Grupo Rede Amazônica a caminho de seus 50 anos.

Em 13 de setembro de 1943, de acordo com o Decreto Lei nº 56.812, foi criado um território em terras desmembradas do Mato Grosso e do Amazonas, que na época recebeu o nome de território Federal do Guaporé.

Em homenagem ao valente sertanista Marechal Cândido Rondon, o Território recém-criado passou a chamar-se Rondônia. Este fato ocorreu em 1956.

Dezoito anos depois, por coincidência ou obra do destino exatamente no dia 13 de setembro de 1974, era implantada a primeira emissora de televisão em Rondônia.

O fruto do labor dos fundadores, começa a realizar o sonho de um povo que praticamente vivia isolado das notícias e informações em primeira mão do restante do país. Alimentados pelo desejo de servir e pelo prazer criativo de dá vida coletiva para uma comunidade, não importava como chegaríamos lá, fosse em preto e branco ou em cores, era necessário registrar os momentos jornalísticos do país e do mundo, as tênues lembranças e memórias daquela cidade e do seu povo, que tinha como cenário a incrível vontade de fazer.

TV Rondônia em construção/ Acervo: Abrahim Baze

Podemos comparar estes homens empreendedores da Rede Amazônica, hoje Grupo Rede Amazônica, sem citar nomes para não cometermos o pecado do esquecimento, cuja, comparação fazemos ao mais notável dos bandeirantes, que em outras épocas, teriam desbravado aquelas áreas do atual Estado de Rondônia. Este homem foi Antônio Raposo Tavares, que se tornou famoso por suas investidas contra as reduções espanholas, convicto de está lutando para preservar as terras de Portugal contra Castela.

Para que esse cenário fosse sendo lenta e solidamente construído, incontáveis lutas e batalhas foram travadas, inúmeras e ricas vozes clamavam pela força de um povo que nascera no isolamento e queria libertar-se dele.

Viagens a Porto Velho e a Brasília, documentos preparados, tudo isso delicadamente guardado na memória do desbravador do Guaporé, Jornalista Phelippe Daou. Hoje, quando procuro através da pesquisa esta memória, no afã reconstruir o passado e informar para o futuro, buscando no anonimato do fundo do baú da nossa história, papéis amarelados pelo tempo que adormeceram, silenciosamente nos arquivos da Rádio TV do Amazonas, vejo como for difícil esta conquista.

A matéria de que se alimenta esta memória lembra principalmente, a luta desigual, as portas que se fecharam e, naturalmente, outras tantas que se abriram, as conversas em gabinetes como fios que se entrelaçaram e encadeados em cores e sonhos, muitas vezes difíceis de serem atingidos, mas certamente encantadores, pois hoje são reais.

A linha divisória das realidades e das idealidades é sempre diluída pelo sonho de fazer realizar, sem se importar com os sofrimentos em nome de uma boa causa.

Porto Velho – Rondônia era a meta. A Amazônia era o alvo de conquista. A crise econômica, o obstáculo. A grande maioria da população, entretanto, parecia respirar sonhos com a nova realidade.

Primeiras instalações de Tv Rondônia/ Acervo: Abrahim Baze

A Amazônia foi revelada pelo olhar dos viajantes missionários, naturalistas e mostrada para o país a partir da chegada da Rádio TV do Amazonas. Esta chegada criou o fascínio da nossa tela, o que também se enredou nas teias sedutoras das novelas e minisséries, embora não tenha mudado o curso das águas do velho Madeira, criou um novo olhar de outro horizonte, além da preservação assumida, de forma muito própria, não permitindo a descaracterização da nossa região, motivo de preocupação, até hoje, por parte de toda a diretoria da Rádio TV do Amazonas.

Pensar o regional foi o glebarismo tornar-se um desafio constante no decifrar da região. Este fato nos permitiu a conquista da realidade. Tudo isso buscado através da motivação que marca a longa a brilhante existência das nossas cores em toda a região amazônica.

A partir daí, deu-se o início de uma nova era. O então território de Rondônia contava com um aliado, a Rádio TV do Amazonas e, um aliado forte que, juntos seguiram lado a lado com um único objetivo: trabalhar. Trabalhar pelo engrandecimento de Rondônia.

