Homenagem a dom Jorge Eduardo Marskell, saudoso bispo da Prelazia de Itacoatiara, que, se estivesse entre nós, no dia 08 de novembro de 2015 teria completado 80 anos de idade.

Os três artigos que antecederam a este foram retirados do meu livro “A Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Itacoatiara”. A despeito de constatarem ter sido dom Jorge Marskell um paladino da fé e da esperança, de per si não esgotaram a enumeração da trajetória do saudoso segundo bispo de Itacoatiara. Agora, trago à colação, encerrando a presente série, a notícia de algumas passagens inusuais ou ‘fora dos muros’, isto é, em dadas circunstâncias da vida de dom Jorge Marskell, que tive a honra de testemunhar. Tal encaminhamento é no interesse de relevar e dourar a simpatia, os gestos simples e os atributos generosos de um homem cujos méritos pessoais e profissionais constituem exemplos que serão lembrados por muitas e muitas gerações. Operamos ainda com o pressuposto de colaborar com alguns possíveis interessados em biografá-lo. Vamos aos fatos:

01) Foi relatado que ao chegar a Itacoatiara, em julho de 1962, Jorge Marskell teve dificuldades de comunicação com os naturais da terra. De português recebera ligeiras lições em Brasília. Levaria anos para pronunciar corretamente alguns termos da nossa língua (confundia átimo com ótimo e o próprio nome da cidade dizia às avessas: Idicoatiara). Desde logo passamos a trocar ideias: ele me ensinava o inglês e eu, ainda no segundo ano ginasial, mas já esfomeado por Literatura e Língua Portuguesa, levava-lhe noções de português. Entre seus livros de cabeceira, além de um dicionário didático, estava “Introdução à Sociologia da Amazônia”, do professor André Vidal de Araújo (1898-1975).

02) Interessado em extrair novidades das conversas que entabulava, tudo anotava em uma caderneta de bolso. Certa feita, ao retornar de uma viagem à cidade de Urucará, procurou-me interessado em saber o significado de “Meio rana”, frase que ouvira ao cumprimentar uma agricultora do lugar.

– Como vai, senhora?

– Meio rana, padre!

Expliquei-lhe que rana é um sufixo da língua tupi; tem o objetivo de negar originalidade; se traduz para ilegítimo, aproximativo, quase igual. E dei exemplos: cedrorana, cacaurana (cedro e cacau ilegítimos); irmãorana (meio irmão ou pseudoirmão), filhorana (filho bastardo, nascido fora do casamento).

– Mas, a língua portuguesa não é de origem latina? Como pode?…

Repliquei, informando-lhe que o caráter ‘integrativo’ do idioma falado no Brasil permitia assimilar termos de quaisquer outras línguas (e, como naquele caso específico, até termos do glossário indígena).

Mostrei ao amigo Jorge que a língua portuguesa não era somente a que constava dos livros, a que se ensinava nas escolas, a utilizada entre pessoas da elite pensante. Havia uma variante dita “popular”: a linguagem dos incultos, dos pobres, daqueles que não frequentaram escola…

Por exemplo – completei – no interior, ao cumprimentarmos alguém (Como vai o senhor – ou a senhora?), invariavelmente recebemos; um Eu vou, bem obrigado! – ou um Eu vou mais ou menos!(dificilmente recebemos em resposta: Eu vou mal! ou Eu estou péssimo!). Mas o caboclo amazonense puro, da velha cepa, pode até inovar respondendo: Eu vou meio rana! (traduzindo: Vou mais ou menos bem!).

Jorge Marskell ouviu atentamente, assimilou bem as explicações e tudo anotou em sua caderneta. (Segundo fui informado, logo pediu à CNBB, em Brasília, para que lhe enviassem um dicionário tupi-português, que o ‘devorou’ em pouco tempo). Alguns anos depois, num de meus eventuais retornos à Itacoatiara – já estudava em Manaus – fui visitar meu amigo, na Casa Paroquial.

– Padre Jorge: como vai o senhor?

– Vou meio rana, Chico!

