O medo faz parte da nossa humanidade e se manifesta como o principal mecanismo de sobrevivência em nossa escala de evolução. Os nossos antepassados, por exemplo, dependiam do medo para se livrarem de predadores ferozes.

O medo é disparado pela parte primitiva do nosso cérebro e ajuda a mente a prever situações perigosas iminentes que podem ser evitadas como a atenção ao atravessar a rua, a pular no rio sem saber nadar, a correr ao avistar animais peçonhentos e outras ameaças externas, ou seja, sentir medo faz bem.

Mas quando nos deparamos com cenários desconhecidos e incertos como este o qual estamos vivendo nossa mente transforma o medo em crises de angústias e ansiedades. É inegável o impacto em nossa saúde mental nestes tempos de pandemia, nunca nossa geração passou por algo tão ameaçador a nível global.

Acompanhamos somente nos livros de histórias situações de catástrofes que assolaram nossas sociedades como as últimas grandes guerras mundiais, crises econômicas, as pandemias passadas, até mesmo as epidemias recentes (Ebola, SARS, etc.) não eram tão próximas da nossa realidade e de repente tudo mudou.

Algo invisível nos ameaça e somos invadidos pelo medo, medo da morte, medo do desemprego, medo da solidão, medo do cenário político, medo de perder pessoas que amamos, medo do futuro, medo, medo, medo! Este medo vai tomando conta de nós ecomeçamos a sentir até mesmo os efeitos físicos de uma ansiedade, será que fui contaminado? Um pequeno espirro já é motivo para disparar um alerta interno e nossa própria mente pode nos enganar com sintomas semelhantes ao de uma gripe.

Neste momento pare, respire e peça ajuda para lidar melhor com algo que você não consegue controlar. Ligue para um familiar, amigo e converse sobre o que lhe incomoda, de tempo para avaliar se é algo real ou imaginário.

Já temos a consciência dos efeitos da pandemia, então além de fazer a nossa parte com as devidas medidas de proteção e isolamento social, temos que barrar também a propagação do medo. A forma como pensamos influencia a maneiracomo sentimos, então o famoso pensamento positivo pode nos ajudar a driblar o medo em nossa mente. Aliviar a mente com menos noticiários também vale, tente manter uma rotina saudável, leia livros, assistam filmes que tranquilizem, busquem uma alimentação mais saudável e leve, medite, se não conseguir, também não tem problema. O importante é reconhecer que todos estamos fragilizados e que teremos que enfrentar um novo estilo de vida daqui por diante. Há pessoas que precisam do nosso cuidado como crianças e idosos, então dedique-se também a um bom convívio familiar.

O medo também pode nos paralisar e neste momento precisamos de uma ajuda médica mais especializada.

Para pacientes com doençaspsíquicas já existentes é primordial continuar o tratamento mesmo à distância. Há serviços de atendimento psicológicos gratuitos sendo oferecidos por diversas instituições públicas, para os idosos temos um serviço de disk saúde mental na Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade. Precisamos também acolher e dar palavras de consolos para aqueles que perderam algum ente querido.

Não há como fugir do medo, ele faz parte do processo. Que possamos enfrentá-lo de forma coletiva e individual, mas com esperança em dias melhores. Se cuidem!

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Euler Ribeiro
*Amazonense de Itacoatiara. Médico, MD. PhD em Geriatria e Gerontologia. Ex-secretário de Saúde e ex-deputado federal pelo Estado do Amazonas. Fundador e atual Reitor da Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade. Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

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