* J. R. López

Mardito fiapo de…
Preso no maxilar inferior.
Joelho de Porco

Paralela a Avenue des Champs-Élysées, sonhada por um visionário considerado o maior administrador de uma cidade estratégica e cosmopolita, por ocasião de sua estada em Paris, existe uma via com o nome que homenageia o nascimento do Brasil republicano, também, conhecida pelos mais antigos como Avenida dos Pomares, devido os mais significativos exemplares da flora exótica e brasileira ter sido cultivada e distribuída naquele suave altiplano, inclusive uma pequena e doce deusa indiana, adubados por resíduos da própria natureza e pelos povos da floresta.

Tais áreas foram enriquecidas pela união de terrenos férteis, advindas da mistura dos restos de fogueiras antropológicas, lixiviadas com o húmus ecológico que escorria e, ao mesmo tempo, irrigava os roçados indígenas, aliados a um sistema de pousio da terra, umedecidas naturalmente, por estar próximas a uma lagoa de água cristalina que contribuía para o equilíbrio local, através de um clima agradabilíssimo, onde os Mura pescavam e eram os verdadeiros guardiões, rica em folhas de Mantrichardia linifera utilizadas por conter propriedades terapêuticas e de palmitais do falso tucumã, rodeada por fragmentos ambientais.

E agora com a ampulheta da história na mão, munidos com microscópios cedidos pelo Departamento de Ciências da Terra, do Instituto Nacional de Pesquisas Transamazônicas, convido todos a estudar no laboratório da memória, para aprender a técnica  com o emérito cientista e, deste modo, conhecer e valorizar a Mangifera indica que, como tudo indica, pertence a família das Anacardiaceae, cujo ciclo de vida pode ser perenizado se o homo sapiens arcaicus não pelar, como o fez com o ninho dos passarinhos – deixando-os ao léu -, criando mais uma bolha de calor, quase matando o ícone que garantiu internacionalmente, no direito ambiental, o certificado de Green City.

Se a Marmota Baibicina, conhecida pelo título honorífico como um dos peladeiros da floresta tropical não cometer o crime do corte raso em tal espécie, nosso objeto de estudo pode prosseguir e ganhar o status de tema relevante perante o orientador da tese e, assim, firmar com a Universidade de Sourbone V, uma parceria para propor a criação de uma cátedra naquela renomada instituição, de cujo estudo já mensurado, tal indivíduo pode, facilmente, chegar a obter a marca de 12m, em copas bem fechadas contra o inimigo, é claro. Todavia com a florada de borda favorecendo o hibridismcio, através do processo de polinização na dispersão do voo de abelhas e na disseminação de alguns passeriformes. Além disso, seus braços abertos servem de abrigo para casa de cabas e japiim; residência oficial de pássaros altissonantes e sanhaços;  e, hotel de trânsito das pipiras rôxas, bicudos e vem-vem que, em deslocamentos constantes para a urb surgem, em comitivas, preocupadas somente com uma explicação: porque a coisa está ficando preta no campo, hem ???

Tal cultivar existe há 4.000 a.C. no planeta e é originária da Ásia, atravessando o Oceano em uma extensa viagem realizada na cara e na vela para fincar pé, adaptando-se muito bem a estação quente e ao massapê da terra brasilis, reproduzindo-se facilmente no novo lar, domesticada em terreiros e quintais, fazendo sucesso aqui, em plena Amazônia. Quem experimenta apenas o suave perfume que exala, imediatamente é conquistado por um estado de êxtase e, irreversivelmente conseguindo o nirvana em poucos segundos, em vista de ser abençoada desde o berço pelo Budismo e trazida sob os cuidados especiais de lusitanos, no Século XVII, cultura copiada dos Mouros quando estes invadiram Portugal, sendo expulsos pelas Cruzadas.

Nossos ancestrais já prescreviam, conforme a alquimia da farmacopeia mundial, os extratos de óleos essenciais, produzidos em medidas certas, para deleite da beleza feminina, mantida com o cheiro caboclo  de suas flores para a prevenção das rugas e, chegando até nós, tratamentos indicados por nossos avós para rejuvenescer o rosto e cuidar da elasticidade da pele. De todas as cores, faz a cabeça de gente pequena ou grande como alimento funcional, na diversidade de cura do ser humano, em vista de alívio no resfriado de crianças, seja aumentando-lhes a resistência imunológica ou, por outro lado, reduzindo, consideravelmente,  os ataques cardíacos em idosos.

