Você pode nem mesmo acreditar em vampiros porque sua conceituação pode estar associada a dentes afiados, roupas pretas e sangue no pescoço. Mas, na realidade, pessoas bem próximas a você pode ser o seu vampiro particular e pasme, você pode até ter mais de um vampiro em sua vida, em casa, no trabalho e etc.

É que o vampirismo é o estabelecimento de uma relação neurótica entre pessoas onde um se nutre do outro, em forma de carinho, apoio, segurança, sexo, energia, sangue e em troca de alguma outra força que pode ser conhecida ou desconhecida por quem dá e por quem recebe.

Os vampiros emocionais são pessoas normais, porém, detentoras de uma doença de cunho afetivo, que possuem uma espécie de carência psicológica que não sabem suprir sozinhas, então, vão buscar sofregamente a supressão dessa falta no outro, muitas vezes ao ponto da sufocação do outro. É como se elas necessitassem sugar o sangue do outro, extraindo daí seu alimento, sua energia.

Todos os dias, a cena se repete: M.J, 44 anos, segue para o setor que comanda em uma empresa de médio porte, respira fundo e faz o sinal da cruz. “É para me proteger dos encostos que sugam meu juízo e minha paciência”, diz. Provavelmente, ele não tem consciência do legítimo significado da sua atitude, nem dos reais riscos que corre ao conviver diariamente com os coleguinhas de trabalho. M.J, que se sente estafado e sem ânimo depois da labuta diária, pode ter se tornado, na verdade, mais uma vítima dos vampiros emocionais. Tipos prosaicos que apresentam distúrbios de personalidade tão sérios, capazes de levar outras pessoas ao limite do esgotamento físico e emocional, sem o menor constrangimento.

Atos de vampirismo são mais comuns nos ambientes de trabalho do que se imagina. Em seu livro intitulado Vampiros Emocionais (284 páginas, Editora Campus), o Ph.D. em Psicologia e consultor empresarial, Albert Bernstein, explica que a dentada sugadora pode vir do chefe que “…com seu alto e bem-remunerado cargo, envolve-se tanto em política e em intrigas mesquinhas que não tem tempo para trabalhar” e, obviamente, sobrecarrega os outros (com especial crueldade, os subordinados). Também pode estar representada pelo “diretor de empresa, que faz palestra sobre outorga de poderes e incentivos positivos, depois ameaça demitir funcionários pelos mínimos erros”.
TIPOS – Na tentativa de tipificar os indivíduos que têm atitudes vampirescas, qualificamos alguns como vampiros anti-sociais, histriônicos (farsistas), narcisistas e paranóicos. As percepções dos vampiros emocionais são distorcidas pelos seus anseios de metas imaturas e inatingíveis. Eles esperam atenção total e exclusiva de todos. Querem uma vida repleta de divertimento e entusiasmo, e ter alguém que cuide de tudo que seja chato ou difícil.

Todo vampiro emocional busca sugar o que a vítima tem de melhor. O que eles querem é o que lhes falta. Se são feios, irão sugar a beleza dos outros, a força, o carisma, o sucesso e daí por diante. O difícil mesmo é escapar do charme sedutor que todos os vampiros têm e usam para atrair suas vítimas. O segredo para não cair na armadilha é o autoconhecimento, que leva ao domínio pessoal.

Existe a forma obvia de vampirismo e a mais sutil. Ambas fazem um grande estrago, mas a primeira machuca mais. É quando, por exemplo, o chefe procura destruir a sua autoestima e lhe desestrutura reclamando porque falta uma linha no relatório que você fez. A segunda é quando simplesmente ignora o funcionário. Ele faz você se sentir sem importância, não te olha nos olhos quando fala. Por mais que você faça, nunca consegue agradar. Algum familiar também pode se tornar tão letal quanto um vampiro do seu trabalho. Geralmente eles passam por cima de tudo e de todos para conseguirem o que querem, joga você de encontro com os demais familiares, mente, se projeta em você e muitas das vezes infelizmente consegue seu real objetivo. É necessário ficar atento.

As empresas precisam ficar de olho em situações que podem afetar a produtividade dos empregados. Há casos em que as pessoas ficam tão deprimidas que pedem demissão, pois não conseguem aguentar a relação com o vampiro no trabalho.

