempre soluções para os problemas, os mais graves que eles fossem.

Phelippe Daou

Presidente da Rede Amazônica

Relembro com muita saudade o nosso companheiro Ulisses Paes de Azevedo Filho, que nesta empresa, na Rede Amazônica, exerceu a função de relevo, como diretor da TV Rondônia e depois da TV Roraima, finalmente em Manaus, como coordenador de Rede.

Foi um companheiro direto, dinâmico, um jornalista vibrante, com uma área de atuação muito grande. No jornalista de Manaus, antes de trabalhar conosco, marcou uma época, dono de uma memória privilegiada, que conhecia toda história de Manaus e, que encontrava qualquer pessoa no contato diário e direto.

Lamentamos a perda desse companheiro que contribuiu com os melhores esforços para o crescimento da nossa empresa.

Eu, ao relembrar o companheiro Ulisses Paes de Azevedo Filho, desejo prestar uma homenagem a todos os jornalistas da região amazônica.

Milton Cordeiro

Diretor da Rede Amazônica

O senhor Ulisses Paes de Azevedo Filho faleceu no dia 4 de novembro de 1987, deixando significativo acervo de trabalho e dedicação à causa do jornalismo na Amazônia, especialmente à Rádio TV do Amazonas.

Esses depoimentos foram colhidos em Rondônia, durante a realização da entrega do Troféu Candiru, criado pelo Sebrae, que, na época mudou o nome para Jornalista Ulisses Paes de Azevedo Filho – Sebrae/Rondônia.

A partir dessa reflexão e consequentemente do seu falecimento, a diretoria da Rede Amazônica de Rádio e Televisão passou a pensar na possibilidade de um novo homem para dar continuidade àquele importante trabalho em Rondônia.

A Rádio TV do Amazonas em Manaus caminhava a passos largos. Éramos já, na época, o sonho de sermos em um futuro próximo, uma grande Rede, a nossa presença, em nível nacional, já estava assegurada, alicerçada em um trabalho empreendedor e profícuo.

Marcelo Bennesby, apresentador da Tv Rondônia.

A esta altura, um homem fora incumbido de dar continuidade na manutenção, reconstrução e crescimento da Rede Amazônica em Rondônia, trata-se do Dr. Aluísio Daou. Membro da família, societário da empresa e consciente da responsabilidade que lhe coubera, acreditou que esse seria om espaço a ser contemplado.

O Brasil pujante acabara de descobrir a Amazônia, com sua economia saudável e produtiva. Rondônia passou a exercer uma atração irresistível, com um campo aberto a uma televisão comercial, constituída de alto padrão.

Quando o Governo Federal abriu a licitação para a região, todos foram à luta, pois entenderam que era chegada a hora de demarcar o mapa com a nossa marca no contexto da comunicação nacional.

A partir desta concessão, deu-se início a um trabalho com muito amor, em um pequeno e saudoso gabinete da TV Rondônia. Ali nasceram projetos, que saíram do sonho para a realidade.

O prédio já estava bem adiantado e os equipamentos funcionando em fase experimental.

Dr. Aluísio Daou abraçou a obra iniciada pelo jornalista Ulisses Paes de Azevedo Filho e encarnou a luta e os anseios da diretoria, com otimismo e dedicação. Passou a corrigir as anomalias, que o tempo se encarregou de impregnar.

Durante essa longa trajetória, correram dias de muito trabalho. Nunca fora tão difícil administrar obras naquela região.

A linguagem usada com os profissionais era comum, precisamos continuar a expandir a Rede para valorizar a região, crescendo com a região, estaremos construindo uma Amazônia forte e pujante.

Podemos ressaltar o êxito das nossas conquistas a alguns fatores básicos: a expansão e o progresso que a região ofereceu, a competência e a dedicação dos profissionais da região e, principalmente, à vontade de levar a Amazônia para o Brasil.

Estamos em todo o Estado de Rondônia: Porto Velho TV Rondônia, TV Ariquemes, TV Ouro Preto D’Oeste, TV Jaru, TV Ji-Paraná, TV Presidente Médici, TV Cacoal, TV Rolim de Moura, TV Pimenta Bueno, TV Espigão do Oeste, TV Santa Luzia, TV Vilhena, TV Colorado, TV Cerejeira e TV Guajará-Mirim.

Toda esta expansão, todo este desafio é o resultado e a força da proposta, aliados ao trabalho do Dr. Aluísio Daou, estruturado na vontade e no comprometimento da diretoria com a Amazônia.

Para isso, houve a necessidade de novos investimentos na busca da qualidade da nossa prestação de serviços e, principalmente, a determinação do Dr. Phelippe Daou em desbravar a região.

Rondônia esteve sempre junto à nossa vontade de servir. A comunidade escreveu a sua história, vivenciada em emoções do seu dia a dia, o que contribuiu para fortalecimento do Estado de Rondônia.

Nonato Neves. apresentador da Tv Rondônia.

O vigoroso crescimento das áreas que alcançam o nosso sinal tem possibilitado a realização dos objetivos da Rádio TV do Amazonas, o que acentuaria, aliado ao desenvolvimento de toda aquela região, nos aspectos econômicos, social e cultural do Estado.

Segundo informações enviadas pelo Diretor Executivo da TV Rondônia Hélio Kimelblat, a Rede Amazônica Rondônia está presente em 35 municípios, sendo seis destes afiliadas e 29 restantes são retransmissoras. O projeto da emissora para ano que vem é de atender os 17 municípios restantes, fechando assim, os 52 municípios do Estado de Rondônia.

São os seguintes municípios atendidos:

Alta Floresta do Oeste, Alto Paraíso, Alvorada do Oeste, Ariquemes, Buritis, Cacoal, Campo Novo de Rondônia, Cerejeiras, Colorado do Oeste, Costa Marques, Cujubim, Espigão do Oeste, Guajará-Mirim, Jarú, Ji-Paraná, Machadinho D’Oeste, Mirante da Serra, Monte Negro, Nova Brasilândia D’Oeste, Nova União, Ouro Preto do Oeste, Pimenta Bueno, Presidente Médici, Porto Velho, Rolim de Moura, São Miguel do Guaporé, Santa Luzia do Oeste, Seringueira, Tarilândia, Teixeirópolis, Theobroma, Vale do Anari, Vale do Paraíso e Vilhena. 

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Abrahim Baze
*Amazonense de Manaus. Graduado em História pelo Centro Universitário do Norte e pós-graduado em Ensino à Distância pelo Centro Universitário UNISEB-COC, de Ribeirão Preto/SP. Recebeu o título de Notório Saber em História, pelo CIESA, de Manaus/AM. Fundador e organizador dos museus da Sociedade Beneficente Portuguesa do Amazonas, Luso Sporting Clube, Rede Amazônica, Memorial e Biblioteca Senador Bernardo Cabral, Centro Cultural Luso Brasileiro do Amazonas, Centro Universitário Luterano de Manaus, Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos e do Atlético Rio Negro Clube. Diretor do Instituto Cultural da Fundação Rede Amazônica e apresentador dos Programas de TV: Literatura em Foco e Documentos da Amazônia. Autor de mais de 65 títulos sobra História da Amazônia. Membro da Academia Amazonense de Letras, Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, Academia de História do Amazonas, Academia de Medicina do Amazonas, Academia Maçônica de Letras do Amazonas, Associação Nacional de Escritores (Brasília), Associação dos Escritores do Amazonas e Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas.

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