A compulsão diante de um computador à internet e seu uso prolongado e contínuo afastam pessoas do mundo real, atrapalham o rendimento escolar, profissional e social. Causam danos físicos e psicológicos. Podem até matar. Recebemos um e-mail da Helena, 32 anos – nome fictício, que nos relata o seguinte: “acabei com a minha vida. Perdi meu marido, minha casa é uma bagunça, fui mau na faculdade e tudo por causa da internet. Fico violenta e irritada, parei de fazer comida, não vou ao banheiro, nem água bebo. Preciso de ajuda. Sinto tontura, tenho vômitos e tremedeiras.”

O brasileiro vem se tornando líder no mundo em conexão, e essa situação vem se tornando insustentável diante dos inúmeros malefícios ocasionados por essa dependência. Vimos pessoas perdendo o hábito de ler, de dialogar de trocar idéias construtivas ou até mesmo deixando de externar qualquer sentimento para consigo mesmo ou para os que fazem parte de seu convívio. E o pior, elas nem estão se dando conta, que, caso essa grande rede quebre, levará muita gente a autodestruição. De ferramenta libertadora a internet virou um grande problema para infelizmente a maioria das pessoas.

A modernidade está cobrando um alto preço pelas possibilidades e condições que oferece. Cada vez mais aparecem patologias ligadas ao uso desequilibrado de computadores. Os meios de comunicação não param de noticiar pesquisas insólitas a este respeito.

A questão mais preocupante é com relação ao vício que muitas pessoas desenvolvem. Jovens ficam horas a fio na frente do computador, e compulsoriamente checam seus e-mails, entram em diversos sites de bate-papos, colocando-se a um enorme risco diante de situações duvidosas e pior escamoteiam a verdade dos fatos para seus responsáveis com uma sutileza fenomenal e os mesmos sequer fazem idéia do que realmente está acontecendo. Empresas utilizam softwares na tentativa de evitar que seus funcionários fiquem conectados ao invés de trabalhar e por aí vai.

E como a mente se alimenta de excitação, vimos que cada vez mais as pessoas não conseguem se desplugar de seus monitores. Pesquisas feitas pela Universidade de Chicago nos E.U.A, mostram que é mais difícil pessoas se desligarem das redes sociais do que largar o cigarro ou álcool, tidos como altamente viciantes.

Se ultimamente o notebook foi o seu companheiro mais fiel, é válido analisar se vale realmente a pena passar tanto tempo conectado? Faça uma autoavaliação. Você deixa de sair para ficar online? Ou ainda, que saia, deixa de aproveitar a companhia dos amigos para acessar as redes socias pelo celular? A internet também traz bem-estar, mas, quando isso prejudica outras áreas da vida, é sinal de que é preciso tomar cuidado.

O vício em internet tem quatro componentes principais: uso excessivo; freqüentemente associado à perda da noção do tempo ou negligência de impulsos básicos; sentimentos de irritação; tensão ou depressão caso o computador esteja inacessível; necessidade de computadores melhores; mais software ou mais horas de uso e reações negativas como: brigas, isolamento social e fadiga, ligados ao uso do computador.

Temos vivenciado uma série de indícios de cibernéticos ou ainda de crianças que se viciam cada vez mais em vídeos games, computadores e outros aparelhos eletrônicos e os altos índices de exposição às telas quando a criança é pequena podem resultar em um estilo de vida de maior exposição a elas durante a vida adulta e, sendo assim, o risco de desenvolver diabetes ou doenças cardiovasculares é maior, sem contar com a terrível obesidade.

O vício é relacionado à dopamina, uma substância presente no cérebro diretamente ligada ao prazer, uma vez que os estímulos enviados pelas telas aumenta a liberação de tal substância. Além disso, o vício também pode ter um componente genético, já que a herança biológica também influencia a forma como a dopamina é produzida e liberada no corpo humano. É necessário que os pais tenham consciência que uma vez seus hábitos irão influenciar os hábitos dos seus filhos e que a idade mínima para a exposição de uma criança às telas é por voltas dos três a quatro anos de idade e que é primordial que estes estabeleçam limites para o uso destes instrumentos, evitando assim o descontrole dos mesmos.

Fique atento, observe discretamente o que seu filho costuma fazer no computador, se este passa muito tempo conectado, chegando até fazer refeições em frente à tela, se está deixando os estudos, os amigos, as saídas, a família em segundo plano, se fica mais tempo acordado durante a noite só para ficar no computador, se apresenta irritabilidade ou vive deprimido quando o computador precisa passar por algum tipo de manutenção ou outra pessoa precisa usá-lo.

Enfim, como se trata de uma doença psíquica, o internauta fanático tem sua vida seriamente atingida, principalmente na esfera familiar, profissional e afetiva, por se tornar um obsessivo pela rede.

O tratamento deve ser feito por um especialista, mas antes conversar é sempre a melhor tática para iniciar uma aproximação, demonstrando para a pessoa os danos causados pela sua atitude. No caso de crianças e dos adolescentes a melhor maneira é colocar regras e horários para uso do computador, os pais precisam fazer valer sua autoridade, pode começar com um diálogo, mas no caso de uma situação extrema é necessário que se imponha autoridade, porém, isso não significa radicalismo, pois o paciente pode sofrer um tipo de síndrome de abstinência no caso de uma proibição mais severa, nesses casos é comum o adolescente tirarar objetos em casa, para financiar sua permanência em Lan Houses.

No mais, é só se beneficiar dos inúmeros prazeres que a tecnologia apresenta com muita cautela e controle.

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Fabiolla Fonseca
Psicóloga, nascida em Itacoatiara, casada e mãe de duas filhas. Especialista em Psicologia Jurídica.

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