Ai que calor, que desconforto
E esse suor no meu rosto.
Tanto barulho em volta.
tanta gente que passa por mim.
E esse cheiro de fumaça,
Esse ar de pouca graça.
Essa rajada de vento,
As vezes brando, às vezes violento.
Isso me causa revolta
Parece que passa sem volta, assim…
Quero atravessar a rua.
Não há faixa de pedestre.
Corro o risco e corro
Vou correndo ao banco
Para ver se me atamanco.
Saco um pouco do dinheiro
Que ganhei por um mês inteiro
De trabalho assalariado,
Mas meu bolso está furado.
Será que perdi o dinheiro?
O meu corpo está pesado, preciso fazer dieta.
Minha consciência também pesa e me inquieta.
Preciso perder peso,
Eliminar as gorduras das despesas.
Tenho que ir ao mercado,
Passar no supermercado.
Ir ao empório de produtos diets
Consumir coisas lights.
Que horas são? Perdi a noção do tempo.
Tenho a impressão que por um momento
Eu deixei de ser gente,
Deixei de ser impaciente.
É, eu sou uma coisa, pareço bola de sinuca,
Só pego tacadas e caiu direto na caçapa.
Que vida maluca!
Mas de repente me refaço.
Lembro que sou um ser.
Sou um ser urbano, quase um ser humano.
Sou obrigada a dar risada,
Por tudo e por nada,
Ser delicada,
E dizer sempre… Obrigada!

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Ana Peixoto
*Amazonense de Manaus. Escritora, professora e filósofa. Poeta, ensaísta e autora de livros infantis.

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