A Academia Amazonense de Letras (AAL), por inspiração de seu presidente Robério Braga, ainda este ano homenageará dois grandes vultos de sua selecionada composição, os saudosos professores e ex-governadores do Amazonas José Bernardino Lindoso e Plínio Ramos Coelho, por conta do centenário de seus nascimentos, com a edição de um livro multiautoral de membros do Silogeu. Escolhi escrever sobre José Lindoso, cujas comemorações pelo centenário começaram ontem com uma missa mandada celebrar pela família na Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, a qual foi transmitida, em razão da pandemia de Covid-19, pela plataforma do Facebook.

Nós, da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas (ACLJA) também faremos, em breve, um evento especial para reverenciá-lo, isto porque José Lindoso é patrono da Cadeira de n°34 na Casa de Bernardo Cabral, ocupada, a propósito, pelo seu filho, o advogado e membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) Pedro Lucas Lindoso, o qual traçou-lhe um irretocável e linear perfil, editado por nós e entregue à família, com as nossas homenagens. O meu confrade de AAL Abrahim Baze produziu um estupendo documentário em vídeo. O grande Gaitano Antonaccio, fundador da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas (ALCEAR) e da Associação dos Escritores do Amazonas (ASSEAM), foi aluno de Lindoso na Jaqueira e falou maravilhas do seu mestre, bem como da seriedade com a qual ele desempenhou inúmeros cargos públicos. Enfatizo, a título de modesta complementação desse rico mosaico, a sua condição de jurista e de professor.

Nascido em 21 de agosto de 1920 na cidade de Manicoré, interior do Amazonas, José Lindoso se tornou uma das figuras mais expressivas de sua história, porquanto senhor de múltiplos talentos: advogado, jornalista, escritor, jurista, político  e professor, atividades que desempenhou com notáveis níveis de competência, zelo e probidade, predicados que, infelizmente, não encontramos mais, conjugados, com raras exceções, nas lideranças da atualidade.

Lindoso graduou-se na turma de 1946 da Faculdade de Direito da Universidade do Amazonas, de onde se tornou professor. Ali ele lecionou Economia Política e Direito Civil, dentre outras disciplinas, como livre docente que era. Em 1957 ele foi presidente da representação do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), a entidade do gênero mais antiga das Américas, aqui em nossa terra. Deu, ainda, o seu contributo, em 1958, como juiz substituto do TRE-AM. Ele é autor dos seguintes trabalhos: Do Estado – aspectos da socialização no Direito Constitucional; Valorização econômica da Amazônia (estudo); Preliminares sobre o estudo da Economia Política; Dos Elementos de Economia (Ed. Forense); O  Estado brasileiro e a evolução do Direito Civil; Vinte anos de CLT; Sá Peixoto, o jurista amazonense da codificação civil de 1916; o Sesquicentenário da adesão do Amazonas à Independência do Brasil; e Estado, Constituinte e Constituição, 1980, pela editora Saraiva. Foi convidado pela editora Forense para fazer a revisão e atualização da obra Teoria Geral do Estado, um clássico da literatura jurídica brasileira, de autoria de seu mestre e amigo Aderson Andrade de Menezes.

Lindoso foi deputado federal, governador e senador pelo Amazonas. O hino do estado, com letra de Jorge Tufic e música de Cláudio Santoro, foi instituído pela Lei 1.404/1980, em sua gestão. Ele criou os bairros da Cidade Nova e do São José; e não descurou do interior. A educação era, porém, a sua prioridade. Lembro de ter participado de jogos estudantis promovidos no seu tempo. Tenho medalhas da época. Lindoso foi professor, ainda, da Universidade de Brasília (UNB) e deu aulas de pós-graduação no Centro Universitário de Brasília (CEUB). Faleceu aos 72 anos, em 25/01/1993. Seu corpo repousa em Brasília. Ele vive, no entanto, na memória dos amazonenses e ocupa um lugar na galeria de ouro dos grandes políticos, intelectuais e educadores de nosso estado e de nosso país.

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Júlio Antônio Lopes
*Amazonense de Manaus, Advogado, jornalista, escritor e editor. Em âmbito regional é membro da Academia Amazonense de Letras; do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas; da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas - seu atual presidente; da Academia de Letras do Brasil-Am; da Academia de Letras e Culturas da Amazônia; da Associação dos Escritores do Amazonas; e da Associação Brasileira de Poetas e Escritores PanAmazônicos. Idealizador e fundador da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas - a Casa de Bernardo Cabral. Integra, como membro efetivo, a Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas; a Academia Internacional de Jurisprudência e Direito Comparado; a Confraria Dom Quixote; a Associação Nacional dos Escritores, sendo, ainda, sócio correspondente da Academia Carioca de Letras; e da Academia Cearense de Direito;) e sócio honorário da Academia Paraibana de Letras Jurídicas. Faz parte também do Conselho Consultivo da Academia Brasileira de Direito.

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