“O que têm os curitibanos é um percurso de luz no qual os artistas contam a história e anunciam a vida de Jesus, ‘afinal, o que é a vida senão um caminhar pela escuridão em direção à luz’.

As luzes que decoram a cidade, a edificação das primeiras árvores simbólicas e a movimentação das pessoas em busca de presentes e formas de congraçamento em meio a essa pandemia infernal, anunciam a chegada do Natal do Menino Jesus conforme o conceito cristão e a tradição valorizada por grande parte da humanidade.

Essa movimentação se dá mesmo diante de inúmeras recomendações de recolhimento, cautela, distanciamento social e uso de máscaras que seriam as únicas formas de prevenção contra o vírus que assola o mundo.

Em meio a esse clima de incerteza e insegurança social agora em razão do alastramento renovado do vírus que modificou os hábitos das populações de todas as línguas e credos, em todos os continentes da terra, para que a família curitibana não ficasse sem o espetáculo de Natal tão comum e tradicional há muitos anos, o prefeito da cidade, recentemente reeleito com esmagadora maioria de votos, resolveu inovar organizando um evento totalmente diferente da queles que vinham sendo realizados com considerável sucesso.

As janelas do casarão tradicional do centro histórico da cidade que eram iluminadas para a “Cantata de Natal”, à qual acorria grande público e que ganhou fama pelo país, cederam lugar a outro modelo de festa que, pela forma como foi concebida e concretizada, preserva os artistas e o público dos riscos de contágio, segue as orientações de saúde pública, e, ao mesmo tempo, conforta o coração de quantos, pela arte, alimentam o espírito e fortalecem os votos de confiança em novos tempos com a festa natalina.

O ex-ministro Rafael Greca, atual prefeito curitibano em terceiro mandato, um dos mais renomados arquitetos-urbanistas mundo afora, com sua equipe, concebeu uma “Passeata de Natal”, vamos dizer assim, na qual o público é o caminhante em seus próprios veículos, passeata a ser feita em um dos belos parques de sua cidade para contemplar os quadros cênicos comumente apresentados em montagens teatrais da vida de Jesus, especialmente de seu nascimento.

Vi o filme com essas cenas que está circulando pelas redes sociais. Vi com olhos marejados e coração pulsando mais forte. Vi o quanto o artista pode, com sua criatividade ou mais que isso – genialidade-, produzir o belo mesmo em situação tão adversa e até de desespero, dor e saudade profunda para muitas famílias pela perda de entes queridos, e para a humanidade em geral pelo sofrimento comum que se abate sobre todos nós.

Com isso, reafirma-se não só o valor da data, a relevância da fé e a prática artística que ela sugere, mas, também, o quanto cabe ao homem público consciente dos seus encargos, se determinado a cumpri-los, realizar pelo bem-estar da população sob sua liderança. O que têm os curitibanos é um percurso de luz no qual os artistas contam a história e anunciam a vida de Jesus, “afinal, o que é a vida senão um caminhar pela escuridão em direção à luz”, diz Greca ao apresentar a produção por eles concretizada.

Trata-se do Natal vivo que além de estar dando oportunidade aos artistas de mostrarem, mais uma vez, o quanto são inovadores, criativos e capazes, gera emprego e renda em época tão difícil e, acima de tudo, reaviva e renova no coração angustiado das pessoas o amor, a paz e a esperança.

O “Parque Barigui”, belo e exuberante parque que orna a capital do Paraná se transformou no palco iluminado que anuncia o Natal de Jesus.

Que bela ideia!

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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