Para homenagear o território, a emissora receberia o nome de TV Rondônia. Uma justa homenagem para uma Rede de Televisão que estava apenas começando.

O Ministério das Comunicações, através do Departamento de Telecomunicações, de acordo com Edital nº 10/72, abre concorrência pública para na concessão de um Canal de Rádio e Televisão na cidade de Porto Velho, como segue o demonstrativo do Diário Oficial da União, do dia quatro de julho de mil novecentos e setenta e dois.

No tempo determinado, o diretor e jornalista Dr. Mílton de Magalhães Cordeiro faz a proposta ao Departamento Nacional de Telecomunicações, naturalmente enquadrando-se às exigências que se faziam necessárias, como mostra o documento original, devidamente assinado por ele.

Instalações mais modernas da TV Rondônia/Acervo:Abrahim Baze

Discurso proferido pelo diretor-presidente Dr. Phelippe Daou na inauguração da TV Rondônia em 13 de setembro de 1974 

Exmas. Autoridades civis, militares e eclesiásticas.

Minhas senhoras, meus senhores.

Engenheiro Deolindo Teixeira, diretor da Divisão de Fiscalização do Dentel.

Sr. governador João Carlos Marques Henriques.

Permitam-nos cumprimentar e abraçar, antes de mais nada, o valoroso povo de Rondônia suas autoridades, todos os que vivem e aqui labutaram, locais ou de fora, pelo transcurso da data magna deste abençoado torrão pátrio. E para formular votos, para que a próxima celebração seja para assinalar a elevação de Rondônia a Estado, dentro do patriótico programa do Governo Revolucionário de ocupar e desenvolver a Amazônia que o Presidente Ernesto Geisel vem ampliando, corajosa e arrojadamente, para efetivar a construção deste outro Brasil.

Estamos aqui para participar de todos os momentos dos rondonienses, viver as suas alegrias, as suas tristezas, pelejar os mesmos objetivos, porque somos todos amazônidas e temos identidade de propósitos e sentimentos.

Não viemos tomar o lugar de ninguém. Irmãos em Cristo e pelo mesmo ideal não se entredevoram. Somar esforços, energias e poder criativo, para vencer dificuldades e obstáculos.

Vimos prosseguir, então, no território, uma jornada que se iniciou com a vitória que obtivemos em concorrência pública para a exploração comercial deste Canal 4, que se desenvolveu com transmissão em cores dos jogos da Copa do Mundo, autorizada precariamente pelo Ministério das Comunicações. E para o atendimento do pedido da nossa empresa, cooperaram, decisivamente, os ministros Euclides QuandT de Oliveira e Maurício Rangel Reis, o governador Marques Henriques, a Direção da Globo, pelo seu diretor técnico, coronel Wilson Brito, emprestando um transmissor. Jornada que agora completa mais uma grandiosa etapa, com inauguração desta Estação, devidamente licenciada pelo Dentel, a qual, integrando a Rede Amazônica de Televisão, aspira a ser um instrumento de cultura e entretenimento, uma casa de prestação de serviços aos que defendem as boas causas, uma gratidão dos legítimos interesses e direitos desta terra e de sua comunidade.

Nascemos em 1972, como todos sabem, sob o signo do desafio amazônico. Era o Presidente Médici convocando a Nação para a luta da integração da nossa área ao todo nacional. Era o país inteiro despertado e conscientizado para a conquista definitiva da Amazônia para o Brasil.

Cumpria aos amazônidas, também, responderem presente a essa mobilização nacional. Aliás, a confiança nos destinos da Amazônia competia, como compete ainda, mas aos seus filhos e, consideramos amazônidas não só os nascidos nela, mas todos quantos nela vivem, trabalham e tenham fincado raízes, do que aos outros que não pertencem à nossa região.

Por isso, montamos a TV Amazonas inaugurando, juntamente com o Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, as cores da televisão brasileira.

E, desde então, passamos a pregar a formação da Rede Amazônica de Televisão, requerendo abertura de concorrências para canais de TV, em capitais da nossa área sob o fundamento do que precisávamos, como precisamos dela para o aceleramento do processo desenvolvimento, posto em prática pelo Governo Federal, desde 1964, na Amazônia.

