Shakespeare viveu na Inglaterra Medieval. Mas suas peças sincronizam com os dramas da atualidade. Acontece com todos os clássicos. Por isso perpassam os anos e continuam encantando os leitores.

No conhecido drama de Romeu e Julieta os jovens se apaixonam perdidamente. No entanto, ambas famílias tem uma longa história de disputas. Eles se conhecem num baile de máscaras. Não poderiam imaginar que aquele amor poderia causar tantos infortúnios. Ao final, proibidos de viverem essa história de amor, eles escolhem a morte. Uma tragédia causada por famílias antagônicas.

O fato é que muitos enamorados mundo afora e em diversas épocas e circunstâncias enfrentam entraves para realização de seu amor. Tudo em razão de questões familiares, políticas e até mesmo ideológicas.

Já o livro Todos os nossos ontens, da italiana Natália Ginsburg, entre vários relatos interessantes, discorre sobre um casamento entre dois jovens de famílias politicamente antagônicas durante o regime fascista que precedeu e protagonizou a Segunda Guerra Mundial.

Feitas essas considerações de cunho literário, passo a relatar notícia dada por tia Idalina, sobre uma jovem Julieta amazonense moradora atualmente no Rio de Janeiro.

A garota é filha de um senhor extremamente conservador e anticomunista ferrenho. Pois bem, nossa Julieta apaixonou-se por um jovem médico militante do PSOL, partido reconhecidamente de esquerda.

O namoro iniciou-se um pouco antes da pandemia. Transformou-se em paixão durante os meses de isolamento. Quando o velho pai soube, veio logo com um estranho e indefectível silogismo.

– Todo comunista deve ser odiado. Seu namorado é comunista, portanto…

Silogismo é um termo criado pelo filósofo Aristóteles para explicar o raciocínio por meio de dedução. A premissa de que todo comunista deve ser odiado foi tida como totalmente falsa para Julieta. Não pode negar a segunda premissa. Também rapidamente concluiu que seu pai odiaria seu grande amor para sempre. Conclusão desoladora.

Tia Idalina me informa que a moça está inconsolável. Só não entende como uma pessoa tão extremista e conservadora pode gostar de filosofia Aristotélica.

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Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

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