Mas como identificar um vampiro emocional? Existem, basicamente, dois tipos de relação: a simbiótica (ambas as partes são beneficiadas) e a parasitária (uma parte se alimenta da outra). Os vampiros podem ser classificados como parasitas. Para identificar os sugadores, basta responder uma pergunta simples: Essa pessoa se importa comigo, independentemente do que posso fazer por ela? Se a resposta for negativa, essa pode ser uma relação prejudicial.

Como agir? Os cuidados começam por você. Quanto melhor você se sente em relação a si mesmo, menores as chances de você ser prejudicado por um vampiro emocional. Por isso, trabalhe sua autoestima. Ela vai garantir que você não seja vulnerável a nenhuma influência negativa. Você saberá, por exemplo, negar pedidos inconvenientes sem peso na consciência, lidar com fofocas e até puxões de tapete.

Na maioria dos casos, apesar de saber que estamos sendo prejudicados de alguma forma, é difícil ou impossível se livrar deles (especialmente se estamos falando de membros da família). Mas embora você não possa mudá-los, existem algumas formas de amenizar sua influência.

Se distancie: Mais do que evitar encontros com essas pessoas, é necessário se distanciar mentalmente e emocionalmente. Lembre-se de que você não é responsável pelo comportamento deles. Por isso, por mais prejudicial que essa pessoa seja, o problema é, literalmente, dela.

Mantenha a sua calma: se você deixar a tensão tomar conta, provavelmente reagirá com tensão à situação. Respire profundamente e procure lembrar que a intenção da maioria dos vampiros emocionais é causar alguma reação sua. A melhor forma de lidar com eles é não entregar o que eles esperam. Se um conhecido o prejudicou esperando vê-loa ter um verdadeiro ataque de nervos, haja exatamente da maneira oposta.
Finja: Lidar com vampiros emocionais é como lidar com uma criança de cinco anos. Eles são limitados pela sua maneira de pensar e por suas energias negativas, dificilmente mudando esse jeito de ser. Se você imaginar que está lidando com uma criança, você terá mais paciência e será mais firme.

Se defenda: Confrontar um vampiro emocional será necessário em algum momento. Evite acusações, críticas e discussões. Apenas deixe claro que você terminará a relação ou se afastará, caso o comportamento dessa pessoa não mude. Se você já está decidida a terminar o relacionamento, limite-se a dizer que o comportamento dele ou dela não é interessante para você, e que você prefere cortar relações.

Não seja uma vítima: As pessoas nos tratam da maneira como permitimos que elas o façam. Quando você definir os seus limites, vai se sentir melhor consigo mesmo. Por exemplo, se você disser a uma pessoa que não paga suas dívidas que não emprestará mais dinheiro e permanecer firme em sua posição, ela provavelmente deixará de fazê-lo. E é aqui que entra a sua autoestima. Quanto melhor você se sentir em relação a você mesmo, mais exigente será em relação a como as pessoas tratam você. Os vampiros emocionais se afastarão mais rapidamente.

Invista em boas relações: Nunca permita que a sua vida gire em torno de um vampiro emocional. Invista em boas relações, dê valor a quem cultiva bons sentimentos por você e se afaste sem medo de quem não se preocupa com o seu bem-estar.

Tenha certeza: manter uma relação com um vampiro emocional, por mais inofensiva que ela pareça ser, vai prejudicá-lo de alguma forma. E você não perderá nada deixando-o para trás.

Você é um vampiro? Se você constantemente se coloca no papel de vítima, se costuma criticar e falar mal dos conhecidos, se prejudica as pessoas levando em consideração apenas os seus sentimentos e necessidades, você pode estar sugando seus conhecidos. Mas não há razão para se preocupar. Todos nós temos a habilidade de nos conscientizar desse comportamento e mudá-lo. Comece a agir de forma contrária, propositalmente. Ao invés de criticar as pessoas, por exemplo, passe a elogiar (com sinceridade).

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Fabiolla Fonseca
Psicóloga, nascida em Itacoatiara, casada e mãe de duas filhas. Especialista em Psicologia Jurídica.

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