A mais antiga e produtiva instituição cultural do Estado festeja hoje o seu centenário: o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

Uma trajetória por demais importante no cumprimento dos objetivos e da missão traçada por seus fundadores, especialmente pelos três primeiros apóstolos que foram Vivaldo Palma Lima (o inspirador), Bernardo Azevedo da Silva Ramos (o primeiro presidente) e Agnello Bittencourt (secretário e depois Presidente Perpétuo), aos quais se reuniram Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt, Manoel Miranda Simões e Henrique Rubim, acolhidos e impulsionados no ideal e nas necessidades materiais da entidade pelo governador Pedro d’Alcântara Bacellar.

Os primeiros anos foram decisivos para que o Instituto lograsse alcançar as festas centenárias, com o empenho de cento e onze fundadores, exclusivamente homens, praticamente todos membros da Maçonaria Amazonense, com fortes vínculos políticos em várias esferas de poder, dentre professores, magistrados, médicos, advogados, engenheiros, geógrafos e jornalistas, cada um deles oferecendo o prestígio do seu nome e de círculo de amizade e influência, para fazer vingar a ideia naquele 1917 de pós-guerra, como se fosse um bálsamo nas feridas que se abriam às escâncaras também pelo empobrecimento econômico-financeiro que se instalava em razão da queda da economia da borracha.

Teria sido um fortalecimento à Universidade Livre de Manáos ou surgiu para complementar a sua feição? Um centro de memória, pura e simples, ou uma Casa de pesquisa e debates dos tormentosos problemas que se abatiam sobre a nossa sociedade? Ou tais aspectos se congregavam naquele esforço hercúleo que os intelectuais e beletristas decidiram fazer para erguer uma instituição dedicada às ciências, mas também voltada para a busca do soerguimento econômico e do progresso que, experimentado desde 1880, principalmente, explodira nos primeiros anos republicanos e dava sinais de fraqueza desde 1913.

Seu inspirador – Viva Ido Lima – era um empreendedor de grandes feitos, baiano de nascimento, amazonense dedicado, grande professor, poliglota, médico e advogado. O primeiro presidente, escolhido de logo, foi Bernardo Ramos, de grande influência política, social e empresarial, mas antes de tudo um cientista, pesquisador de méritos, egiptólogo e numismata muito bem relacionado com intelectuais de várias partes do Brasil e de outros países. Seu secretário, o professor e geógrafo Agnello Bittencourt, ex-prefeito de Manaus, paciente e por demais organizado, foi aquele que por mais tempo manteve de pé o grupamento de fundadores, posto que faleceu aos 99 anos em 1975.

A trajetória do instituto é benemérita acima de todos os títulos. Casa de Memória, centro de estudos, palco de debates, força e trincheira na defesa intransigente dos valores que constituem a tradição e a história do Amazonas, sempre a acolher aqueles que se dedicam a pesquisa e ao estudo dos problemas amazônicos e a dar-lhes voz.

Há em mim bastante orgulho de estar contribuindo há 44 anos nessa trajetória luminar que venceu borrascas pela determinação de muitos que ofereceram o melhor do seu contributo, na certeza de estarem edificando uma obra perene e valiosa.

Glória aos que o ergueram e aos que nos legaram o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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