“Uma das insinuações maldosas, sempre relembrada, se refere ao “chalet” que ele possuía nos confins da antiga Estrada de Flores, em relação ao qual é costume os menos avisados falarem troças e coisas como faziam os seus antigos opositores pretendendo incriminá-lo, como repetiam, sem cessar (…)”

Ainda repercutem no sentimento de alguns pesquisadores da nossa história as muitas contações que várias pessoas costumam fazer a respeito de Eduardo Gonçalves Ribeiro, maranhense de nascimento e amazonense de coração, daqueles que verdadeiramente mereciam todas as nossas honrarias e a nossa cidadania.

Chegaram a desqualificar a vida e a obra do “Pensador”, como se seus governos emnosso Estado tivessem sido mera passagem de tempo, quando foram eles que mudaram, completamente, a ‘paisagem urbana da pequena vila com nome de capital para uma cidade moderna, aproveitando a prosperidade da nossa economia.

Uma das insinuações maldosas, sempre relembrada, se refere ao “chalet” que ele possuía nos confins da antiga Estrada de Flores, em relação ao qual é costume os menos avisados falarem troças e coisas como faziam os seus antigos opositores pretendendo incriminá-Io, como repetiam, sem cessar, aqueles que durante muito tempo foram seus amigos de mesa, partido, palácio; conversas mais íntimas e se tornaram seus algozes.

Pois bem, paratornar público a verdade, o próprio Eduardo Ribeiro, em 1897, depois de muito ser acossado pelos inimigos ‘da política encomendados pelos oligarcas da época, mandou editar um folheto no qual se defendia de todas as acusações que lhe faziam, e explicou, com detalhes, nomes, valores, arquiteto, construtor e tudo o mais, como era seu lugar de repouso, no qual encontrou a morte quando o envenenaram.

O casario era na Cachoeira Grande e diziam que havia custado quinhentos contos de reis o que representava grande fortuna. Essa propalação transformava o recanto da chácara “O Pensador”, em verdadeiro castelo babilônico.

Pura falácia. As obras consumiram 46:800$ e a fiscalização de tudo foi realizada pelo próprio Eduardo Ribeiro. Dizia ele, em sua defesa: “não é uma obra de suntuoso luxo como se propala, é apenas uma construção especial e elegante”, fruto do desenho do arquiteto José Gomes da Rocha, pago em alongadas prestações mensais.

Eduardo Ribeiro, que pode ter sido o mais traído de todos os políticos que ocuparam altos cargos em nossa terra, conta em detalhes que Manoel Machado, Joaquim Sarmento, Costa Azevedo Fileto Pires, Lima Bacury, Gabriel Salgado e Antônio Sá Peixoto quando parlamentares federais e na imprensa ao tempo de seu governo, o aplaudiam em tudo que fazia, afirmando que “nunca houve uma só voz que articulasse uma palavra contra ato meu algum”.

O velho senador Manoel Machado depois que perdeu a vaga de candidato a governador na sucessão de Ribeiro por desavenças com o presidente Floriano Peixoto, voltou suas baterias contra o governador e, junto com Gabriel Salgado e o barão de Ladário, não cansavam de apontar a chácara com fruto de crime administrativo.

Logo o Salgado, que babava diante de Ribeiro tornou-se “moço enfezado, insolente e malcriado”:
depois de não ter sido escolhido candidato a governador como pretendia porque o “partido não
concordou” e, por isso, desancou novas ofensas contra Ribeiro.

Depois que ele saiu do governo as denúncias aumentaram e passaram a dizer que ele possuía muitos animais raros e grande sortimento de espécimes, ao que Ribeiro respondeu que era “apenas uma pequena variedade de animais mandados vir da América”, além de três carroças, três animais e um carro de luxo, Victória, adquirido quando era governador do Estado, pelo valor de 9:000$. Um dia, Raymundo Nunes Salgado, irmão de Gabriel Salgado, respondeu as ofensas lançadas contra Ribeiro e taxou Gabriel de “ingrato, mal irmão, egoísta, amigo falso e traiçoeiro”, e até de “cesteiro velho”.

O mais, o tempo vem corrigindo porque o que há de mais belo e Manaus ostenta, depois de mais de cem anos, foi Eduardo Ribeiro que fez.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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