Sou claro, sou forte.
Sou farto Como os cabelos dos brancos
Que outrora me desbravaram.
As vezes chego a ser encrespado
Com nuances de dourado
Como os cabelos sarará dos arigós
Que à sombra dos seringais se abrigaram.
Sei que sou importante.
Por onde passo sou fertilizante
E num toque de mágica decidida
Transformo tudo em vida e comida.
Nos balanços dos seus galhos
As jovens e as velhas árvores
Jogam flores perfumadas ao vento
Para suavemente me embriagar.
Faço voltas, abro braços, faço atalhos
Cerco as ilhas, as matas retalho
Pareço me aquietar… Sou às vezes (re)manso
Mas num ímpeto me lanço
Aos seus pés para beijar.
São tantos beijos, tantos
Que a terra-caída de amor se lança sobre mim
E se deita em meu leito
Então aproveito E adentro as partes estreitas
A procura de mata virgem
Para comigo seguir até ca(n) sar e enfim
Procurar um abrigo Entre as moitas de capim
Para fazer (filhas – criar a fauna.
Aviso a quem nos explora:
Eu so(r) rio, caminho para o mar, enfim
Não paro, não (des)canso e agora
Eu não vivo sem a Flora
E ela depende de mim.

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Ana Peixoto
*Amazonense de Manaus. Escritora, professora e filósofa. Poeta, ensaísta e autora de livros infantis.

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