A menos de um mês das eleições de outubro, observa-se a inexistência, independentemente da linha partidária do candidato, de qualquer proposta para a Amazônia. A região continua ignorada pelo governo e demais postulantes ao Planalto.

Não há manifestação explícita sobre plano de desenvolvimento que defina claramente a estratégia de combate ao desmatamento terra arrasada; quais os investimentos previstos para CT&I, o fortalecimento do sistema de ensino, da universidade e dos centros de pesquisa, únicas vias de promover a exploração racional com sustentabilidade.

Igualmente, a comunidade local ignora, ou finge ignorar, a indiferença do governo quanto a planos para o saneamento, a saúde, a segurança, o sistema rodoviário. E também sobre o transporte aquaviário e o aproveitamento racional dos meios naturais de navegação como vias de integração e complementação das economias da Amazônia sul-americana, ou no que se refere a programas para a geração de emprego e renda no interior por meio da produção agropecuária.

Além da insuficiência absoluta de transportes, portos e aeroportos, a região, particularmente Manaus, vem sofrendo fortes consequências das carências de infraestrutura de comunicações. A qualidade da internet aqui alcança provavelmente um dos piores níveis do Brasil. Os prejuízos são incomensuráveis para a indústria, os serviços, a universidade, a pesquisa e o complexo das ações governamentais, etc.

Ou seja, entra eleição, sai eleição e nada muda em relação ao Setentrião brasileiro. Assim, continua misterioso, exótico, eterno desafio do Brasil para o futuro. Quando, ao contrário, a região Norte, a Amazônia, brasileira ou a Panamazônica, têm soluções concretas para o hoje a partir das riquezas (inexploradas) de sua biodiversidade.

O governo brasileiro demonstra clara indiferença para com a região ao não promover investimentos em ciência e desenvolvimento, na promoção social, na educação dirigida às vocações de cada mesorregião, na implantação do Zoneamento Econômico Ecológico (ZEE), indispensável à orientação dos investimentos no setor primário com segurança ambiental.

O resultado dessas intervenções preoduziria efeitos sociais com certeza de envergadura muito mais expressiva do que manter comunidades interioranas e suburbanas inteiras a espera da chagada do fim do mês quando recebem a esmola oficial sem qualquer resultado econômico prático para a economia nacional.

Todos tomamos conhecimento dos resultados do IDEB 2013 – índice que mede a qualidade do ensino nos ciclos fundamental (1º a 9º ano) e médio de escolas públicas e privadas de todo o Brasil. Média nacional: 3,6 (muito distante das nédias dos países Brics). Apenas quatro estados atingiram as metas individuais de qualidadesdo ensino médio, estipuladas para 2013, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgado, enquanto 16 estados tiveram queda de desempenho em relação à pesquisa de 2011 e os demais melhoraram, mão não o suficiente para alcançar as metas individuais.

O Amazonas, tinha a projeção de desempenho mais baixa, de apenas 3 pontos, e alcançou 3,2; Pernambuco ficou com 3,8 e superou a meta de 3,6; Rio de Janeiro e Goiás ficaram com nota 4, enquanto suas metas eram 3,8.No Pará o nível de Educação conseguiu superar o que já era ruim: foi o pior desempenho do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre os 27 estados brasileiros mais o Distrito Federal.

A soma das notas dos alunos do ensino médio da rede pública estadual com os das escolas privadas foi de 2,9 (as notas do Ideb vão até 5,0), a mais baixa do Brasil. Consideradas apenas as escolas estaduais de ensino médio, a nota do Pará caiu de 2,8 em 2011 para 2,7 no ano passado. O resultado mostra que o ensino público na rede do Estado do Pará piorou em comparação a 2011, quando o resultado do Ideb para este período foi de 2,8. O que ocorreu em 16 outros estados brasileiros.

O Ideb é medido a cada dois anos e apresentado numa escala que vai de zero a dez . A meta é alcançar o índice 6, o mesmo resultado obtido pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), quando se aplica a metodologia do Ideb em seus resultados educacionais – 6,0 foi a nota obtida pelos países que ficaram entre os 20 mais bem colocados do mundo.

O Brasil está muito longe de proporcionar aos jovens uma educação de qualidade. E o governo brasileiro ainda tem a ousadia de se vangloriar de haver promovido  uma revolução no setor.

Candidatos fugindo do exame da conjuntura social e econômica nacional até pode ser normal, pois não se preocupam mesmo com as diversidades geopolíticas do Brasil. Entretanto, no que pertine aos eleitores, certos professores, pesquisadores, educadores e profissionais liberais diversos ignorarem ou fingirem não atentar a tal omissão e contra isso não se insurgirem, trata-se sem qualquer dúvida de um absurdo inaceitável e deplorável que denota extremo alheamento e desprezo para com o futuro da região e do País.

————————

Esta análise atende à convocação de meu amigo Alfredo Lopes para que os que pensam com independência e isenção ideológica se manifestem a respeito dos problemas de nossa região ignorados no pleito 2014.

Compartilhar
Osíris Silva
O economista Osíris M. Araújo da Silva é consultor de empresas, ex-secretário Municipal de Economia e Finanças da PMM, ex-secretário da Indústria, Comércio e Turismo e ex-secretário da Fazenda do Amazonas. É presidente da AMAZONCITRUS – Associação Amazonense de Citricultores, membro do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA), do INPA, e articulista econômico de A Crítica.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui