Por que acontecem as tragédias? Desde muito jovem me faço essa pergunta. Tive o privilégio de cursar Letras, mas especificamente Língua e Literatura Inglesa na UnB, a prestigiada Universidade de Brasília. Fui aluno de Lucia Sander, especialista em Shakespeare e mestra em nos fazer compreender o sentido das tragédias shakespearianas.

Lucia Sander sempre enfatizava, antes de estudarmos determinado texto trágico de Shakespeare, que jamais podíamos nos esquecer da visão Medieval hierárquica do mundo. O homem medieval acreditava que Deus havia fixado para cada um de nós uma cadeia de valores. Um lugar específico. Um sistema de hierarquias. Essas hierarquias seriam muitas e variadas.

Todavia, lembro-me que essas hierarquias se correspondiam entre si. Deus, Sol, Lua, Terra, por exemplo. Em tudo havia uma gradação. Família, pai, filhos. Deus, reis e súditos. Ordens que deveriam ser temidas e respeitadas.

A crença vigente naqueles tempos era a de que Deus havia criado o universo com esse sistema de hierarquias múltiplas e correspondentes entre si. Nesse sentido hierarquia é uma gradação dos seres, uma ordem que deve ser temida. Assim, tudo que compromete à essa hierarquia traz instabilidade e caos. Aí temos as tragédias.

Em Romeu e Julieta verifica-se que os amantes desafiaram essa ordem. Ao perderam o equilíbrio moral, acabam ocasionando a própria morte.

O tema recorrente de Rei Lear gira em torno das leis naturais desafiadas e refletidas nas relações interpessoais e familiares dele com suas filhas e as outras pessoas ao seu redor. A consequência? Tragédia.

Macbeth, é trágico na pequenez de sua ambição, aflorada com profecia de bruxas. Elas predizem que ele será rei. De soldado valoroso e fiel passa a cometer uma série de atrocidades e assassinatos em busca incessante pelo alcance do objeto desejado: a coroa.

Contudo. Hamlet, a mais famosa das tragédias de Shakespeare, é calcada na vingança. O Rei Cláudio após assassinar o rei, seu próprio irmão, inverteu a ordem natural da vida.

E o que de tão trágico estaria acontecendo nesses tempos? Um amigo militar me explicou:

A ordem natural das coisas, como sempre e desde os velhos tempos é de fato, respeitar a hierarquia. General não bate continência para coronel. Muito menos para capitão.

Compartilhar
Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui