*Francisco de Abreu Cavalcante

Pertence ao segundo livro “Maravilhas da vida” a ser publicado em breve.

I
Com apenas 15 anos de idade
Dotada de beleza jovial,
Ainda ingênua adolescente,
Liberta tão precocemente,
Vivendo noites adentro,
Encanta-se facilmente.

II
Naquelas noites alegres
Aquela jovem sensual
Em feliz companhia ardente,
Conversava com aquela gente
Sem motivo e saber porquê,
Ficando até o dia seguinte.

III
Ouvindo frequentemente
Em misturado Português!
Assédios maledicentes
Talvez de insana Embriaguez,
A frequentar um motel de
Sociedade e luxo burguês.

IV
Não mais que de repente
Nas armas da Embriaguez,
Encontra-se a adolescente,
Não lhe permitindo sonhar
Os sonhos da adolescência,
Pensando em tudo que fez.

V
O homem que estava bebido
Ao comando de obsessores,
Completo insano, perdido!
Sentindo apenas temores,
Mas não se julgava culpado,
Sequer sabia os horrores.

VI
Para aquela noite esquecer,
Um álibi então logo criou,
Que lhe poupasse sofrer,
Assim, tudo aquilo passou,
Até no seu sentimento
O tal sofrimento acabou.

VII
Algum tempo se passou,
Pelo estranho comportamento
Que a filha apresentou,
Sua mãe não se enganou,
Chamou-a, carinhosamente,
E sobre o álibi lhe interrogou.

VIII
Já cansada de esconder
Sobre tudo quanto passou,
Não sabia mais o que dizer,
Seu álibi não sustentou,
Implorando por desculpas
À sua mãe tudo contou.

IX
A mãezinha, de coração partido
Não se deixou transparecer,
À cerca de tudo que foi ouvido
Passou apenas a lhe dizer:
“O que está feito, tá feito
Não se pode desfazer”.

X
A jovem ditosa esbravejou
Sobre razões que não havia
Em justificar o que passou
Naquele malfadado dia,
Plano que não planejou
De angústia e agonia.

XI
Mas o destino é que indica
Como ir e aonde chegar,
Impondo às vidas traçadas
Por razões justificadas
Sem que se possa modificar,
Apenas nos cabe aceitar.

XII
Continuando seus estudos
Até ao 2º grau completar,
Pra chegar à Universidade
Só pensava em estudar,
Sempre dedicada à família,
Não pensava em se casar.

XIII
Até então, é só trabalho!
Sem tempo para se cuidar,
Apresenta alegria aparente,
Até mesmo aquele dente,
Na eminência de cuidados
Levou tempo a esperar.

XIV
Algum tempo depois, ainda
Sem os estudos terminar,
Para obter próprios recursos
Consegue se empregar,
Trabalhando como lojista,
E continuando a estudar.

XV
Mas a tal razão do destino
Que nossas vidas conduz,
Determinou àquela jovem
Seguir o caminho da luz,
Pautando-se com prudência
Na vida que lhe faz jus.

XVI
E assim, seu cabelo espelhando
0 esplendor dado por Deus,
Porque tem tecido forte
A seguirá além da morte
Com todo aquele vigor
Tal qual como nasceu.

XVII
O deslumbrante cabelo
Por força da natureza,
Por muito tempo vivendo
E conservado a beleza,
Ela sequer se dá conta
Que aí está sua riqueza.

XVIII
Pois, seu real apaixonado
Soube tudo que aconteceu,
Deixando a razão de lado,
Agiu como se nada percebeu,
Sem jamais lhe constranger,
O dedicado amor lhe ofereceu.

XIX
Brilhantemente vivendo
Como casal de namorados
Sem brigas e muito felizes
Desde que foram casados
A vida lhes é sorridente,
De amores santificados.

XX
Na formação da família
Já são dois filhos a criar,
Acham de bom tamanho
Porque têm que os educar,
Mesmo os dois trabalhando
Ainda precisa economizar.

XXI
Já uma casa, possuem,
Um carro e tudo mais
Que uma família precisa,
Pra viver, a vida lhes traz,
Tudo está harmonizado,
Vivendo a vida em paz.

XXII
Estudam a mesma doutrina
Com fervor e devoção,
Sempre louvando a Deus
Que lhes dá a direção
Para seguirem convictos
Com prazer e gratidão.

XXIII
Certo dia os dois conversando
Ela inesperadamente indagou
“Amor, me diga uma coisa,
Você sempre a meu lado,
Já que tanto tempo passou
Sem saber do meu passado?

XXIV
Ele então lhe respondeu
Com muito amor e afeição,
Explicando carinhosamente
Que para tudo há uma razão,
São fatores de vidas passadas
De deveras difícil explicação.

XXV
Sim, sei como lhe aconteceu
Foi tudo questão de sorte,
Jamais toquei no assunto,
O amor falou mais forte,
Para não lhe constranger
Guardei pra nós como dote.

XXVI
Acho que a sorte foi minha
Por tudo que lhe aconteceu,
Naqueles dias de tristeza,
Você, felizmente apareceu,
Trazendo-me a este mundo,
E a tudo que Deus nos deu.

XXVII
Você é a pessoa, que me honra
Por tê-la e o que temos agora,
Somos família feliz o bastante,
Com boa casa onde se mora,
Por tudo isso devemos louvar
Ao nosso Deus a toda hora.

XXVIII
A esposa quase em pranto
Diante de tanta satisfação,
Precisava agradecer ao esposo
O fervor que havia em seu coração,
Mas as palavras lhe faltavam
Em face de tamanha emoção.

XXIX
Nem sei como e o que te dizer
Pela alegria que estou sentindo,
Por Deus a mim, dado tal sorte
De hoje estar aqui te ouvindo,
E tudo que estou querendo,
É te amar até minha morte.

XXX
Me trazes neste momento
A mais real augusta afeição
Que me causa desprendimento
Na alma, no fundo do coração
E profundo contentamento
Por ter a certeza do teu perdão.

XXXI
A essa conversa eu gostaria
De nossos filhos compartilhar,
Para que eles assim soubessem
O quanto temos a lhes mostrar
Sobre a felicidade de nossa família,
Exemplos que eles podem guardar.

XXXII
Minha felicidade está completa,
Humildemente quero esclarecer
Da angústia que meu coração sentia
Sem que pudesses um dia saber,
Em não conseguir o teu perdão
Ficando sem nada poder fazer.

XXXIII
E dentro de sagrada harmonia
De expressiva felicidade sem par,
Vive a família o seu dia a dia
Sem nada deixar a desejar,
Tendo Deus como seu guia
Que seguem a vida a louvar.

*Poeta e professor aposentado, natural de Itacoatiara. Graduado em Letras, Língua Inglesa. Integrante do Coral João Gomes Júnior.
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