Aprendeu no comércio

a ler, escrever, contar,

mas de tal modo

que compunha poemas,

proferia discursos de improviso

e mantinha correspondência

em estilo afável.

 

Aprendeu a ler tão bem

que incutiu nos filhos

o amor às letras,

a inquietação do conhecimento,

a paixão do saber.

 

Homem de aventuras,

nem bem se apagava a última estrela

nas madrugadas do rio,

lá ia ele na sua canoa a remo e a vela

fiscalizar as praias de tartarugas

e superintender os primeiros

roçados de juta.

Lutou com onças

que ele achava mais fácil

do que lidar com os homens,

mas fez política

sem aspirar a cargos eletivos,

sempre no intuito de exercer

a influência do bem.

 

Plantou um sítio cheio de roseiras

com vários moradores

e deu-lhe o nome de Roseiral,

organizou festas cívicas,

da Independência,

da República,

da árvore,

no Altar da Pátria

no tempo do Estado Novo.

Getúlio Vargas era o seu ídolo.

 

Homem de fé,

às vezes ingênuo na sua crença,

entendia que o aparato estatal

seria capaz de mudar o mundo para melhor,

forma de vida honesta e segura,

coroada pelo esplendor do espírito.

 

Assim foi até o fim.

Morreu pobre!

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Elson Farias
*Poeta e ensaísta. Ex-presidente da União Brasileira de Escritores do Amazonas e da Academia Amazonense de Letras. Nascido em Itacoatiara é uma das glórias dessa cidade.

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