*Elizabeth Duarte Cavalcante

Prefácio ao livro de igual título, o segundo de autoria de meu pai, professor e poeta Francisco de Abreu Cavalcante, a ser lançado brevemente.

Os versos generosamente ofertados no segundo livro do professor e poeta Francisco de Abreu Cavalcante são uma celebração à vida. Uma vida que por ter sido tão farta de emoções, de amores, de despedidas e encontros, dureza e ternura, não coube em si mesma e precisou ser compartilhada.

Dessa vez nos brinda, logo na abertura, com a poética das histórias, narrando como um pescador toma a decisão de tornar-se um professor.

O irmão – quase um ente das lendas amazônicas – personifica a presença daquele que segue pela vida junto com a correnteza dos rios, sem nada mais almejar além do sustento retirado da natureza. Esse “homem de aço”, que “não raciocinava a cru”, possui as marcas da dureza nas mãos “calejadas, cansadas, castigadas”; preferiu prosseguir em sua “doce vida arriscada”, enquanto o poeta sonha em voltar a estudar e ter uma vida melhor.

As veias românticas e simbolistas acentuam-se conjuntamente na idolatria da mulher, a quem louva, homenageia, desculpa-se. Estão em Quinze Anos, poema ofertado à neta mais velha, Helena. Na “gentil, intuitiva e dominante” Kátia. Outra hora são “musas cancioneiras”: Margarida (a mãe), Clarice (a esposa), “e outras quaisquer”.

Em poemas como Reino da Gratidão, Esperança e Devaneio, as musas deixam de ser externas para transformarem-se quase na anima junguiana – aquela que, em seu terceiro estágio é a sábia maternal ansiada pelo “espírito” do poeta.

O eu adolescente pede livre passagem em Madrinha e é reconhecido no idílio simples, puro, sonhador e utópico com o qual Francisco canta as belezas da natureza. Ele se detém novamente em um Beija Flor, mergulha em uma Noite promotora de descansos, e explode no poema central do livro Maravilhas da Vida, onde o Universo, o Brasil e o Amazonas vão e voltam em versos que denotam o deslumbramento do poeta diante da Criação Divina.

Nesse segundo momento as homenagens continuam na saudade à Jorge Tufic, no amor ao Coral João Gomes Júnior, na gratidão aos Anjos Cuidadores, que são os funcionários do Parque do Idoso da cidade de Manaus.

E as amizades antigas e ainda presentes são trazidas para bem perto, para dentro do livro, na tétrade de poemas em parceria com o amigo de longa data Odilon Andrade. Como bom amigo, Odilon se permite viajar pelas temáticas do amigo Francisco, com versos ora arrebatados, ora indignados, firmando um belo encontro entre a utopia e a impetuosidade.

Mais uma vez a religiosidade se faz intensa com pensamentos voltados ao Criador, em alguns instantes para agradecer, outros para se locupletar como um ser que é parte da Criação, outros, ainda, como uma tentativa de retirar os aprendizados obtidos pela reflexão do próprio egoísmo, do orgulho, da vaidade, e elaborar uma lição que é constante na retórica de Francisco e que está contida nas palavras humildade, simplicidade, ternura, fraternidade.

Nada mais há para se dizer visto que o tempo contemplando essas Maravilhas da Vida parece estar a se esgotar…  É o que se nota nas estrofes finais, onde se revelam a angústia e a esperança do poeta diante do porvir de si mesmo e de todos nós:

“Queria descansar e não posso,

Levando o tempo a pensar

Que dentro de poucos dias

A viagem vai terminar”.

E como na poesia essa viagem não tem um tempo delimitado como nos calendários inventados por nós, experimentemos, com espírito de gratidão ao poeta, essa admiração das maravilhas da vida simples, que trabalha, alegra-se, angustia-se, sofre, prossegue, ama, e se permite encantar até mesmo com o final da jornada. É uma bela lição! Por isso mais uma vez agradeço, meu pai!

*Elizabeth Duarte Cavalcante é filha do poeta. Uma mulher com múltiplas formações e grande amor pelas letras. É jornalista (gestora do Departamento de comunicação da Companhia de Desenvolvimento do Amazonas, Ciama). É psicoterapeuta (tem seu próprio consultório), dramaturga, letrista e compositora! Também alinhava poemas e histórias e espera publicar em breve!
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