03) O jeito simples de agir e falar da população de Itacoatiara logo chamou a atenção de Jorge Marskell; dado que, certamente, influiu sua personalidade orientando-o a seguir os caminhos do povo. Naqueles tempos (mais do que hoje), a solidariedade entre vizinhos se revelava fortíssima em casos de doença, serviço de parto ou desgraça na família. Em tais situações, alguém logo se apresentava para trazer a medicação caseira cabível ao caso concreto, ou se oferecia para levar o benzedor, a parteira ou o padre. Em contraposição a tais gestos cristãos, humanitários, grande parcela da população tendia para uma extremada e hipócrita defesa do pudor. O tempo era propício à proliferação do fuxico e à disseminação de boatos; uma época em que os padres eram proibidos de sair à noite. Mais grave ainda se fossem vistos pelas redondezas do ‘Cassino do Califórnia’ – antro licencioso, um enorme salão de festas rodeado de casas de mulheres prostituídas. Estas, embora discretas e sem debochar de ninguém, recebiam seus “clientes” geralmente à noite e sem alardes. Mas, eram fortemente discriminadas e seus amantes policiados.

Entre as funções especiais da Igreja estavam visitar os idosos e os doentes e atender chamados para ministrar extrema-unção aos moribundos. Eram inúmeras demandas e, nesses casos, Jorge Masrskell era aprimorado. Logo aprendeu a andar de bicicleta (meio de transporte urbano dos religiosos canadenses em seus primeiros anos de Itacoatiara!). Mas, quando os chamados vinham do bairro de Pedreiras, à tardinha ou à boca da noite, o jovem padre se enchia de preocupação, temia ser caluniado. Justo por que naquelas bandas funcionava o ‘Cassino do Califórnia’. Sua primeira providência foi pedir para que alguém o acompanhasse. Montado em minha velha bicicleta, segui-o em várias oportunidades.

Na primeira vez, o convite foi mais ou menos assim:

– Você pode me levar até à rua do Matadouro? Lá o velho Carão está passando mal, precisa ser recomendado a Jesus. Já é quase noite… Depois vão inventar que eu fui atrás das putas do Califórnia.

E lá ia eu, em sua companhia, para resguardá-lo das más línguas.

04) Os primeiros anos de convivência com os padres canadenses me propiciaram conhecer e discutir sobretudo com o jovem padre Jorge as revolucionárias encíclicas dos papas João XXIII (1881-1963) – que abriu o Concílio Vaticano II – e Paulo VI (1897-1978) – que, à morte do primeiro em 03/06/1963, completou aquele importantíssimo conclave que iria mudar drasticamente os rumos da Igreja Católica.

João XXIII ofereceu ao mundo católico a Encíclica Pacem in terris pregando a “paz de todos os povos na base da verdade, justiça, caridade e liberdade” – um documento recebido com extraordinária aclamação; era inseparável do contexto que então se vivia de Guerra Fria, expressada na rivalidade entre os sistemas capitalista (liderado pelos Estados Unidos da América) e comunista (encabeçado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Uma encíclica dotada não só de notável propriedade na compreensão da realidade humana, mas também se apresentava com uma tonalidade simultaneamente doce e rigorosa, exigente e apelativa. Como indicado em seu próprio título, tratava primordialmente do tema sobre direitos humanos.

Entre as encíclicas lançadas pelo papa Paulo VI, há que destacar a Populorum progressio e aHumanae vitae. A primeira, de 26/03/1967, dedicada à cooperação entre os povos e ao problema dos países em desenvolvimento – à época conhecidos como “países do terceiro mundo” – criticava “tanto o liberalismo sem freio, como a coletivização e a planificação arbitrárias”, que privavam os homens da liberdade e dos direitos fundamentais da pessoa humana; e a segunda, publicada aos 25/07/1968, sobre a regulação da natalidade, descrevia a postura da Igreja em relação ao aborto e especificamente à proibição da contracepção exclusivamente por meios artificiais.