Com uma semente central, geralmente selecionada a seco, plantada com adubo orgânico e, mesmo regada por chuvas ácidas, tem capacidade de germinação rápida, porém, seu crescimento com todos os tratos, é lento e gradual. Sua categoria é frutífera, contendo polpa com fibra, suculenta, ao mesmo tempo com gosto saboroso, enriquecido pela qualidade do solo que a transformou em rainha das frutas tropicais, das quais se destacam dentre as 1.600 variedades a Bourbon, a Tommy Atkins, a Ubá, a Rosa e a Espada.

Essa digressão não é à toa, mas proposital e visa estimular os estudantes a que pesquisem, estudem, conheçam, valorizem, produzam monografias, dissertações e teses, respeitando o estado da arte e resgatando a relação da ciência com quem fez história no esporte bretão e se consagrou, consagrando a defesa de seu povo numa jogada, nos representando nas conquistas em outros gramados. Todavia quem quer ser uma estrela anã, cadente e sem brilho, não sonha. Porém sua carreira foi construída juntando a poeira dourada das estrelas de primeira grandeza de nossa galáxia esportiva.

Seu quadro psicológico geral diz que é um homem digno, a começar pela análise do signo que balança, mas equilibra-se por ser uma Libra bem cotada na bolsa de valores éticos e morais. Possui como características principais a objetividade, organização, tranquilidade e o prazer em defender suas cores. Filho de Aristóteles Peixoto Magalhães e de dona Maria de Lourdes Pereira Peixoto, nasceu na Zona Oeste, Colônia e, desde os oito anos de idade, já demonstrava o domínio da pelota, nas peladas comunitárias.

A brincadeira era devoção diversional que a sensacional magia do futebol exercia nos seus Sonhos de Menino, como canta o poeta e compositor Chico da Silva, parecendo direcionar a vida para a profissionalização, em um futuro próximo. Na época inicial jogava como gurda-malas no Botafoguinho, time dente-de-leite que montou com a cooperação dos colegas e, desde lá, desejando o estrelato numa época em que predominava a audiência das emissoras de rádio, nas transmissões do campeonato carioca, imaginando as jogadas geniais que programava mentalmente.

O match-treino era realizado na Caixa D’água e, nos confrontos diretos com os adversários pelo campeonato local, as partidas eram disputadíssimas em um campo de várzea próximo ao Igapó da dona Diosa comparecendo, além dos aficcionados torcedores, os pais e cartolas de clubes filiados a LIDA – Liga Itacoatiarense de Desportos Atléticos para fazer propostas aos que desfilavam talento e, em sendo assim, investir na contratação de craques para estágio e, obtendo sucesso, subir de categoria, promovendo e aproveitado os pupilos no campeonato amador.

Após a preleção do preparador-técnico aos jogadores, o Botafogo, em Itacoatiara, geralmente era escalado com esta formação: Cléber; Marçal, Zé Peixinho, (não estou escondendo o jogo, mas é nesta zona que atua e só vai entrar daqui a pouco, em virtude de estar sendo providenciada uma homenagem para ele), Hugo Alves e Dinamérico; Paulo Pereira, Raimundo Simões e Bedeira;  Carlos e Chico Mão de Paca. Na década de 60, com aproximados 13/14 anos, é trabalhado para ser federado para defender os matizes verde e amarelo do ABC – Atlético Brasil Clube, no Estádio Eurico Gaspar Dutra. Paulo Menezes, famoso dirigente, influente olheiro e tutor ronda a promessa, enchendo-o de mimos para jogar no Penarol. Pela sobriedade com que desempenhou as funções, foi muito solicitado pelos clubes, mas teve curta passagem pelo Rio Negro.

Começou a saga na carreira como goleiro, em homenagem ao ídolo que encaixava a bola não deixando a defesa vazar, tanto no clube do coração quanto na Seleção Brasileira de Futebol, adotando a marca registrada de Chico Manga. No entanto ao disputar com arrôjo uma dividida com o endiabrado irmão do Biro(Nacional) que nessa tarde estava impossível, fazendo uma defesa espetacular, o juvenil ganhou o famoso apelido que o consagrou eternamente nos gramados esportivos do atacante Walmir, que profetizou o seguinte:  – agora você é Manga, Chico!

