Esta crônica é uma homenagem póstuma a ILZA GARCIA. As pessoas que tiveram a alegria e o privilégio de conviver com Ilza Garcia sabem o motivo do título desta crônica. Ela gostava de usar essa expressão: Federal! Todos conhecem o sentido de federal como relativo á federação. Mas há um outro sentido: algo intenso, fora do comum.  Ilza Garcia era assim: intensa e fora do comum. Ela era federal! Mãe da Gina. Ilza não foi só uma grande mãe. Foi esposa, irmã, amiga, companheira rotariana, madrinha, tia, administradora, trabalhadora, e muito mais! Uma pessoa de uma grandeza de alma e de uma personalidade intensa. Ou seja, federal!

Ilza Garcia era amiga de minha mãe, Amine DaouLindoso, desde a adolescência. Desde novinho me ensinaram a chamá-la de tia. Ultimamente ela era o elo mais tangível que me ligava à memória de minha mãe. Cada abraço, cada expressão de carinho, era como se minha mãe nos observasse de onde quer que esteja no plano espiritual.

O nosso último contato pessoalmente foi dias antes dessa terrível pandemia. Missa de celebração pelo centenário de nascimento do tio Agobar Garcia. Seu amado esposo. Cuidou do tio Agobar com desvelo e fidelidade até o dia em que Deus o chamou. Agora devem estar namorando pelos jardins maravilhosos do Éden.

Aos 98 anos de idade, tia Ilza estava lúcida e caminhando com higidez e a elegância de sempre. Dois dias antes de ser hospitalizada, eu e minha esposa Vera falamos com ela por telefone. Ela estava bem. Vera tinha um respeito e um carinho especial por ela e também a chamava de tia.

Tia Ilza foi ex-aluna salesiana. Falo com autoridade de filho, irmão e afilhado de mulheres que estudaram com as Irmãs Salesianas. São pessoas especiais. Tornam-se esposas, mães e profissionais diferenciadas. Neste mês de maio em que celebramos as mães, também celebramos a nossa Mãe do Céu. Nossa Senhora Auxiliadora receberá tia Ilza com todas as honras de filha. Ela que soube tão bem amá-la e cultuá-la como nossa mãe e Mãe do Cristo   e Salvador do Mundo.

Ilza Garcia foi funcionária da Nestlé, presidente da APAE e participava ativamente da Casa da Amizade de senhoras rotarianas. Foi membro do Conselho da Mulher Executiva dentre as várias atividades na sociedade de nossa Manaus.

Há alguns meses disse a ela que havia me lembrado de um comercial da cerveja Skol que dizia: “Entrei no bar com uma sede federal”.

Hoje nós que a conhecemos estamos todos com saudade. Uma saudade federal!

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Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

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