O ministro Gilmar Mendes continua sendo a vergonha da Justiça, mas não é exclusividade. Este ministro, sem o menor pingo de pudor no exercício da sua atividade jurisdicional, assumiu definitivamente o seu ofício de porta-voz e defensor dos políticos e empresários bandidos afundados no mar de lama, que tem o nome de corrupção sistêmica e que devora todos os valores da sociedade brasileira.

É incrível como ele se comporta, como se fosse uma pessoa ingênua, falando bobagens todos os dias, no plenário do STF, no TSE, na imprensa e nas palestras que faz pelo mundo afora. E o que é pior, ainda tem pessoas que querem ouvi-lo, como se ele tivesse algo a acrescentar no processo de reconstrução da ética e da moralidade do nosso país, que está clamando pela prisão de todos os corruptos e o aurorescer de uma nova ordem de valores republicanos. M as ele se coloca, de forma autoritária, na contramão dessa nova ordem com a qual se pretende consertar esta república corrompida e carcomida que está aí.

Fiquei espantado com a fala desse senhor em palestra que proferiu no nordeste, que, de cara limpa, lançou-se contra a operação lava jato, advogando limites para as investigações, ou em outras palavras, não podemos atingir os grandes canalhas da república, sob pena de “prejudicar” a canalhice nacional, que deve continuar intocável. E quando ele alega que há práticas abusivas na condução dos processos, fazendo, de forma obscura, referência ao trabalho cívico e patriótico dos procuradores e do juiz Sérgio Moro, censurando-os como se fossem aloprados, continua prestando um desserviço à justiça, porque a desrespeita, sendo o seu próprio local de trabalho. Na verdade, precisamos dizer à sociedade, que todos as ações penais conduzidas pelo juiz Moro estão se processando em obediência ao devido processo legal, ampla defesa e o contraditório, que são princípios inscritos na Constituição federal, e dos quais o julgador não pode afastar-se, no estado democrático de direito.

A grande questão é que o insuperável corrupto Lula, todo os dias fica confundindo a opinião pública, em comícios diante dos seus seguidores fundamentalistas na defesa dos maus costumes do pt e dos seus puxadinhos, onde ele próprio já profere a sua sentença, quando afirma que é a pessoa mais honesta do mundo, e tudo que se investiga contra ele é perseguição política, porque não há provas da sua responsabilidade criminal.

O ministro Gilmar também se comporta com visível desonestidade intelectual, na sua função de porta-voz dos corruptos, quando se refere aos processos da lava jato, sem nunca ter chegado à sua apreciação nenhum processo da instância de Curitiba, que antes de chegar ao Supremo, passa pelo julgamento do Tribunal Regional Federal da quarta região, em Porto Alegre. E aquele Tribunal, de segundo grau, tem confirmado 95% das decisões da primeira Instância de Curitiba. Portanto, ele não sabe se no conteúdo dos autos se identifica alguma decisão em desobediência ao ordenamento constitucional e processual-penal. O nome disso é desonestidade intelectual.

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Raimundo Silva
*Amazonense de Itacoatiara. Advogado. Desembargador Federal do Trabalho aposentado. Professor de Direito da UFAM aposentado. Mestre em Direito pela UFPE. Foi vereador em dois mandatos, de 2009 a 2016, e nesse período Presidente da Câmara Municipal de Itacoatiara. Escritor e membro da Academia Itacoatiarense de Letras.

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