Com a oscilação do dólar, na nova crise econômica global, considerando as contribuições da indústria da ZFM para interiorização do desenvolvimento, os fundos chamados FTI e FMPES, R$1,1 bilhão/ano, podemos afirmar que são transferidos mais de US$ 200 para o beiradão (?). Dado o abalo geral, onde sempre sobram janelas de oportunidades, é hora de criar saídas, como por exemplo revisitar esse manancial de novos negócios chamado extrativismo, considerando sua presença, ao lado da agricultura e pecuária na descrição dos indicadores econômicos da região amazônica. Existem alguns paralelos entre o Pará, Rondônia e Amazonas, estados que geram recursos a partir daí, com destaque para os dois vizinho, onde o Pará tem-se destacado no contexto da economia nacional. Enquanto no Amazonas padecemos as mazelas de uma legislação punitiva, no Pará é proibido proibir se for viável economicamente empreender e assim corrigir eventuais distorções dos estoques naturais. Falta-nos a humildade de reconhecer os avanços de quem efetivamente trabalha em áreas que sobejamos.

Nióbio, o mineral emblemático

No Amazonas, a economia do Polo Industrial de Manaus se tornou fonte quase única da sustentabilidade social. Poucas atividades empreendedoras merecem qualquer destaque nas estatísticas rurais do IBGE. Com uma biodiversidade pujante, e vocações de negócio capazes de levar ao delírio qualquer investidor desavisado, não sabemos dizer porque não manejamos a parcela territorial de 20%, autorizada pelo Código Florestal. As oportunidades são gritantes: serviços ambientais, recursos hídricos, inexaurível província mineral, onde estão mapeadas as ocorrências de minerais estratégicos de alto valor no mercado internacional. Alguém sabe o que foi o Projeto Radam, um levantamento precioso dos estoques minerais da Amazônia? Na prática, exploramos legalmente menos de 1% desse tesouro e não há razão substantiva para evoluir essa constrangedora métrica. Ilegalmente, exportamos nióbio impunemente e por debaixo dos panos públicos.

As cadeias produtivas não-predatórias

Em 2013, participamos da formatação do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas, PRODESUS, uma iniciativa do BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento que mobilizou todos os atores ligados à pesquisa e ao desenvolvimento de cadeias produtivas não-predatórias, entre os quais os tradicionais organismos estaduais e federais, cooperativas, entidades de classe,  todos ligados ao fomento e expansão econômica do setor primário. Ao todo, contavam-se mais de 70 integrantes institucionais, numa perspectiva multidisciplinar e interinstitucional. Washington autorizou a liberação de US$ 200 milhões, além de US$ 2 milhões para viabilizar o detalhamento do projeto, fomento de empreendedorismo no beiradão amazônico no contexto da sustentabilidade socioeconômica e ambiental.

Extrativismo sustentável

Ou seja, entre os vários caminhos de que dispomos, um deles, destacados com louvor,  seriam as cadeias produtivas do extrativismo sustentável na direção da inovação tecnológica – como foi feita a Domesticação da castanha-do-Brasil na Fazenda Aruanã, em Itacoatiara com plantio intensivo – para dar suporte à agroindústria. Itens alcançados: açaí, abacaxi, banana, borracha, castanha do a Brasil, cacau, citrus, feijão de praia, fibras, guaraná, leguminosas, mamão, maracujá, pecuária de leite, pesca artesanal e piscicultura. Sabe o que aconteceu? Nada. Cabem várias teses acadêmicas para decodificar essa vergonhosa omissão. Entretanto, resta uma certeza: chegamos bem perto do amanhã. Basta lembrar que, a cada ano, a indústria instalada em Manaus, o equivalente aos mesmos UU$ 200 milhões do BID, são R$1,4 bilhão para qualificação acadêmica de recursos humanos e interiorização do desenvolvimento. Uma bolada usada para custear a lenta, pesada e ineficiente máquina pública. Dá para acreditar? Voltaremos…

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Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo e ensaísta. Consultor do Centro da Indústria do Estado do Amazonas - CIEAM.

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