A difícil aceitação da morte é um processo natural e muito comum. Todas as vezes que perdemos alguma coisa inerente a nossa própria vida entramos num processo de acabrunhamento psicoemocional. A palavra luto tem sua origem do latim (luctus) que significa dor, lástima, mágoa. O luto é uma forma de expressar um sentimento de tristeza pelo falecimento de um ente querido. Além da definição na literatura médica, o luto também pode representar o sentimento de perda por animais, objetos ou situações de expectativas na vida, perderoemprego é uma forma de luto por exemplo.

Cada cultura é marcada pelos seus próprios rituais de despedidas, desconheço registros de grupo que abandone seus mortos sem um rito de passagem. Dependendo da religião ou códigos culturais temos as cerimônias fúnebres que faz parte do nosso processo de luto: homenagens, velórios, enterros, cremação, esses rituais nos trazem uma ideia de comunidade, entre nascere morrer celebramos de forma coletiva.

Esta nova pandemia está mudando a nossa forma de agirno mundo, precisamos da empatia, do esforço coletivo e da consciência que fazemos parte de um todo, porém ela traz uma transformação de comportamento que vem afetando a vida de todos que perdem um ente querido em tempos de colapsos no sistema de saúde pública. A proibição de velar nossos entes queridos causa uma dor na alma, nunca um abraço fez tanta falta em nossas vidas.

Surge então novas estratégias de suporte e apoio emocional para enfrentarmos esta situação atípica, o mundo mudou, precisamos nos adaptar a estarealidade para prosseguir nosso caminho. Estamos lutando com algo invisível e novo, medidas de higiene sanitária é necessária, não sabemos o caminho certo, mas o mundo neste exato momento busca soluções para salvar vidas.

Pular a etapa do luto com as homenagens presenciais de fato deixará marcas em todas as sociedades, viver o luto individual faz parte da nossa humanidade e sim devemos chorar e deixar extravasar nossos sentimentos de tristeza, busque ajuda psicológica caso não consiga lidar com esta situação.

Mas o que podemos fazer para amenizarnossa dor? A resposta é o amor… que pode ser expressado de várias maneiras. O isolamento social não é sinônimo de solidão, temos as tecnologias disponíveis para o abraço virtual, o acalanto da voz através de uma mensagem de apoio, as verdadeiras correntes do “bem” com orações que nos trazem conforto, a imagem dos netos dizendo “vai ficar tudo bem” e uma mensagem inesperada de um “eu te amo”. É um momento de respeito a nossa dor, portanto devemos acolher e sermos acolhidos.

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Euler Ribeiro
*Amazonense de Itacoatiara. Médico, MD. PhD em Geriatria e Gerontologia. Ex-secretário de Saúde e ex-deputado federal pelo Estado do Amazonas. Fundador e atual Reitor da Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade. Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

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