*Mírian Goldenberg

Quando perguntei: “O que você mais inveja?”, as minhas pesquisadas falaram de dois tipos de inveja.

Existe a inveja negativa ou destrutiva, como disse uma estudante de 23 anos.

“Tenho uma amiga que é alegre, simpática, carismática, todo mundo fica apaixonado por ela. Tudo parece muito fácil para ela: ela não precisa provar o próprio valor. Eu me sinto invisível perto dela. O que mais invejo é a felicidade dela”.

Ela sempre invejou mulheres que estão “felizes com a própria vida”.

“Acho minha inveja patológica, doentia, vivo me comparando com outras mulheres. Sofro demais com as coisas que me faltam, e não consigo valorizar o que eu tenho”.

Mas, como mostra uma atriz de 56 anos, também existe a inveja positiva ou construtiva.

“Lógico que eu tenho inveja, quem não tem? Acho uma mentira deslavada quando alguém diz que não inveja nada. Estes são os mais perigosos: os invejosos enrustidos. Sempre que estou invejando uma pessoa me pergunto: O que ela tem que eu não tenho? Eu queria realmente ter a vida dela ou estou satisfeita com a minha? E descubro que, mesmo invejando a beleza, juventude e sucesso de alguém, adoro ser eu mesma”.

Ela se surpreende quando é invejada.

“É engraçado descobrir que pessoas que eu invejo também me invejam. Morro de inveja de uma amiga casada com um milionário que produz todas as peças dela. Ela não tem a menor preocupação com dinheiro, compra tudo o que tem vontade. Um dia ela confessou que inveja a minha liberdade, alegria, paixão e foco em tudo o que eu faço. Foi libertador descobrir que eu também sou invejada. Resumo da ópera: todo mundo tem inveja”.

Ela contou suas resoluções de ano novo: “Como vou ser feliz em 2018? Em vez de invejar as milhares de coisas que me faltam, vou valorizar as duas ou três coisas boas que eu sei que tenho. Não sou linda, jovem e magra, mas sou engraçada, carinhosa, gentil e atenciosa com todo mundo. Em vez de tentar ser o que eu não sou, vou investir em ser a melhor versão de mim mesma. Tenho tudo o que preciso para ser feliz: saúde, amor e trabalho. Resolvi rir muito das minhas invejas, não me comparar com ninguém e agradecer todos os dias por ser eu mesma”.

Você já descobriu o que precisa fazer para ser feliz em 2018?

*Antropóloga e professora. Artigo na Folha de São Paulo, de 20/12/2017.
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