A escola é o ambiente mais propício para se obter apelidos. Colocar apelido em sintonia com o nome, como uma abreviação, por exemplo, sempre foi tida como uma forma carinhosa e mais próxima de tratar uma pessoa. Quando se passa a chamar Luciana de “Lu”, Mariana de “Mari”, Josefa de “Jô”, Francisco de “Chico” e assim por diante, é sinal de que nos tornamos mais próximo daquela pessoa, nos tornamos amigos(as).
Esta prática ocorre justamente em razão da convivência contínua. É por esta razão que o colocar apelido ocorre geralmente no ambiente escolar, familiar ou de trabalho. O colocar apelido em alguém pode ser uma atitude saudável desde que a pessoa apelidada concorde com ele. Se o apelido causar constrangimento deixa de ser um ato carinhoso e passa a ser considerado bullying.

Como saber então se o apelidado está ou não de acordo com o apelido que recebeu? O melhor a fazer é perguntar para o próprio se ele autoriza ser chamado pelo apelido ou se prefere ser chamado pelo nome. Ninguém melhor do que a própria pessoa para autorizar ou não.

Uma boa prática da escola é, logo no início do ano, quando a professora estiver fazendo a chamada pela primeira vez, perguntar para cada aluno se ele tem apelido e se gosta de ser chamado por ele. O que pode ser normal para um, pode ser traumático para outro. Tive uma aluna que adorava ser chamada de “pequena” em razão de ser estilo mignon. Outra também pequenina era chamada de “cisquinho”. O apelido age diretamente no emocional do apelidado. É por esta razão que não há uma regra a ser seguida para se detectar se o apelido está interferindo ou não no dia-a-dia do apelidado. Antes de chamar alguém pelo apelido, peça autorização. Assim você saberá a melhor maneira de agir sem ferir e nem intimidar.

O bullying é um comportamento agressivo ou debochado dos colegas sempre com um “eleito” da turma. Brincadeira de criança é normal e até saudável. O problema é quando ela passa do limite e vira um problema sério: o bullying (a pronúncia é búlin). “O bullying é um comportamento agressivo e repetitivo”. Nele, uma criança sempre será o dominador e a outra, a dominada. O bullying ocorre por vários fatores, mas, na maioria dos casos, o que predomina é o ambiente familiar: se uma criança vive num clima de desrespeito, ela pode passar de vítima (em casa) a agressora (na escola) e oprimir os colegas. Isso pode resultar em depressão e dificuldade para relacionar-se. Veja como proteger e ajudar seu filho a superar essa difícil situação.

Decubra o problema: A conversa é a base de tudo. Questione seu filho, sem usar tom de cobrança. No livro Proteja seu Filho do Bullying (ed. Best Seller), o autor Allan L. Beane dá dicas das perguntas certas a fazer:

Quem estava envolvido? Quem foi o agressor? O que disseram exatamente para você? Quando aconteceu? Onde você estava? Tinha algum adulto por perto? Como você reagiu? Há quanto tempo isso acontece?

Peça ajuda à escola, a maioria dos casos de bullying ocorre dentro da escola. Pense em você e na Instituição como uma equipe. Entre sempre em contato para ver como andam as coisas por lá: Explique o que seu filho está vivendo; Conte quem está fazendo isso com ele; Peça para que a atenção com aquela turma seja maior; Não chorar ou retrucar é uma forma de mostrar superioridade.

Preserve a criança, tem mãe que incentiva a briga, outras dizem para ignorar. Mas o ideal é a criança se preservar. A vítima deve ser inteligente e se defender de um jeito que o agressor não perceba que está conseguindo atingi-la, Ou seja, a criança não deve retrucar e chorar para não mostrar fraqueza, e sim, superioridade.

Quando a situação sai do seu controle, o que fazer? Desesperar-se não vai solucionar o problema. Se a escola não resolveu, se seu filho não conseguiu se defender da humilhação e você não sabe o que fazer, mantenha o autocontrole. Mude, matricule-o em outra escola se essa não estiver dando certo. Em outra Instituição, ele pode encontrar amigos com mais afinidades.

Troque o foco, faça-o se entrosar com outras crianças, colocando-o em aulas de que ele goste como: natação, futebol, cursos de inglês ou outros.
Elogie a criança, assim, você demonstra que seu filho é importante. A autoestima dele vai subir de novo e assim ele saberá tirar de letra possíveis ataques.

Compartilhar
Fabiolla Fonseca
Psicóloga, nascida em Itacoatiara, casada e mãe de duas filhas. Especialista em Psicologia Jurídica.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui