No sudeste do Brasil não se usa a palavra cruzeta para cabide de roupas. Aqui em Manaus é como chamamos os cabides: cruzetas. Além de significar uma pequena cruz, a palavra cruzeta também é nome para a peça em forma de T, usada por operários para nivelar. Há também a acepção de cruzeta para negócios escusos. Parece que esse é o sentido mais conhecido Brasil afora.

Muitos amazonenses foram constrangidos ou ficaram meio sem graça ao usar a palavra cruzeta para pedir cabides em hotéis pelo Brasil afora.

Para os amazonenses cruzeta é, definitivamente, cabide para roupas. E também para os portugueses!  Já escrevi inclusive uma outra crônica sobre esse assunto: cruzeta é cruzeta. Em Manaus e em Portugal.

A minha alegria foi imensa ao entrar em uma loja em Lisboa e descobrir isso. Cruzeta é também como os lisboetas se referem a cabides. Assim, elegi a palavra cruzeta para comprovar a força da influência lusitana no Amazonas.

Um dos símbolos importantes dessa presença portuguesa no Amazonas, além do Hospital Beneficente Português, é o Luso. Fundado como clube de futebol, ao longo de mais de cem anos ofereceu a sociedade manauara atividades artísticas e culturais.

Uma das mais expressivas e inesquecíveis atividades do Luso de outrora eram as pastorinhas. Autos de Natal em que havia a figura do diabo, enfurecido e amedrontador. Pelo menos para mim, menino de calças curtas.

Os portugueses se destacaram na área do comércio e da indústria. Família de ilustres lusitanos fundaram o grupo TV Lar e refrigerantes Magistral, dentre vários outros empreendimentos da cidade. Uma das lojas maçônicas mais antigas do Amazonas, a centenária Aurora Lusitana, foi fundada por portugueses.

Hoje há outras e diversas demonstrações culturais na cidade, advindas de outras nacionalidades e influências culturais diversas. Muitas mudanças. E por falar em mudanças, recordemo-nos do grande Luís de Camões sobre o tema:

Mudanças.

Luís de Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

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Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pelo documentário Cultural referente a Manaus Lusitana, eu já fiquei constrangido por usar a palavra “cruzeta em um Hotel em Brasília, pois em Portugal está certo a palavra. Estou sabendo agora através do seu Blog. Desejo muito sucesso nos documentários do seu Blog.

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