“Enfim, o que será do mundo que edificamos hoje, para os que vierem depois de nós, setenta vezes sete vezes depois?

Setent´anos passados e tudo se nos apresenta de forma completamente diferente daqueles primeiros anos desse jornal.

Com grande velocidade, principalmente nos últimos tempos, as profundas e radicais mudanças na forma de ser e viver da sociedade brasileira transformaram os meios de comunicação, mas não mudaram nem diminuíram a importância dos fatos nem a necessidade de informar e ser bem informado.

Ao contrário, cada vez mais a verdade da notícia ganha relevância diante do exagerado, veloz e muitas vezes irresponsável uso das redes sociais e do sistema mundial de computadores.

Não basta contar o acontecido, é preciso aprofundar a matéria, apurar a verdade verdadeira, esclarecer o leitor, oferecer uma análise crítica do cenário político, social e econômico, enfim, fazer e refazer o jornalismo, sempre calcado na verdade.

O mundo é outro. As democracias persistem em busca de aprimorar-se, atravessando, aqui e ali, dificuldades muitas vezes imponderáveis, mas ressurgem como representação das sociedades que almejam o desenvolvimento.

No caso brasileiro, decorridos todos estes anos é possível recuperar vários cenários e verificar que nem sempre aprendemos com essas experiências, mas que ainda temos chances de novos tempos.

E como será o amanhã? É o que perguntamos todos quantos vivemos as expectativas diante de novas e profundas transformações que se prenunciam ainda mais radicais.

Não se trata de recuperar a frase do cancioneiro popular, mas refletir sobre os novos dias, sob muitos pontos de vista.

Como estará a cidade? A moradia? A família? O governo? O emprego? A educação em todos os seus níveis? O alimento, cada vez mais escasso para muitos?

Enfim, o que será do mundo que edificamos hoje, para os que vierem depois de nós, setenta vezes sete vezes depois?

Nossa cidade deve ser considerada como parte da resposta, ou servir de exemplo para a compreensão de que tudo poderá ser um desastre altamente agravado por irresponsabilidade múltipla dos agentes e atores sociais, e de cada um do povo; ou de como soubemos preparar o futuro.

Olhando no retrovisor da história manauense notada mente dos últimos quarenta a cinquenta, anos, sem muito esforço podemos constatar um dos maiores desastres urbanos no território nacional, com perda de qualidade de vida sob quase todos os aspectos e com descaracterização e extravio das expressões de nossa cultura.

Perdemos com o tempo, às vezes, como se estivéssemos debaixo de um temporal devastador do alto verão amazônico.

No campo a que se dedica a família Calderaro o da comunicação social, para cujo desempenho sempre reuniu profissionais de qualidade, formou e contribuiu para o aperfeiçoamento de muitos, não tem sido diferente.

A tribuna de “A Crítica” tem sido altamente representativa para a defesa dos direitos e do desenvolvimento do Amazonas, desde cedo, quan.do ainda era gritada na venda pelas ruas com o pregão dos velhos jornaleiros, e ainda agora quando se vale de meios modernos para alcançar o leitor, inclusive pela internet, sem se afastar dós princípios que a norteiam desde as primeiras tiragens.

O que se vislumbra nesta nova fase de mudanças políticas no país vai impor a todos nós, amazonenses e todos que aqui labutam, o uso indormido de tribunas como a deste jornal para vencermos o que se prenuncia preocupante para o presente e demolidora para o amanhã.

Afinal, não é de hoje que teimamos e vamos continuar a teimar em sermos brasileiros, a terra e a gente que nos legaram os de antanho e que nos cumpre preservar e defender.

Chegar ao setent´anos com a missão cumprida e carregando a esperança, olhando o futuro, pronto para novas lutas é o que resulta do ideal de quantos construíram essa história. Que venham os novos tempos.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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