patricia campos mello
*Patrícia Campos Mello

Agentes patogênicos são capazes de se espalhar rapidamente pelo planeta.

Enquanto assistimos apáticos à epidemia de ebola que já dura mais de um ano na República Democrática do Congo, onde causou mais de 2.000 mortes, o Conselho de Monitoramento da Prontidão Global adverte: o mundo está despreparado para a próxima epidemia global.

Em seu primeiro relatório, o Conselho, criado em 2018 pela Organização Mundial de Saúde e pelo Banco Mundial, afirma que a maior ameaça são agentes patogênicos de alto impacto, causadores de doenças respiratórias, como, por exemplo, uma cepa especialmente letal do vírus influenza.

Esses agentes patogênicos são disseminados por perdigotos, podem contaminar um grande número de pessoas rapidamente e se movimentar velozmente pelo globo.

Além disso, “desenvolvimentos científicos permitem que micro-organismos causadores de doenças sejam desenvolvidos ou recriados em laboratório”. “Se países ou grupos terroristas criarem ou obtiverem, e depois usarem armas biológicas que sejam um agente patogênico respiratório novo, de alto impacto, as consequências podem ser tão graves ou até piores do que as de uma epidemia natural”.

O conselho surgiu a partir de uma força tarefa formada na esteira da epidemia de ebola de 2014-2016. Essa epidemia foi emblemática não apenas pela devastação –contaminou quase 30 mil pessoas e matou mais de 11 mil – mas também pela sucessão de equívocos na resposta.

Ebola na República Democrática do Congo

A comunidade internacional foi extremamente lenta na reação, e a OMS levou mais de seis meses para declarar emergência internacional.

“Por muito tempo, permitimos que se instalasse um ciclo de pânico e negligência quando há epidemias: nós aumentamos os esforços quando há uma ameaça séria, e depois rapidamente esquecemos quando a ameaça diminui. Passou da hora de fazermos alguma coisa”, diz na introdução do relatório Gro Harlem Brundtland, ex-primeira ministra da Noruega, ex-diretora geral da OMS e atual copresidente do conselho de prontidão.

O relatório contém uma lista de ações que os governos deveriam adotar, para não serem uma vez mais pegos de calças curtas.

*Repórter especial da Folha. Matéria na Folha de São Paulo, Caderno Opinião, de 20/09/2019.
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