Quando Deus criou o mundo, o fez em sete dias. No primeiro dia criou a luz. No segundo criou o céu. No terceiro dia criou a terra. No quarto criou os corpos celestes. No quinto criou os animais e as aves do céu. No sexto dia os animais da terra, inclusive os humanos.

No sétimo dia, Deus descansou. Ele estava satisfeito. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque era o dia de descanso.

O velho Chaguinhas, pai do meu amigo, era um cristão fervoroso. Católico praticante. Não fazia, não assinava, não decidia nada importante nos dias de domingo.

Após acordar, ia a missa. Em jejum. Até a fisiologia precisa de uma pausa, dizia ele. Ademais, a Santa Madre Igreja nos ensina que devemos comungar em jejum.

O domingo era para ficar com a família, fazer as coisas devagar e respeitar o descanso. Afinal, domingo era um dia santificado. Quando as padarias e outros pequenos comércios começaram a abrir as portas aos domingos, o velho Chaguinhas achou um absurdo.

Eventualmente fumava um cachimbo. Isso podia. Domingo pede cachimbo. E proibia qualquer membro da família de fazer algum trabalho importante. Até mesmo os estudos podiam ser interrompidos.

Certo domingo recebeu a visita de um amigo que desejava alugar uma casa de Chaguinhas. O velho foi enfático:

– Não faço negócios aos domingos. Volte amanhã.

Quando supermercados e shopping centers começaram a abrir aos domingos, ele profetizou:

-Os homens andam muito gananciosos. Isso desagrada ao Criador.

Tudo e todos precisam de um descanso. Uma pausa. Até na música há pausas. As pausas musicais são intervalos de tempo em que deve haver silêncio, ou seja, nenhuma nota deve ser tocada nesse instante. E continuou:

-Haverá um dia em que esses homens que não param de trabalhar, que não respeitam o domingo, santificado pelo Senhor, serão obrigados e fazer uma pausa. Nem que seja compulsoriamente.

Nesses dias de quarentena, lembrei-me do velho Chaguinhas. Ele sempre dizia que devemos repousar. Repousemos.

Compartilhar
Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui