Temos notado que a nossa região metropolitana de Manaus tem amanhecido com o horizonte coberto por fumaça provocada pelas queimadas urbanas. No verão amazônico temos os meses mais secos do ano que correspondem aos meses de setembro a outubro e a nossa vegetação torna-se cada vez mais propícia para a geração e propagação do fogo. Mais de 68 mil focos de incêndio e queimadas foram registrados pelo Brasil desde o início do ano de 2018. Deste total pouco mais da metade, cerca de 51%, ocorreu na região amazônica, segundo informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

A fumaça provada pelas queimadas urbanas pode causar queimaduras no epitélio do trato respiratório, promovendo alterações inflamatórias que permitem invasão de bactérias que estão na boca e nas narinas as quais podem se proliferar e infectar o revestimento da faringe provocando as famosas doenças respiratórias: rinite, sinusite, faringite, entre outras. Além disso, as micropartículas podem obstruir o trato respiratório com hipersecreção contaminada, causando também a diminuição da ventilação pulmonar comprometendo os alvéolos, manifestando desta forma as doenças pulmonares: tosse produtiva, asma, bronquite, principalmente em pessoas com imunidade baixa como crianças e idosos.

Outro efeito significativo das queimadas é a irritação nas peles e nos olhos, muitas pessoas nesse período se queixam de lacrimejamento, dor de ouvido, pele ressecada, dor de cabeça após estarem expostas na rotina do seu trabalho.

Afinal, o que devemos fazer para amenizar as consequênxcias deste tempo seco e com baixa umidade do ar? A melhor recomendação é a HIDRATAÇÃO! Reforce a ingestão de líquidos. Beba água durante todo o dia, lave também as mucosas nasais com soro fisiológico, foque na alimentação saudável para melhorar sua imunidade, higienize as mãos com frequência antes das refeições e após o uso do banheiro para evitar contaminações.

Também é necessário adotarmos medidas de prevenção e proteção ambiental como evitar fazer fogueiras no quintal de casa, não jogar pontas de cigarro em terrenos baldios, permenecer em ambientes protegidos do sol, principalmente nos horáruios das 10hs às 16hs, umidificar os ambientes por meio de vaporizadores ou bacias de água no quarto, evitar aglomerações ou ambientes fechados e sujos, usar protetor solar e máscaras para realizar atividades externas.

É preciso repensar nossas políticas públicas para evitarmos as queimadas urbanas, assim como reduzir a poluição do nosso ar. Infelizmente os efeitos desta poluição, na maioria das vezes, trazem consequências devastadoras a longo prazo para a saúde da população. Façamos a nossa parte também, e evitemos as queimadas!

Compartilhar
Euler Ribeiro
Amazonense, de Itacoatiara. Formado em Medicina em Belém (PA), o médico geriatra completou os estudos em SP e nos EUA. Foi secretário de Saúde do Estado e deputado federal. Fundador da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), ligada à Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui