Eu fico muito ansioso em vésperas de eleições. Confesso que gosto muito de ir às urnas. Não é só porque me preocupo em bem escolher nossos representantes. O fato é que passei anos sem votar. Meu primeiro título era um cartão de ¼ de folha. No verso havia espaços quadriculares para carimbo e comprovação de votação. Não se podia “plastificar”. Acabei plastificando o meu, por desgosto. Não tinha serventia. Era só um registro. Requerido somente para fins de concurso público e expedição de passaporte.

Eu era eleitor de Brasília, Distrito Federal. Fui morar lá ainda menino e aos 18 anos tirei meu título. Em 1975 não havia eleições em Brasília. Só fui votar em 1990, aos 33 anos. Idade em que o Cristo foi crucificado.

No próximo dia 15 os eleitores de Brasília não vão às urnas. Lá não há prefeito nem vereadores. O DF é divido em regiões administrativas. Os administradores são escolhidos pelo governador.

Somente depois da Constituição Federal de 1988 é que o Distrito Federal passou a ter representação política. Ulisses Guimarães disse que Brasília era uma cidade “cassada”. Com a Constituição Cidadã a cidade ganhou uma Câmara Distrital e representação no Congresso Nacional. É renovada de 4 em 4 anos, quando se lege o presidente e os governadores.

Quando tirei meu título, na época dos militares, não se votava para presidente e nem para governadores. Mas havia eleições nos estados. Aqui no Amazonas votava-se para o Congresso Nacional e para a Assembleia. Em Brasília não havia ainda a Câmara Legislativa. O governador era escolhido pelo Presidente da República, que era sempre um general, junto com os ministros de estado.

Em 1996 iniciou-se o uso de urnas eletrônicas. Todas as capitais e grandes cidades começaram a utilizá-las. Eu não votei naquele ano. Era eleição para prefeito e vereadores. O Distrito Federal não participou por não os eleger. Naquele mesmo ano uma nova lei estabeleceu o modelo em vigor do título eleitoral. Houve um recadastramento. O meu velho e original título ficou “plastificado ad eternum” e nunca foi utilizado, nem o verso carimbado. Houve um tempo em se votava escrevendo o nome dos candidatos. Ou em pequeninas cédulas impressas e distribuídas pelos próprios candidatos.

Cacareco foi um rinoceronte do Zoológico do Rio de Janeiro emprestado ao Zoológico de São Paulo. Nas eleições municipais de um distante outubro, Cacareco recebeu milhares de votos para vereador. Tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Nessas eleições não vote no Cacareco. Mesmo porque o nome dele não consta das urnas eletrônicas.

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Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

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