A pele do idoso

Vivemos numa sociedade que ainda depende de leis para que haja garantia de respeito ao próximo, no entanto ainda não é suficiente para que de fato sejamos conscientes do cuidado com as pessoas que tiveram o privilégio do envelhecimento. Esta semana, várias ações no Brasil são voltadas para a Campanha do Dia Mundialde Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa e gostaria de fazer um apelo: trate bem o idoso!’

A maioria das pessoas não acompanha o processo natural do envelhecimento, pois as mudanças físicasocorrem gradativamente e muitas- vezes imperceptíveis, ora, todos os dias temos o hábito de olharmos no espelho e a vida é tão passageira que não nos percebemos envelhecendo. Essa é uma das questões pelas quais julgamos a “velhice” nos outros e nunca em nós mesmos.

Nocontexto demográfico e social temos uma aceleração do envelhecimento dapopulação e até uma mudança de paradigmas em relação ao idoso, pois praticamente duplicamos a expectativa de vida nos últimos quarenta anos e hoje somos completamente ativos no auge dos sessenta anos, em contrapartida o númerode violência contra os idosos aumentam, somente em Manaus já foram registradas 616 denúncias este ano segundo a Delegacia Especializada em Crimes contra o idoso.

Além dos maus tratos e abuso financeiro, o abandono familiar é o que mais impacta na saúde e qualidade de vida do idoso. Após a aposentadoria muitos são deixados de lado no convívio social e acabam por se isolar sendo muitas vezes acometidos por doenças psicológicas como a depressão. É obrigação da família assegurar ao idoso condições dignas de convivência familiar.

Nossos jovens aos poucos perderam o sentido do respeito às pessoas mais velhas e enfrentamos uma geração sem a gratidãopelo reconhecimento dos anos vividos, das experiências, aprendizagens e as bagagens culturais que o “google” de cada dia não ensina, mal sabem eles dos benefícios em se manter um relacionamento saudável com nossos entes queridos mais maduros, da troca de carinho e saberes transmitidos.

Portanto, finalizo este artigo com um trecho de uma canção a qual nos inspira a tocar emfrente e respeitar o tempo de todos. Respeite a pessoa idosa.

“Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei”.

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Euler Ribeiro
Amazonense, de Itacoatiara. Formado em Medicina em Belém (PA), o médico geriatra completou os estudos em SP e nos EUA. Foi secretário de Saúde do Estado e deputado federal. Fundador da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), ligada à Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

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