Esta frase é atribuída ao naturalista francês, Auguste de Saint-Hilaire, que esteve no Brasil há um século e meio estudando a flora brasileira. O botânico se referia realmente a essa espécie de formiga cortadeira das folhas das plantas, que prejudicavam a lavoura, na época em que não existiam os produtos tóxicos de hoje, chamados de defensivos agrícolas. Mas a frase citada, vem sendo usada, ao longo do tempo, com adaptações à questão do estrago aos recursos públicos, praticado pelos políticos desonestos. Com os fatos da política nacional dos últimos tempos, podemos adaptar a frase aos “garotos” do presidente Bolsonaro. E aí, podemos afirmar que, ou o presidente acaba com a lambança dos seus filhos aloprados, quando falam ou usam as redes sociais para se intrometerem no Governo, com opiniões lesivas à normalidade republicana, ou os indisciplinados “garotos” vão acabar com o governo do pai deles, a quem o povo outorgou, pelo voto, o mandato de presidente da república.

O país não tem mais tempo para viver ao sabor dos mexericos dos filhos do presidente. Ou o presidente controla a fúria desagregadora dos seus filhos, do ponto de vista político-administrativo, e passa a cuidar das agendas das reformas de que o país necessita, urgente, ou o país se perderá com um governo e uma administração paralela dos filhos do chefe do executivo, que exercem forte interferência no governo. Não se lhes quer negar o direito de opinião, como cidadãos de maior idade e no exercício da cidadania. O problema é que cada opinião expendida, tem um grande potencial de estrago à gestão que tem o pai deles como gestor.

Na história do Brasil, há o caso muito conhecido e relatado pelos historiadores, da filha do presidente Getúlio Vargas, Alzira Vargas, que tinha enorme influência no governo do pai, tendo sido chefe de gabinete do governo Vargas. Ela chegou a articular a resistência ao golpe contra o governo do seu pai, que o levou à morte. A sua influência no governo era grandiosa, posto que exercia até o papel de conselheira do chefe de governo. Mas a presença de Alzira Vargas no governo Vargas, pelo que colhemos da historiografia dos fatos, foi positiva e de intensa participação no aconselhamento da execução das políticas públicas do governo. Diferente da “participação” dos filhos do presidente Bolsonaro no governo, que só produzem encrencas incendiárias, deixando a ele, uma única alternativa, que é a função de bombeiro, para apagar o incêndio. Como o presidente os trata como “garotos”, poderia acrescentar o adjetivo “problemáticos”, construindo a frase, “garotos problemáticos”. Um disse que fecharia o STF com um jipe e três soldados, outro se lançou contra o ministro Bebiano, resultando na sua exoneração do ministério que ocupava. Outro, tem contra si forte suspeita de conduta ilícita, envolvendo o seu ex-assessor na assembleia legislativa do Rio de Janeiro. Se o ministro exonerado praticou a conduta ilícita, tinha mesmo que sair do governo, mas não por intolerância ao ministro do filho do presidente. O tal do fundo partidário é uma imoralidade que favorece os dirigentes dos partidos, produzindo laranjas e prejudicando povo, que paga a conta.

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Raimundo Silva
*Amazonense de Itacoatiara. Advogado. Desembargador Federal do Trabalho aposentado. Professor de Direito da UFAM aposentado. Mestre em Direito pela UFPE. Foi vereador em dois mandatos, de 2009 a 2016, e nesse período Presidente da Câmara Municipal de Itacoatiara. Escritor e membro da Academia Itacoatiarense de Letras.

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