Nós habitantes da região amazônica, com nossas exorbitantes florestas tropicais, convivemos com o risco de transmissão de uma doença infecciosa causada pela picada de um mosquito fêmea chamado anopheles e que pode causar a morte se não for tratada corretamente. Sim estamos falando da malária, também conhecida como paludismo, é uma doença febril transmitida com a participação do vetor (mosquito prego) infectado por plasmodium, um tipo de protozoário. A malária é uma doença endêmica que atinge países tropicais no mundo todo, mas no Brasil os casos se concentram nos estados da região norte e centro-oeste, contudo na capital federal, na cidade de Brasília, os casos tem chamado a atenção pela alta prevalência de infectados.

Os principais sintomas da malária inclui calafrios, febre alta, cefaleia, tremores e mal estar geral, pele amarelada, falta de apetite e dependendo do tipo da malária os sintomas pode alternar a cada dois ou três dias, por este motivo chamamos de febre terçã ou febre quartã.

Qualquer pessoa exposta a picada do mosquito pela manhã bem cedo ou ao anoitecer, principalmente no final da tarde (crepúsculo), pode ser infectada e aqueles que moram em áreas endêmicas podem ser contaminados muitas vezes e até atingir um grau de imunidade parcial não apresentando nenhum sintomas, porém continuam sendo fontes de transmissão se for picado e em seguida o mosquito picar outro ser vivente. O período de incubação pode levar de 7 a 28 dias, portanto caso você apresente um quadro de febre após ter visitado áreas de mata fechada, procure um posto de saúde para receber o tratamento.

Esta é uma doença curável, como existem vários tipos de parasitas da malária, o tratamento adequado deverá ser feito após a análise para confirmar o diagnóstico, inclusive temos como padrão o uso da hidroxi-cloroquina receitada por um médico especialista, de forma alguma o tratamento deverá ser interrompido, como muitos começam a se sentir melhor no início do tratamento, tendem a abandonar os remédios, o que aumenta o risco de recaída da doença. Em casos graves da doença o paciente pode apresentar prostração, alterações da consciência, dispneia com hiperventilação pulmonar, convulsões, hipotensão arterial levando ao choque, hemorragia e icterícia.

As crianças e as gestantes infectadas pela primeira vez estão sujeitas a maior gravidade da doença, principalmente se forem infectadas pelo tipo plasmodium falcipurarum, que se não for diagnosticado a tempo e tratadas adequadamente em tempo hábil, podem ser letais.

Como não existe vacina, precisamos ser cuidadosos principalmente nas áreas de maior prevalência do mosquito, evitando banho de igarapé ou em águas paradas ao entardecer e ao amanhecer, protegendo as casas no interior com telas de proteção e mosquiteiros na hora de dormir, solicitar ao poder público a borrifação  frequente com substância que matam o mosquito, ao se expor em zonas de matas ou florestas usar sempre repelente e roupas de proteção ao corpo (camisa manga longa, calças compridas, etc) e por final buscar ajuda médica nos primeiros sinais da doença, nunca se automedique. Cuidem-se!

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Euler Ribeiro
*Amazonense de Itacoatiara. Médico, MD. PhD em Geriatria e Gerontologia. Ex-secretário de Saúde e ex-deputado federal pelo Estado do Amazonas. Fundador e atual Reitor da Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade. Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

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