“O sentido da mudança, seja no plano nacional como local e regional, nunca esteve tão aproximado do polo mais extremo (…)”

Ano novo…vida nova, diziam os mais antigos em conversas de varanda, certamente para animar os jovens a renovarem as esperanças e todos seguíamos essa máxima como se ela fosse, por si só, a fórmula mágica do sucesso e das realizações dos nossos desejos e, mesmo que ao final pouco ou quase nada do que sonháramos pudesse ter sido conquistado, quando chegava a hora da virada de ano, mais uma vez acreditávamos que tudo mudaria.

O que temos no começo de 2019, entretanto, parece ser, de verdade, além do ano os novos tempos que se descortinam pelo País inteiro, principalmente em razão das mudanças radicais que são anunciadas para os governos e na política.

Historicamente tem sido assim. Periodicamente, ainda que não em ciclos certos e bem medidos, o País tem passado por profundas revisões críticas e alterações agudas de sua estrutura política, social e econômica, com transposição de um polo a outro das tendências partidárias e das lideranças, na maioria dos casos sem sepultar de vez as práticas do passado, salvo raras exceções.

No Amazonas não tem sido diferente. O sentido da mudança, seja no plano nacional como local e regional, nunca esteve tão aproximado do polo mais extremo ao que tínhamos até as últimas eleições, e, mesmo sem ser pitonisa, ouso pensar que sucederá uma das mais graves transformações sociais comparável a fases que, registradas na história, não podem passar despercebidas nessa oportunidade e do que são exemplos, para nós, a abertura dos portos nacionais às nações amigas, o apogeu da borracha e a criação da Zona Franca.

Às rupturas que são anunciadas devem seguir-se medidas modernizadoras do Estado brasileiro com simplificação das rotinas da Administração, minimização dos custos do serviços públicos para o cidadão, formação de quadros profissionais e permanentes para as repartições tal como se fossemos uma democracia parlamentarista na qual a máquina pública não sofre solução de continuidade quando das substituições dos líderes políticos e as rotinas e manuais de serviço de interesse coletivo permanecem sendo observadas, pelo bem de todos.

O quadro político-partidário continua frágil. As mudanças esperadas e desejadas pela maioria da população precisam alcançar o modelo estrutural dos partidos e das eleições porque, aprimorado na forma de votar e de apurar os votos, o sistema eleitoral que temos ainda mantém vícios que prejudicam a boa representação da sociedade e está agora é que começa a despertar para a ,necessidade de manter-se alerta de forma permanente no acompanhamento do exercício dos mandatos eletivos conferidos aos políticos.

O vetor fundamental para todas as mudanças que já tardam é a educação, todos sabemos. Era isso que afirmava, de há muito, José Francisco de Araújo Lima ao definir que “só a educação transforma os povos”, pelos idos dos anos 1920. Mesmo’ assim ainda não alcançamos a compreensão perfeita dessa necessidade nem atuamos da forma mais acertada para alcançarmos este objetivo. A cada quatro anos os políticos se dizem comprometidos com essa missão e prometem efetivá-la, mas o que se vê ao final do período ainda não tem sido suficiente para cumprimento real e, concreto dessa meta. Quem sabe agora? Vamos esperar e confiar.

Afinal, estamos vivendo novos tempos!

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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