Li esses dias o documento ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA DA PETROBRÁS: Estudo com Enfoque na Gestão Baseada em Valor ao Acionista (Julho de 2013), de Jéssica Alves e João Marcelo Pinto Chaves. Tendo por Orientadora a professora Thereza Cristina Nogueira de Aquino, o documento refere-se a um Projeto de Graduação apresentado ao Curso de Engenharia de Produção da Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Engenheiro.

O estudo demonstra que o endividamento da Petrobrás, que em 2011 era de US$ 54.9 bilhões, evoluiu para US$ 72.3 bilhões em 2012. O resultado do ano de 2012 foi fraco e o balanço se mostrou comprometido. A situação de dificuldade da empresa já se arrasta de algum tempo.

A Petrobrás, afirmam Alves e Chaves,  enfrentou dificuldades na sua produção, tiveram despesas não previstas com poços secos que chegaram a R$ 7 bilhões, a paralisação das operações da Chevron no Campo de Frade por conta de um vazamento em novembro de 2011 e as entregas postergadas de plataformas (como aP-55), geraram uma série de ações para as ordens de monitoramento que envolveu toda a empresa. Com isso, a Petrobrás produziu menos 28 mil barris por dia por dificuldades operacionais previstas em 2012, a produção caiu pela terceira vez em 59 anos. Foram 14 milhões de barris a menos no ano de 2012, com queda de 2,07% em comparação com 2011. A produção da empresa total (gás natural e petróleo – Brasil e exterior) caiu 1,6%  no quarto trimestre de 2012  em relação ao quarto trimestre de 2011.

Os problemas persistiram e em dezembro de 2013 a dívida total da empresa somava R$ 267,8 bilhões, em torno de  US$ 116.4 bilhões. No ano em curso a dívida da Petrobrás aproximou-se de R$ 300 bilhões (cerca de US$ 130.4 bilhões).

No ano passado, a Petrobrás importou 433 mil barris diários de combustíveis, principalmente gasolina e diesel, volume 12% maior do que os 387 mil barris diários no ano anterior. A importação líquida da Petrobrás no quarto trimestre de 2012 foi 429 mil barris por dia de derivados contra 226 mil de importação líquida no quarto trimestre de 2011, praticamente dobrou a importação líquida de derivados e isso prejudicou muito a margem na empresa não só no quarto trimestre como também nos últimos anos.

Aponta ainda o documento que as refinarias no Brasil já estão operando a plena capacidade (96% da capacidade total) e novas refinarias são esperadas para entrar em operação apenas no final de 2014 ou 2015. Então esse excesso de demanda acaba comprometendo seu balanço, uma vez que a demanda será suprida por importações, ocasionando a área de abastecimento da Petrobrás tivesse prejuízos significativos, afetando o desempenho da empresa.

No gráfico 31 do Relatório (aqui não transcrito) pode-se  visualizar o menor lucro líquido dos últimos anos, total de R$ 21,18 bi em 2012 , sendo que em 2011 foi de R$ 33,3bi , queda de 36% em relação ao ano anterior. O último resultado abaixo do de 2012 foi em 2004 no total de R$ 17,8 bilhões.

No ano de 2012, os investimentos, no total de R$ 84.137 milhões, foram direcionados ao aumento da capacidade produtiva, a modernização e ampliação do parque de refino e a integração e expansão dos sistemas de transporte, através de gasodutos e sistemas de distribuição. Sendo a maior parte investida nas atividades de Exploração & Produção (R$ 42.970 milhões) e Abastecimento (R$ 28.860 milhões).

A Petrobrás chegou a perder seu posto de empresa mais valiosa do Brasil e permaneceu seis meses como a segunda no ranking brasileiro, atrás da Ambev. A diferença sobre a Vale, a terceira colocada, que chegou a ser de R$ 50 bilhões no fim de 2012, caiu para apenas R$ 15 bilhões logo após a saída dos resultados de 2012.

O estudo dos engenheiros Jéssica Alves e João Marcelo Pinto Alves é enfático ao ponderar:

  1. No ranking mundial, a Petrobrás também está em decadência. Dois anos atrás, a estatal brasileira chegou a ser a terceira maior petroleira do planeta em valor de mercado, hoje é apenas a oitava com valor de mercado de US$ 117,8 bilhões (valor de fevereiro de 2013). Desde outubro de 2010 quando realizou sua maior capitalização, a empresa perdeu US$ 106,7 bilhões, a maior queda entre as empresas mundiais do setor. A queda das ações alcança 36% desde então.
  1. As concorrentes mundiais da Petrobrás têm apresentado um bom desempenho. No ano passado, o barril de petróleo cotado a mais de US$ 100 permitiu as companhias como Exxon Mobil, Royal Dutch Shell e Chevron apresentarem aumento de lucro de 6%, 3% e 41%, respectivamente. Até a British Petroleum que mantém imagem negativa desde o derramamento de petróleo no Golfo do México, teve suas ações subindo quase 2% este ano.
  1. A Ecopetrol, companhia colombiana de petróleo tem valor de mercado superior a Petrobrás, sendo que produz cerca de três vezes menos do que a petrolífera brasileira e detêm as recentes descobertas de petróleo no pré-sal. A Ecopetrol é bastante sensível às decisões políticas (o governo colombiano detém 80% do capital), além de contar com um mercado de ações local menor. O fluxo de investimentos pode ser um dos motivos do bom desempenho da Ecopetrol, uma vez que as restrições dos fundos de pensão colombianos a investimentos estrangeiros aumentariam os investimentos para a petrolífera.

Um dado importante a salientar. Não obstante as dificuldades que vem enfrentando os governos (Federal, Estadual e Municipal) receberam, pelas mãos dos trabalhadores da Petrobrás, diretamente, mais de R$ 84 bilhões (84 bilhões de  prêmios da Mega-sena) em impostos, contribuições e participações governamentais. Se incluirmos a participação do governo no lucro (48%), esses valores ultrapassam os 100 bilhões de reais.

O “mau negócio” Refinaria de Pasadena (PRSI), no Texas, comprada por mais de 1.3 bilhão de dólares é, por conseguinte, apenas um novo capítulo de uma sucessão interminável de erros gerenciais misturados a vultosos esquemas de corrupção que vêm corroendo a estrutura econômica e financeira da Petrobrás, a empresa símbolo do Brasil.

Mas os escândalos que abateram os ex-diretores Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró  estão longe fim. Há muito mais lenha a ser colocada na fogueira como nos casos das refinarias de Abreu Lima, Pernambuco, e de San Lorenzo, na Argentina.

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Osíris Silva
O economista Osíris M. Araújo da Silva é consultor de empresas, ex-secretário Municipal de Economia e Finanças da PMM, ex-secretário da Indústria, Comércio e Turismo e ex-secretário da Fazenda do Amazonas. É presidente da AMAZONCITRUS – Associação Amazonense de Citricultores, membro do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA), do INPA, e articulista econômico de A Crítica.

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