“Foi eleito deputado estadual, em seguida escolhido deputado federal e depois senador da República, sempre com projeção particular.

Poucos líderes políticos tiveram tanta influência e poder no seu tempo, sem que tenha exercido a chefia do Poder Executivo. Piauiense de nascimento, filho de coronel da Guarda Nacional, formado no Recife, a mais importante faculdade de Direito do país, antes de ingressar na política e na advocacia foi juiz no Território do Acre. Forjava-se um magistrado de estilo, pensavam seus familiares e amigos mais próximos. Não foi o que correu.

Professor da Faculdade de Direito do Amazonas e um dos principais responsáveis pela sua federalização, medida que impediu a sua extinção como sucedeu com os demais cursos da antiga Universidade Livre de Manáos, Aristides Rocha ganhou fama e prestígio na vida pública, política e partidária, notadamente a partir de 1912 quando ingressou no Partido Republicano Democrata e se tornou redator do jornal “O Tempo”, veículos de comunicação que representava a agremiação, tal como sucedia abertamente com todos os partidos e grupos políticos da época.

Foi eleito deputado estadual, em seguida escolhido deputado federal e depois senador da República, sempre com projeção particular. Nessa última condição enfrentou a famigerada Comissão de Verificação de Poderes que não pretendia reconhecer sua eleição e conceder-lhe o mandato, e, apesar de naturais acordos com as lideranças nacionais dos partidos que dominavam o Governo Federal, Aristides fez brilhante defesa de sua eleição, conseguindo tomar posse e exercer o mandato de senador.

Foi então, projetado por essa defesa vibrante, que se tornou notado no Senado da República, passou a integrar a Comissão de Constituição e Justiça, e, no mandato iniciado em 1924, brilhou na famosa “Comissão dos 21”, organizada para estudo das emendas propostas à Constituição da República. Sua maior força política, de articulação, de tribuno e jornalista foi demonstrada quando exerceu a liderança do Governo no mandato do presidente Artur Bernardes (1922-1926), quando enfrentou período de grande turbulência nacional, e esteve firme representando o chefe da Nação.

Seduzido pela política, recusou o cargo de delegado à Corte de Apelação do Distrito Federal, e caiu em 1937, quando do Estado Novo, chegando a ser deportado para a Europa por ato de Getulio Vargas. No retorno ao país, se manteve como advogado e professor, abandonando as lides partidárias e eleitorais.

O que se dizia na capital amazonense era que ele era senhor do cutelo para muita gente, influenciando os partidos, o governo local, os prefeitos dos municípios do interior, e que, sendo muito bem articulado como advogado, conseguia vencer causas judiciais que pareciam impossíveis. Nesse particular, os mais antigos contavam coisas do arco da velha, daquelas que não dá para acreditar, mas, verdades ou mentiras, há muitas historietas na imprensa de oposição que bem mereciam uma revisada de parte de bom pesquisador.

Com toda essa força, entretanto, quando tudo parecia conduzi-lo a uma eleição tranquila para governador do Estado, parece ter sido ludibriado pelo governador Rego Monteiro que prometera assegurar a sua sucessão, e que, viajando para o exterior, deixou Turiano Meira, deputado e seu genro, no exercício do poder, o qual, logo nos primeiros dias de sua interinidade renegou apoio à candidatura de Aristides, anunciou sua própria campanha ao Palácio Rio Negro em jantar com os comerciantes da capital, mas terminou por afundar nas águas da Revolução tenentista de 1924, aquela que consagrou Ribeiro Júnior.

Não se sabe ao certo em que posição o velho e firme Aristides ficou naquele episódio militar, mas a verdade é que manteve a influência e o poder político até 1937, ora ao lado de Silvério Nery ora em posição adversa, mas sempre resguardando seu quinhão de prestígio e seu bastão de comando. Uma verdadeira rocha na política, como assinalavam os mais velhos.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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