De 6 a 27 de outubro de 2019, estará sendo realizado no Vaticano o ‘Sínodo para a Amazônia’, sob a presidência do Papa Francisco. O sínodo é uma reunião de bispos que se reúnem e, em assembleia, discutem um tema central que preocupa a Igreja Católica e que este ano propôs um debate sobre nossa região.  Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral é o tema do desse encontro e foram convidados cientistas ligados a ONU, representante de igrejas evangélicas, ONGs e lideranças dos povos indígenas.

São nove países com direito a votos de ‘padres sinodais’ neste encontro, a saber: Colômbia, 15; Bolívia, 12; Peru, 11; Equador, 7; Venezuela, 7; Guiana, 1; Guiana Francesa, 1 e, Suriname, também, 1 que, somados a outros integrantes da Cúria romana perfazem um total de 185 votos. O Papa Francisco logo após a apresentação da Laudato Si já vinha pensando em realizar um grande evento sobre a região que tem um dos mais valiosos biomas da Terra.

Os brasileiros convidados são: o cientista Carlos Nobre, especialista em Climatologia e Felício de Araújo Pontes Júnior, procurador da República. O diretor do sínodo é Dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo que tem a missão de colocar em pauta o bioma amazônico, biodiversidade, caráter multiétnico, aspecto pluricultural e plurirreligiosidade são alguns assuntos que serão debatidos neste enclave em que participarão padres, bispos e freiras. No entanto os indígenas serão os principais interlocutores do evento.

É através do conhecimento regional sobre a questão ambiental e social que a Igreja Católica apontará um norte para propor projetos que possam influenciar políticas públicas a uma região grilada, invadida, explorada criminosamente, queimada e que expropria indígenas, quilombolas e caboclos amazônidas de seu território imemorial. Essa defesa só poderia ser liderada pelo pragmatismo jesuítico do Papa Francisco e de seus aliados perante o mundo.

É flagrante o descontentamento do Governo com esse encontro sob o pretexto de ser perigoso e colocá-lo sob a Lei de Segurança Nacional já que os algozes da Igreja Católica temem uma repercussão negativa internacional, agravada pela irresponsabilidade dos negacionistas não reconhecerem números do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, denunciando o aumento desproporcional de focos de incêndio na Amazônia que gerou uma imensa queimada, que foi sentida em São Paulo e Santa Catarina.

Na sexta-feira, 20, crianças, adolescentes e jovens de 150 países decretaram uma greve global pelo clima e, no Brasil, mais de 50 cidades, inclusive Manaus, saíram às ruas para protestar e exigir a extinção do consumo de combustíveis fósseis. Os turistas que visitam a Amazônia creem que é obra do Criador. As pessoas que mantem contato com seus povos, choram de emoção. E é para chorar mesmo, porque não existe outra no planeta. Na década de 80 cientistas russos detectaram em Moscou que todas as vezes que um satélite russo orbitava a Amazônia emitia, através de um radar, um determinado sinal que desconheciam. Em uma conferência no Kremlin, os cientistas opinaram que deveria ser a força emitida da floresta ou a religiosidade do povo brasileiro.

Com o tom do  discurso  na abertura da Assembleia Geral da ONU, o Governo brasileiro ficou cada vez mais isolado, internacionalmente, visto que todos os diplomatas esperavam uma exposição conciliatória, o que não ocorreu. E ainda levou a tiracolo uma youtuber que apresentou como liderança indígena, o que logo foi desmentido pelas principais lideranças que ainda vivem em nossa região, articulando proteção para seus povos e sua terra, que a consideram como mãe.

Do Sínodo da Amazônia só quem pode participar são os bispos e que tem direito a votos e convidados da organização do evento. É vedada a participação de políticos e de governos, visto que é um evento fechado comandado pelo Papa Francisco no Vaticano, em Roma e este fato é fundamental, pois é o momento em que o papado ausculta cientistas, lideranças e fiéis para a tomada de decisões que certamente vão causar grande impacto na sociedade.

Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira (Araci-BA) 4º bispo da Prelazia de Itacoatiara – circunscrição eclesiástica da Igreja Católica -, é quem vai representar o Médio Amazonas. A Sé prelatícia está localizada na Catedral de Nossa Senhora do Rosário, a qual inúmeras vezes o Bispo Dom Jorge Marskell foi representá-la em Roma, com desenvoltura em defesa de seu povo e da Amazônia. A madre e poetisa quando escreveu o hino da cidade estava com uma inspiração divinal e uma das estrofes, diz assim: … Filha de um grande Amazonas / Menina Itacoatiara vive assim / Com ares de primadona / Que grande orgulho eu sinto em mim…

Ao final do Sínodo pela Amazônia, Irmã Dulce será declarada Santa. Sua imagem está segurando uma criança de cor, simbolizando Nosso Senhor. Santa Dulce rogai por nós. Amém.

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J.R Lopes
É jornalista. Natural de Itacoatiara (AM).

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