Além do aprendizado pessoal resultante da análise e discussão desses três documentos pontifícios, tive em mim reforçada a impressão de que Jorge Marskell não era (jamais seria) um sacerdote carreirista, um carola ou extremado papista, disposto a cumprir as ordens de cima, um ausente das questões sociais, alheio aos sofrimentos de seus fiéis – pobres fiéis! Reporto-me aqui ao seguinte fato:

Meados de 1960. Uma respeitável profissional médica trabalhando na unidade sanitária do antigo SESP, em seu gabinete atendeu a uma senhora acometida de tuberculose. A paciente, mulher solteira, estava muito debilitada, havia pouco dera à luz um menino.  Em face de levar uma vida desregrada, a qualquer tempo poderia engravidar e, se assim fosse, dali sairia o terceiro ou quarto filho – como os anteriores, de pais diferentes, frutos de relações promíscuas. Seria mais um a integrar o extenso rol das crianças sem futuro, abandonadas. Portanto, engravidar naquelas condições não era aconselhável. Além dos conselhos de praxe, a médica receitou anticoncepcionais à paciente.

Exceto nos casos de ausência da cidade, padre Jorge era costumeiramente visitado por pessoas de menor posse, os chamados excluídos da população, visitas que retribuía com aconselhamentos e doação de alguma ajuda material.  E assim agiu em relação à personagem do fato que acima relatamos: pediu-lhe paciência quando nos momentos de dificuldades e coragem nos de tentação. E o mais surpreendente: pediu à determinada farmácia da cidade para que lhe aviasse a receita do contraceptivo.

Para Jorge Marskell, vidas humanas valiam mais do que seguir o “plano de Deus”. A despeito de contrariar as recomendações da então recentíssima Humanae vitae, mais importante era socorrer uma mulher que vivia em pobreza abjeta. Pareceria inexplicável um padre do interior amazonense ‘desobedecer’ à orientação papal, ‘quebrar’ uma proibição de natureza ritual e religiosa que se prolongaria pelos tempos. O texto da Humanae vitae mandava rejeitar o uso de qualquer método contraceptivo. Padre Jorge, quem sabe, talvez agisse por impulso do momento, movido pela emoção. Conscientemente, ou não, apoiava-se num princípio antigo da doutrina cristã, que os teólogos costumam chamar de gradualismo ou lei da gradualidade. Esse princípio é um reconhecimento do fato de que dilemas morais, muitas vezes, não são uma questão de tudo ou nada, mas também podem envolver a escolha do menor dos males.

Para Jorge Markell, os temas pobreza e fome eram muito sensíveis, preocupantes, dominavam seu discurso, significavam o norte de sua ação pastoral. Além de conhecedor da obra do médico e geógrafo brasileiro, o então consultor da ONU Josué de Castro (1908-1973) – especialmente “Geografia da Fome” e “Geopolítica da Fome”, que os havia lido em inglês – ele transformou o Centro de Treinamento da Prelazia (CENTREPI) num verdadeiro palco de debates, e ali professaram e debateram vários cientistas e religiosos ligados à CNBB.

Além do domínio teórico do assunto, dom Jorge o conhecia profundamente na prática, dado o seu convívio quase diário com os pobres da Prelazia. Aqui e ali surpreendia, adentrando nas casas da periferia, geralmente na hora das refeições: doía-lhe o coração testemunhar cozinhas com panelas vazias e fogões frios, sem nenhum sinal de fogo aceso. Ali reinava a miséria, proliferava a fome! Então, o desemprego em Itacoatiara era gritante e enorme o número de pedintes. A tuberculose grassava: era conhecida como a “doença dos subnutridos”, a “doença que pega nos outros”, pensada como moléstia infectocontagiosa: o doente ficava sozinho, geralmente isolado no fundo do quintal, sem o amor dos filhos, sem a consideração dos amigos.

Discutimos muito a respeito da questão social. Algumas de nossas ideias eram trocadas a três: ele, eu e o sociólogo João Bosco Pantoja Evangelista, que sempre nos finais de semana estava em Itacoatiara, colhendo dados para um trabalho sobre as condições sociais do bairro do Jauari. Infelizmente, tal obra não foi concluída: no final de 1967, após um dia de intenso trabalho de pesquisas, o ilustre intelectual amazonense, acompanhado de sua namorada, também cientista social e originária de São Paulo, foi tomar banho no Lago do Canaçari, e lá faleceu vítima de afogamento.

