claudio bernardes
*Claudio Bernardes

Prática é absolutamente indesejável, mas sua média anual vem caindo.

Nas últimas semanas, a Amazônia tomou conta das manchetes nacionais e internacionais. Desde as discussões sobre a veracidade das informações sobre desmatamento anunciadas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) até recentemente, com a divulgação dos incêndios que lá estão acontecendo.

Parto da premissa básica que os dados divulgados pelo Inpe, instituto composto por profissionais do mais alto gabarito tecnocientífico e com larga experiência nessa área, são absolutamente fidedignos. Alio a essa premissa outra asserção fundamental: a importância e a necessidade crucial de preservar a Amazônia.

Creio, contudo, que a grande maioria da população brasileira tem conhecimento apenas superficial sobre as questões relacionadas ao desmatamento na Amazônia e até quanto ao tamanho do seu território. Afinal, qual o tamanho e quais os estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal? Quanto dessa área foi efetivamente desmatada até hoje?

Queimadas se espalham pela Amazônia

A Amazônia Legal é constituída por nove estados brasileiros: Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Amapá, Pará, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. Essa região encerra uma área aproximada de cinco milhões de quilômetros quadrados, cerca de 61% do território brasileiro.

Relatório publicado pelo Inpe em 6 de abril de 1989 trouxe informações importantes sobre o desmatamento da Amazônia até aquela data.

Segundo o relatório, o desmatamento desde os primórdios até 1975 foi de 27.698 quilômetros quadrados, equivalentes a 0,53% da área total. Pode-se considerar que até o ano de 1975 aquela era uma região praticamente intocada. Tínhamos preservados 99,47% da Amazônia.

De acordo com o mesmo documento, entre 1975 e 1988 houve significativo aumento do desmatamento, com a supressão de mais 251.429 quilômetros quadrados de florestas, resultando em uma área média anual de desmatamentos de 20.952 quilômetros quadrados. Dessa forma, a área total desmatada até 1988 era de 279.127 quilômetros quadrados.

A partir de 1988, o monitoramento passou a ser feito pelo sistema Prodes, de forma analógica até 2002 e digitalmente de 2003 em diante. Esse monitoramento constatou que o desmatamento entre 1988 e 2018 foi de aproximadamente 430 mil quilômetros quadrados.

É importante ressaltar que os números apresentados no relatório nos mostram que a média anual de desmatamentos entre 1988 e 2008 foi de quase 17 mil quilômetros quadrados, enquanto a média anual ocorrida entre 2009 e 2018 foi menos da metade, de aproximadamente 6.000 quilômetros quadrados.
A primeira constatação clara é que, embora absolutamente indesejável o desmatamento na Amazônia, a média anual de área desmatada vem caindo, atingindo, na última década, 6.493 quilômetros quadrados, o equivalente a 0,1% da área total da região.

Se computarmos a área desmatada em toda a Amazônia Legal conforme os números divulgados pelos relatórios do Inpe até 2018, teremos aproximadamente 700 mil quilômetros quadrados, o equivalente a quase 13% de sua área total.

Seguramente, termos desmatado 13% da área de florestas da Amazônia Legal, mesmo que parte disso tenha ocorrido para a produção de alimentos, não é fato do qual possamos nos vangloriar. Ao contrário, é um alerta importante para que medidas sejam tomadas imediatamente no sentido de controlar e diminuir cada vez mais o desmatamento ilegal.

É compreensível que estados como o Mato Grosso, que responde por grande parte da produção de carne em nosso país, tenha uma área maior destinada a pastagens na comparação com o estado do Amazonas. Contudo, nada justifica a falta de medidas objetivas e eficientes para impedir o desmatamento ilegal.

Esse estado de coisas deve ser rapidamente revertido e a legislação florestal respeitada, para que o restantedas florestas da região amazônica brasileira tenham a preservação e a conservação necessárias para que se mantenham como grande fator de equilíbrio da estabilidade ambiental.

*Engenheiro Civil. Artigo na Folha de São Paulo, Caderno Opinião, de 02/09/2019.
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