Não foi fácil, a princípio, superar a descrença, a dúvida dos que ainda não se compenetraram da realidade amazônica.

Vencemos, no entanto, porque, ao derrotismo desses, se impôs vitoriosamente o Governo Federal, através, do Ministério das Comunicações, que, em nenhum momento, justiça se faça, deixou de apoiar a ideia de dotar a Amazônia toda desse poderoso instrumento de comunicação de massas, que é a televisão.

Nessa compreensão, tivemos e temos tido sempre o grande estímulo para continuar na batalha pela concretização da Rede Amazônica de Televisão, que hoje se fortalece com a TV Rondônia que surge com o aplauso e a solidariedade cativante dos homens desta terra; que, aproximadamente contará com o concurso e a TV Acre e, se Deus quiser, haverá de se completar com a TV Roraima e a TV Amapá, atestando que o Governo Geisel, como os seus antecessores, tem na ocupação do vazio amazônico uma de suas metas prioritárias.

Somos agradecidos a todas as manifestações de carinho, incentivo e encorajamento que temos recebido, para continuar a nossa marcha amazônica, pelo progresso brasileiro.

E toda vez que podemos, expressamos essa nossa gratidão, afirmando que desejamos a participação das populações amazônicas em nossas televisões. Elas estão aí e, estarão sempre, para valorizar o elemento local, para serem os porta-vozes das suas aspirações, o retrato do seu desenvolvimento em todos os níveis e setores.

Não costumamos fazer inovações miraculosas em televisão.

Somos partidários das coisas simples, mas eficientes. Da humildade, com dignidade. Procuramos adotar o que ensinam os mais capazes, dando especial tratamento e importância a informação. Sempre entendemos que, pelo seu caráter instantâneo e imediato, a televisão deve ser informativa, mais que tudo.

Hoje, os fatos acontecem com tal velocidade, que é necessário estar vigilante para que o seu registro seja sempre prioritário na programação diária. Ninguém pode deter o avanço da tecnologia moderna, com os satélites ligando o mundo, pela imagem e pelo som, na mesma hora, no mesmo momento.

A programação aqui, vai levar alguns dias, para ajustar-se ao que mais convêm aos anseios da terra e de sua gente.

Haverá, no entanto, unidade de ação e de princípios filosóficos. O desenvolvimento amazônico está em primeiro lugar. Porque entendemos que, da união de todos, dependerá a nossa vitória sobre e secular abandono a que esteve relegada a Amazônia.

Meus senhores,

Queiram dispor da TV Rondônia, pois ela lhes pertence.

Aqui estamos como amigos, queremos viver como irmãos e lutar juntos, sob a proteção de Deus, pela grandeza sempre maior desta terra promissora e pela felicidade de sua gente. 

Foto do centro histórico de Porto Velho com a Estrada de Ferro Madeira Mamoré e o Mercado Central Anisio Gorayeb Filho/Divulgação/ Reprodução: G1

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Abrahim Baze
*Amazonense de Manaus. Graduado em História pelo Centro Universitário do Norte e pós-graduado em Ensino à Distância pelo Centro Universitário UNISEB-COC, de Ribeirão Preto/SP. Recebeu o título de Notório Saber em História, pelo CIESA, de Manaus/AM. Fundador e organizador dos museus da Sociedade Beneficente Portuguesa do Amazonas, Luso Sporting Clube, Rede Amazônica, Memorial e Biblioteca Senador Bernardo Cabral, Centro Cultural Luso Brasileiro do Amazonas, Centro Universitário Luterano de Manaus, Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos e do Atlético Rio Negro Clube. Diretor do Instituto Cultural da Fundação Rede Amazônica e apresentador dos Programas de TV: Literatura em Foco e Documentos da Amazônia. Autor de mais de 65 títulos sobra História da Amazônia. Membro da Academia Amazonense de Letras, Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, Academia de História do Amazonas, Academia de Medicina do Amazonas, Academia Maçônica de Letras do Amazonas, Associação Nacional de Escritores (Brasília), Associação dos Escritores do Amazonas e Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas.

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