“Caminhos Missionários”- Belém, 1993

Minha mãe é um rio de águas grandes, profundas
como os caudais do Amazonas.
É um rio que brotou da montanha que é Deus,
Trazendo SUAS DÁDIVAS, os seus dons:
a coragem e a fé, o amor e a esperança.
Veio se enriquecendo através dos anos
com os afluentes das dores e alegrias
de que sua longa vida está repleta.

Veio trazendo os dons para as cidades
que são seus sete filhos…
e estes recebem o influxo da torrente
que um dia os fez nascer.
Os filhos:  rios são cidades,- cidades que eram vilazinhas-,
vivificam os rios a matriz?
Ou é o grande rio que lhes dá vida?

As mães, de fato, todas são um rio.
são um “rio que passa em nossa vida”,
como diz a canção.
e a vida desse rio é uma canção,
Canção alimentada pelo sol do Equador,
pelas águas da Graça,
o sol da Eucaristia.
canção da água da vida.

——-

Minha mãe é um rio de longa história.
história que não para.
E ele segue incansável, chamada pelo Mar, ouvindo o Mar
Cantando sua canção,
a caminho do mar,
do mar que é DEUS.

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Marília Menezes
Poeta e escritora. Ex-secretária da CRB. Trabalhou na Prelazia de Itacoatiara, em 1962-1963, ao tempo do bispado de dom Francisco Paulo Mc-Hugh (1924-2003), onde dirigiu o Colégio Nossa Senhora do Rosário. Em 1997 voltou a Itacoatiara para secretariar o bispo dom Jorge Marskell (1935-1998), até sua morte no ano seguinte. Sócia correspondente da Academia Amazonense de Letras. Reside em Belém, sua terra natal.

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