Em meados de 1967, Waldomiro, Cauré, Manga, Batista e Rui foram aconselhados por vários desportistas experientes a fazer testes nos clubes da capital, mas esperto e com parentes, o Holanda já havia imigrado antes. E Manga lembrando-se da infância, passou na peneira realizada no América, dos irmãos Teixeira, tendo como técnico Amadeu e Arthur, como auxiliar.  Treinava a parte técnica e física no Parque Amazonense, de propriedade do Diabo, enquanto a concentração compartilhada em sua sede, clube onde se firmou profissionalmente.

O livro Baú Velho, do escritor e cronista Carlos Zamith registra 1,62m de altura, do lateral esquerdo que pegou grade, mas jogando com seriedade um futebol objetivo, às vezes até armando jogadas, conquistou seu espaço com muito trabalho, mas a oportunidade surgiu quando da contusão de Cabrinha, substituído no jogo em que Amadeu Teixeira pediu para quebrar o galho, ganhando confiança e a posição definitivamente nos anos subsequentes, como titular absoluto em sua posição. O goleiro Rui(Distrito da Ilha da Conceição) e Biro, considerava amigos além de conterrâneos e Jonas, Enéas e os demais, seus companheiros.

No futebol amazonense, os atletas ganhavam, segundo Manga, uma verdadeira micharia. Os contratos e os bichos estipulados não agradavam a maioria da categoria, mas naquela época se jogava por amor à camisa defendendo o azul e branco do Mais Querido, afirmou. Fez inumeráveis partidas contra os irmãos Piola, inclusive o Edson não aceitando a cerrada marcação, intencionalmente em uma jogada desleal lhe quebrou o nariz, o que rendeu algum tempo de molho, pendurado no departamento médico. Vestiu o manto sagrado rubro-negro da Praça de Nazaré, compondo aquela indelével dupla de zagueiros com Cauré, em 1981, que eternizou a rivalidade do maior clássico da história entre Náutico X Brasil. Sempre convocado, serviu a Seleção por diversas vezes.

Conforme Rubens, ponta-direita muito rápido e exímio driblador, pertencente aos quadros do Galo Carijó da Praça da Saudade – que tinha importado uma base paraense -, quando concedia entrevistas considerava como o melhor marcador. Seus  adversários o tinham como um verdadeiro carrapato no sentido etmológico da palavra, nos campeonatos realizados nos anos de 1966, 67 e 68. Neste período o emérito e articulado jornalista Flaviano Limongi era o mandatário do futebol, figura muito prestigiada lá fora, a quem o Amazonas muito deve na orientação da profissionalização, especialmente organizando e popularizando os clássicos regionais.

Apesar do apoio da torcida americana, do sucesso conseguido a duras penas, do reconhecimento da crônica esportiva manauara e, em plena forma física, resolveu retirar-se do Campeonato Amazonense de Futebol por sentir muitas saudades da terra, de sua família e, por ter deixado sua namorada e futura esposa, Amazonina da Silva Peixoto, em Itacoatiara. Atualmente Francisco Ferreira Peixoto tem 65 anos, é estivador aposentado, professa o credo católico, reside no Bairro de Pedreiras e é um dos ícones que muito  bem representou e orgulha o povo.

Aplicado no ítem estratégia, sempre foi um vencedor, mas seguindo a risca o sistema tático planejado pelo técnico; imortalizando o gesto de Belinni, levantou muitas taças com  experiência, liderança e domínio na área de atuação, marcando e compartilhando responsabilidades na cobertura do setor de seus iguais, jogando de primeira. Antes de entrar em campo, puxava a palavra de ordem em uma oração e, neste momento, o guerreiro aquecendo-se e saindo dos vestiários para o início da batalha, contemplava na torcida, as imagens fortíssimas que o inflam de coragem na defesa intransigente da terra sagrada de seus pais, aliadas a fé da Cidade do Rosário que trazia no coração. Facilmente receberia o selo tipo expor, com entrada franca no Mercado Comum Europeu para concorrer, em condições de igualdade, com os estrangeiros.

Que a simplicidade continue iluminando sempre, com o toque refinado e genial de mestre,  as jogadas nas futuras gerações.

 

*É Jornalista. Natural de Itacoatiara (AM).

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