*Antonio Delfim Netto

Forças Armadas desconhecem que Constituição não lhes dá atribuição de poder moderador.

A pandemia revelou-se um grande aprendizado tanto para os governos como para o setor produtivo.

Um choque inesperado e devastador sem precedentes em quase um século exigiu respostas céleres para a saúde e medidas econômicas para salvar vidas, empregos e o tecido produtivo. Os governos reagiram, uns de maneira mais competente que outros, com respostas que produziram resultados concretos que mitigaram a devastação prevista quando tudo começou.

População com 37 anos forma fila para se vacinar contra o coronavírus na capital paulista

Pessoas aguardam para tomar vacina na UBS (Unidade Básica de Saúde) Sigmun Freud, na zona sul da capital paulista. Tempo de espera foi de aproximadamente uma hora nesta segunda-feira (12) Rivaldo Gomes/Folhapress

Pessoas aguardam para tomar vacina na UBS (Unidade Básica de Saúde) Sigmun Freud, na zona sul da capital paulista. Tempo de espera foi de aproximadamente uma hora nesta segunda-feira (12) Rivaldo Gomes/Folhapress

O fotógrafo Pedro Kok, 37, e sua mulher Marina Tayar, 40, aguardam para serem imunizados na zona sul da capital paulista Rivaldo Gomes/Folhapress

Pessoas aguardam para tomar vacina na UBS (Unidade Básica de Saúde) Sigmun Freud, na zona sul da capital paulista. Tempo de espera foi de aproximadamente uma hora nesta segunda-feira (12) Rivaldo Gomes/Folhapress

O setor produtivo mostrou resiliência, principalmente durante a segunda onda, quando se registrou maior descolamento entre o nível de atividade e a dinâmica da pandemia, mesmo em países onde houve maior restrição à mobilidade. Isso revela a alta capacidade do setor privado de adaptar-se à Covid-19 e de apreender informações sobre a doença de modo a minimizar as dificuldades para a retomada de suas atividades.

Nesses aspectos, o Brasil não é diferente do resto do mundo, e os números da economia reforçam tal percepção semana após semana. A recuperação da atividade mostra-se robusta, disseminada e surpreende positivamente no curto prazo graças a essa combinação de fatores.

A particularidade de nosso processo é que ele ocorre a despeito do ambiente político cada vez mais negativo, turbulento e desgovernado, o que é incomum. Talvez o quadro revele que o setor privado tenha dominado a arte de sobreviver a um país preso à disfuncionalidade e à inoperância política.

O já conhecido expediente do presidente em conduzir o Brasil na base do conflito permanente sobe de tom toda vez que a CPI traz novos esclarecimentos -que podem ter graves consequências políticas- ou que as pesquisas eleitorais revelam sua situação cada vez mais desfavorável para 2022, eleição que será um referendo sobre seu governo.

A novidade é o apoio explícito recebido de alguns poucos integrantes das Forças Armadas, que revelam desconhecer que a Constituição não lhes confere a atribuição de poder moderador. Esforçam-se para enterrar todo o esforço feito pelo grande presidente Castello Branco de acabar com o tenentismo e se recusam a entender que devem obediência ao Estado brasileiro e à Constituição, não ao governo de turno.

É importante que as demais instituições da República respeitem a si mesmas e não se rendam ao baixo calão e às ameaças veladas como forma de agir e reagir, pois há um claro favorito para vencer o debate nesses termos…

O “manual” com os parâmetros de ação, os limites, os deveres e os instrumentos de cada um estão muito bem delimitados. Chama-se Constituição Federal, a quem todos estão sujeitos.

*Economista, ex-ministro da Fazenda. Artigo na Folha de São Paulo, de 13/07/2021.
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