Quero cantar o meu canto

antes que outros venham

dizer as coisas que eu sinto,

sofrer as mágoas que eu sofro,

erguer a voz nas quebradas

glorificando o perigo

deste amor que se faz tanto

que em mim não cabe mais.

Quero fazer do meu canto

guerra e paz num só momento,

sol de outono em primavera,

pedra e flor no fragmento

da emoção que me abrasa.

Quero cantar o meu canto

todo ele por igual,

agora enquanto a brasa

crepita no vendaval

e a minha voz é tão forte

como o trovão e o vento,

e o amor é o sentimento

que me liberta da morte.

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Violeta Branca
Violeta Branca Menescal de Vasconcelos (1915-2000). Poetisa amazonense começou a escrever aos 19 anos. A primeira mulher a ingressar numa Academia de Letras no Brasil. Ocupou a Cadeira nº 28 da Academia Amazonense

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