05) Como dito anteriormente, Jorge Marskell foi um ativo formulador/defensor da Teologia da Libertação. Nessa condição, ajudou a formar líderes autênticos. À época, deu apoio irrestrito ao PT e jamais escondeu a excepcional admiração que nutria por Lula. Porém, por ter acreditado e defendido a bandeira petista, se ainda estivesse entre nós, hoje, certamente estaria muito decepcionado. Sim, por que acompanhar as atuais investidas contra Lula não deixa de ser triste para todos os que acreditaram que um operário pudesse chegar a ser presidente da República e trabalhar para devolver a dignidade aos mais humildes.Segundo o testemunho de Frei Betto, um amigo comum do bispo Jorge e do político Lula, o castelo de cartas ruiu. O mito iludiu milhões de brasileiros, que o viam como um ser predestinado a trazer esperança a um mundo tão cinzento. O mesmo frei Betto, em artigo intitulado “A fábula petista” (há um ano publicado na Seção de Literatura deste blog), reafirmou: “O PT robusteceu o mercado financeiro e deu passos tímidos à reforma agrária. Agradou as empreiteiras e despolitizou a nação. Deixou de valorizar o trabalho de formiga e passou a entoar o canto de cigarra. O projeto de Brasil deu lugar ao de poder”.

Tudo diferente do que pensava dom Jorge Marskell. Sua luta apoiava-se fundamentalmente nos discursos de João XXIII e Paulo VI, ou seja, centrava-se na compreensão da realidade humana, mas também se apresentava com uma tonalidade simultaneamente doce e rigorosa, exigente e apelativa. Sem jamais abdicar da defesa dos direitos humanos. De resto, essa utopia fora amadurecida na Conferência de Medellin, em 1968, sem dúvida um momento de reflexão do Vaticano II à luz da realidade vivida na América Latina.

Homem de diálogo, Jorge Marskell conviveu pacificamente com o então dirigente da Igreja Batista de Itacoatiara, pastor Darciso Medeiros, este um excelente tribuno, adepto e propagador do protestantismo popular, desvinculado de preconceitos e que se comunicava muito bem com a Prelazia; em cooperação com a Igreja Católica, pôs em funcionamento a Casa de Saúde “Dr. Heitor Sento Sé”, de amparo à maternidade e à infância, e da amizade de ambos nasceu uma forma construtiva de encarar e resolver os problemas comuns às duas denominações. Com o tempo, essa aproximação se estreitaria ainda mais, fortalecendo os canais de comunicação cristã em nível local, um exemplo para todo o Estado do Amazonas. Tais gestos de boa vontade e civilidade, além de representarem um modus vivendi de coexistência pacífica entre líderes de seitas diferentes, se enquadravam perfeitamente às diretrizes do Vaticano II, direcionadas à causa da propagação e defesa do ideário de Cristo.

06) Pouco antes de falecer, dom Jorge Marskell provou mais uma vez que jamais abandonaria os seus amigos. A população do Município de São Sebastião do Uatumã, integrante da Prelazia, cansada de ser enganada pelos mandões políticos da terra, num ato de bravura e desespero, botou para correr os agentes políticos locais e tocou fogo nos prédios da Câmara e da Prefeitura. Um caso que repercutiu no mundo inteiro e foi manchete na mídia de todo o País. Imediatamente, membros da Segurança Pública, de Manaus, e um forte contingente militar originário de Itacoatiara foram deslocados para por cobro aos distúrbios resultando na prisão de dezenas de pessoas. Dom Jorge dirigiu-se a Manaus com a intenção de contratar um advogado para defender os populares e liberá-los da cadeia. Mas, voltou muito decepcionado: o profissional escolhido para cuidar do caso só viria mediante o pagamento de altos honorários, valores incompatíveis com as possibilidades orçamentárias da Prelazia.

Procurado por seu amigo, este escriba, então Promotor de Justiça aposentado e reinscrito na OAB-Am, acompanhou dom Jorge a São Sebastião – e o dispensou do pagamento de quaisquer ônus relacionados à momentosa questão. Após três ou quatro dias de intenso trabalho junto ao Fórum de Justiça da cidade, logramos finalmente liberar todos os acusados – quase cem pessoas, entre pais de família, mulheres e menores de idade. Pela vitória, dom Jorge rezou missa solene na Matriz local.

Na primeira noite em São Sebastião do Uatumã, cansados, eu e o nobre bispo, nos recolhemos ao Centro Paroquial: uma casa de madeira ainda em construção e sem janelas. De nossas redes de dormir, cedidas por comunitários locais, víamos os passantes livremente transitando pela rua, em frente; e, por eles, éramos facilmente divisados. Ao comentário de que “poderíamos ser facilmente alvejados por adversários”, dom Jorge respondeu:

-Homem de bem não morre!

Naquela e nas noites seguintes de São Sebastião, verifiquei que, inobstante se mostrasse tranquilo, dom Jorge pouco dormiu e muito rezou. Dali a alguns meses, a dramática notícia: ele estava com câncer…

A viagem de ida, no trecho entre Itacoatiara e Itapiranga, fizemos num Jeep dirigido pelo próprio bispo. De Itapiranga a São Sebastião seguimos na embarcação da Prelazia – idêntico meio de transporte utilizado em nosso retorno para Itacoatiara, e nos revezávamos ao leme. Quando nos aproximávamos da Ilha do Risco (lá pelas 11h30m daquele dia) dom Jorge Marskell diminuiu a força da embarcação e convidou-me para almoçar. Aconteceu então o inusitado.

Em silêncio, ele abriu uma lata de carne em conserva e, sem sequer aquecê-la, colocou metade em meu prato e a outra no seu, completando-os com uma porção de farinha d’água. Rezamos um Pai Nosso e uma Ave Maria e em seguida comemos. Após a ‘refeição’, dom Jorge apanhou do armário duas canecas (na verdade, duas latinhas tipo leite condensado), encheu-as de água retirada de um pote de barro, e bebemos. Feito isso, deu força à máquina e dali a pouco alcançamos Itacoatiara.

Tal gesto franciscano de dom Jorge Marskell não era novidade; era, sim, uma ação compatível com o voto de pobreza que ele jurou cumprir desde quando abraçou o sacerdócio. Eu o vi agindo assim desde o início, quando chegou a Itacoatiara. Jamais me surpreendeu o seu jeito simples de viver. Sua postura nunca foi artificial, mistificadora.  Ele era um sacerdote que não costumava experimentar os seus circunstantes e ouvintes. No ato de me servir a refeição frugal, quase impalatável, ele não me submetia a provas. Conhecia minhas origens. Ele sabia que podia contar comigo. Sempre contou.

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Como teorizado nestas linhas, a trajetória do saudoso bispo de Itacoatiara resultou em grandes lições e memoráveis exemplos. Além da homônima entidade filantrópica criada em Itacoatiara, conforme acima citado, ele também foi homenageado com a criação do Prêmio Dom Jorge Marskell, simbolizada por uma estátua dourada em forma de canoa, que é conferida anualmente às entidades e pessoas que contribuem para uma vida mais digna no meio rural e urbano: uma maneira que a CPT-AM (Seção Amazonense da Comissão Pastoral da Terra) encontrou de renovar e incentivar a luta em defesa da preservação de lagos, da floresta e dos povos que vivem na Amazônia; e de manter viva a memória deste lutador que dedicou mais de 20 anos de sua existência às populações carentes do interior.

Certamente, e não demorará tanto, a memorialística amazônica dará o melhor de suas energias para relembrar as experiências da vida pregressa deste paladino da fé e da esperança; descrevê-lo com o máximo de autenticidade e verdade psicológica; e em suma, revelar o personagem que conhecia como ninguém os fiéis da sua Igreja, que os amava profundamente.  Neste final de escrita, faço minhas as palavras de Rui Barbosa (1849-1923), inseridas na página 17 do livro “Ensaios literários”, em memória de Alexandre Herculano (1810-1877):

O bispo dom Jorge Eduardo Marskell não jaz: existe entre nós!

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