No artigo Ide e pregai  a Pedagogia que relatava o sonho de Anchieta no qual em uma viagem onírica com Padre Antônio Vieira a Amazônia para solidificar o cristianismo e o Evangelho da Educação, havia uma preocupação urgente que era fundar uma missão no Madeira, visto que os jesuítas temiam a entrada dos portugueses no território em que habitavam 200 mil almas de inúmeras etnias e os escravizassem. A Terra Indígena tupiniquim era riquíssima antropologicamente considerada uma babel pela quantidade inumerável de nações indígenas que falavam diversos idiomas nas duas margens do rio.

O superior dos jesuítas contou, olhando a cartografia do rio e com uma régua na mão, que de Belém até lá seriam 33 dias de viagem… E foi o que ocorreu ao escolheram Jódoco Péres para fundar uma missão no lugar para evitar a invasão estrangeira e que extraíssem as riquezas naturais daqueles povos. E assim foi feito e no dia 08.09.1683 chegou à terra sagrada – a folhinha do calendário dava conta de que era dia de Nossa Senhora da Luz -, o representante eclesiástico para oficiar o ritual católico para uma eclésia de homens avermelhados e fundar uma missão.

No céu estrelado daquela noite foi localizada uma nuvem espessa alinhada ao Cruzeiro do Sul, construída com a poeira cósmica dourada que se misturava com gases ionizados, em formato de uma estrela de 1ª grandeza iluminada por raios ultravioletas, localizada a milhares de anos-luz no Universo, conhecida como nebulosa verde. Era a cidade correspondente espiritual que faltava materializar em nosso planeta azul, na região amazônica. E seu líder era o Tuxaua Mamorini, diplomata da nação Iruri, um cacicado complexo segundo a brasilianista Ana Roosevelt, confirmado por Francisco Gomes da Silva, considerado o maior especialista do mundo em Itacoatiara.

Foram inúmeros dias celebrando o fato… Músicos com cocar, de diversas tribos se revezavam em tocar as flautas membitarará; os maracás marcavam as batidas junto aos tambores tribais, um verdadeiro festival de cores, de ritmos e arte plumária geral enchiam os olhos de alegria, festa regada a rica gastronomia do Médio Amazonas, parecendo mais uma piracaia… Só no Madeira foram três locais por onde nossos ancestrais passaram, até chegar ao definitivo onde está solidificado atualmente como município.

Aproximadamente meia centena de cientistas, cronistas, sertanistas, navegadores, antropólogos, poetas, músicos, imigrantes, expedições e tropas, empreendedores e autoridades a visitaram desde o período em que o Brasil ainda era Império até atualmente com o objetivo de dar seguimento e concluir suas pesquisas. É cognominada como Velha Serpa, Bela Serpa, Principado de Itaquatiara, Principado de Serpa, Pedra Pintada, Cidade do Rosário, Itacity e Cidade da Canção. Os ambientalistas estrangeiros se referem a ela como Green City, apesar das queimadas  fazer cinzas um pedaço do verde da nossa terra… Itacoatiara é assim: apaixonante, cosmopolita, plural; é alegre e sua convivência diária com o grande rio, faz de nós um povo feliz.

A Semana da Pátria em nosso município é de 8 dias: Dia 1º abertura da Semana da Pátria; Dia 4, desfile escolar e batalha das fanfarras na Avenida Park, túnel verde mais lindo do país, verdadeira Avenue des Champs-Elisées, um acontecimento social e, também, abertura do Fecani; Dia 5, Elevação do Amazonas a categoria de Província e Dia da Amazônia, culminando com cívico-desfile militar; Dia 7, data magna da nação e, dia 8 de setembro, os itacoatiarenses celebram em todo mundo, o Itacoatiara Day. É quando completamos 336 anos.

Em seu hino existe uma frase musical que emociona a todos quanto o cantam: a expressão ‘querida filha do país’. É que madre Rita de Cássia Dias era letrista e quando fez a melodia  soube que a cidade recebeu afagos do Império por causa de uma rifa que a população fez para o filho do imperador e a outra foi a história do primeiro sino que veio para a Catedral de Nossa Senhora do Rosário que era uma preocupação constante de uma autoridade portuguesa, sediada em Lisboa, que perguntava de quando em vez a seu subordinado, se a imagem, o Santo Graal todo em ouro e a peça para compor o campanário, já tinham sido despachados para Serpa. Essa autoridade monitorou a chegada desses brindes aqui.

Após diversas audiências públicas nas quais discorreu o acadêmico Francisco Gomes da Silva, justificando a correção do erro histórico e patrocinado pela insistência do vereador Francisco Rosquildes, finalmente no dia 02 de setembro de 2019, todos os edis com assento a Câmara Municipal de Itacoatiara assinaram a peça reconhecendo a data de fundação de Itacoatiara como dia 08.09.1683.

Parabéns Itacoatiara pelos 336 anos de fundação!!!

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J.R Lopes
É jornalista. Natural de Itacoatiara (AM).

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